quinta-feira, 28 de abril de 2016

TU ERES DIOS.


Fazia muito tempo que não entrava em uma igreja. Essa semana, nas 24 horas de sono, de descanso, por acaso me vi perto da igreja perto de minha casa e resolvi assistir a missa. Fazia muito tempo que eu não assistia uma missa, anos, nem lembro da última vez. E entrar na igreja agora, foi como quem entra pela primeira vez. Da missa, eu só lembrava que era um longo rito, que eu nunca entendi. Acho que por isso nunca gostei de assistir. Quando eu era criança, lembro de chorar quando minha mãe dizia que eu tinha que ir a igreja. Não era falta de fé, na época eu nem sabia o que isso era. Apenas aquela celebração era algo muito chata pra mim. Ontem, constatei que continua o mesmo. Dessa vez, talvez pelo dia da semana, senti a igreja como um ambiente muito deprimente. Os velhos, aquele homem pregado na parede, eternamente, aquela sensação de um passo pra morte. Uns 15 minutos de celebração me bateu uma sensação triste. O peito pesado, a depressão leve de todos os dias. E lá, sentando e levantando, rezando, orando. Constatei que ainda lembro de todas as orações, das rezas. Eu ainda oro. 

-Pra que? 
-Pra quem? 
-Pra nada. 

É só o costume. Como algo que você faz todos os dias. Vai que né, tem algo mesmo. Me olhando. De cima. Mas aquela sensação estranha dentro do peito, aquele rito estranho. Passou um tempo, fui ficando mais animado. A visão que o fim daquilo estava próximo é algo que pode dar certa alegria. A igreja continua praticamente a mesma de quando eu era menino. O rito, o mesmo. O homem pregado na parede vai estar lá pra sempre. E isso é uma pena, uma imagem triste de constatar. Mas eu não sou mais aquele menino que chorava porque tinha que ir a igreja. Hoje você só chora quando tem que entrar na senzala. Ver o público daquela noite, os velhos, aqueles que pensamos estarem mais próximos do fim e pensando que, e se com eles tudo aquilo for também. Aquela nova salvação. Pensar em um mundo sem fé pode ser tão desesperador quando libertador. Eu só quero pra mim isso, liberdade. Hoje, nos 30 do primeiro tempo, entender que não existe nada por, e para nós fora isso aqui, foi uma das melhores coisas que fiz pra mim. Não é que não acredite, pode ser que tenha algo que rege tudo, é que eu não quero mais acreditar em nada. É que não me interessa mais, não me importa. Depois daqui não tenha luz. Eu só quero escuridão. Eu só quero ser aquele rádio de pilha que vai se apagando aos poucos mesmo quando tiram da tomada. Depois só o silêncio. Viemos de uma junção de secreções, do desejo, nunca do pecado como querem falar. Não existe pecado. Existe certo, errado, tua cabeça e o bem do próximo, e nunca querer ferir o bem do próximo. É isso que existe. Quem me criou foi o homem. Homem é quem sou. Eu nasci pra ser meu próprio Deus.



sábado, 23 de abril de 2016

O CABEÇA DE PROZAC.

Mancho, cadê teu tumblr?
Excluíram.
Tu excluiu?!
Não, excluíram.
Como assim?
Sei lá, alguém entrou e excluiu o blog. Ou então denunciaram o tumblr e o próprio tumblr excluiu minha conta, nem sei como foi.
Eita, mó paia.
Muito ó, eu tinha essa conta dês de 2010, eu acho. Eu seguia uma porrada de tumblr massa, e tinha mais de 2 mil seguidores que olhavam as rumações que eu postava.
Mó paia ó. Tu num sabe quem foi que fez?
Só tenho ideias.
Mancho, isso é coisa de quem não gosta de ti.
Tem uma porrada de gente por ai que não vai com a minha cara. Bem normal isso.
Ozinimigo!
Que nada, eu teria que me ter muita importância pra poder acreditar que alguém não gosta de mim ao ponto de perder tempo comigo.
Mais pior que tem, viu, gente assim.
Tem uma porrada de gente que não vai com a minha cara. Umas duas, três pessoas que me odeiam de verdade.
Sério?
Sim. Todo mundo que um dia já me amou, passa a me odiar depois. Eu acho bonito isso ó, o amor que se torna em ódio.
Mancho…


Só pra dizer que dias depois que colei o link aqui do meu tumblr ele foi excluído. Perdi uma pá de blogs legais que eu seguia dês do início de minha conta lá. Mas tá tranquilo, tá favorável, tá suavi. Manda mais que eu tô de boa. E só por isso, criei uma nova conta, onde continuo postando as velhas esquisitices que eu gosto, algumas músicas que escuto, os porn de qualidade, e uns textos também. Quem tiver tumblr e quiser seguir, quem quiser passar tempo vendo esquisitice ou simplesmente quem quiser me excluir, aqui ó.


segunda-feira, 18 de abril de 2016

O POVO.

A tarde começava a terminar, desci a rua em direção da praça, queria ver o movimento, o povo, quem faz besteira se fazendo de besta. Uns companheiros ficaram vendo pela TV. Faz um tempo que deixei de ver TV. Nem tenho mais uma. Desci a rua. Não muito longe vi uma mulher vestida de amarelo levando um cachorro vestido de amarelo. Soltei uma gargalhada. Eu já podia voltar, mas queria me divertir mais. Dobro a esquina e vejo a multidão na praça. Me aproximo, paro e acendo um cigarro. Fico sacando o povo. No microfone um cara gritava que iria sim, ter impeachment, que o povo clama por justiça. Olhei ao redor, e não vi. Vi um bando de gente branca vestida ridiculamente de verde e amarelo. Uma multidão branca, loiros, uns olhos azuis, cabelos lisos, gente bem alimentada, gente rica, o povo rico da cidade num bairro rico da cidade. Fiquei procurando o povo. Mais ali eu só via advogados, juízes, donos de negócios, empresários, dondocas, madames, novinhas ricas, meninos mimados, cachorros tratados melhor que muita gente. O povo. O povo brasileiro. Mais tinha outra gente por ali. Vendendo água, refrigerante, cerveja, comida, bandeira, camisa, milho. Tudo pros ricos comprarem. Tem que vender pra quem tem dinheiro. Vai uma camisa ai, meu patrão? Me passa um cara oferecendo. Faço que não com a cabeça. Na camisa; #SomostodosMoro. E um boneco gigante do juiz no corpo do Superman tava na praça. Do lado, o antigo presidente vestido de presidiário. Tava divertido, e eu queria me divertir mais. Fiquei perambulando entre as pessoas, mudava de lugar a cada cigarro, eu queria ver os vários ângulos da comédia. Sentei perto de uma banca de revistas, meio afastado. Acendi outro cigarro. Fico sentado, olhando o povo, ouvindo o povo. Começam os votos. As pessoas sentam no gramado da praça pra ver. A cada sim, é um grito de vitória. A cada não, uma vaia grande. Uma deputada vota não. Rapariga, feia, mal amada. Grita um cara atrás de mim. Eu gosto quando vejo pessoas dando aquilo que tem pros outros. A noite vai começando. Levanto e começo a andar. Vou caminhando entre as pessoas que assistem a votação pelo telão na praça. Vou me distanciando, voltando pra minha realidade.

domingo, 10 de abril de 2016

UM VAMPIRO NAS TARDES OCIOSAS.

Separado por um tempo
Que escorre de um relógio morto,
Atravesso a tarde de sol negro
Em meus olhos escuros
E Caminho pelo dia
Sem grandes preocupações.

Respiro o ar cinza
Que deforma minhas narinas e pulmões,
Participo das ruínas da cidade:
                                Meu corpo.
Percebo
Prédios, ao meu lado, devagar,
E o asfalto
Que o calor flutua
E precipita em nova estrada.

Observando a adolescência da tarde,
Percebo como sou bruto
Diante das horas,
Dos ponteiros alheios
        Do Tempo,
A ignorar meu cansaço
E meus medos,

Em relação à vida.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

PLAY #5.

Nada como ter álcool, ter um Hulk guardado pra emergência (essa é a hora de usar), muita música e filmes de terror. Os jogos do fim de semana estavam começados. Nada como isso. Somente descobrir repentinamente no começo da noite que suas férias terminaram. O que não tem remédio, remediado está. E se não tem remédio pra tudo nesse mundo, pro que tiver eu vou tomar. Já diria Lourenço Mutarelli. O que sobra é o resto da noite com pouquinho de álcool, muita música, um Hulk e filme de terror. Amanhã a gente vê o que dá pra fazer.