segunda-feira, 30 de novembro de 2015

I´M LOST.



I need a camera to my eye
To my eye, reminding
Which lies I have been hiding
which echoes belong
I've counted out
Days to see how far
I've driven in the dark
with echoes in my heart

Phone my family, tell them I'm lost
on the sidewalk
and, no, it's not OK


I smashed a camera
I wanna know why
To my eye deciding
which lies i have been hiding
Which echoes belong
I'm counting on
a heart I know by heart
to walk me through this war
Memories distort

Phone my family, tell them I'm lost
on the sidewalk
and, no, it's not OK

I've counted out
and no one knows how far
I've driven in the dark
with echoes in my heart

Phone my family, tell them I'm lost
Yeah, I'm lost
and, no, it's not OK

domingo, 29 de novembro de 2015

SOBRE ALGUMAS NOTÍCIAS DO SÁBADO PASSADO.

Vez ou outra alguma pessoa me pergunta se gosto de pornografia. Minha resposta é sempre sim. E gosto de atrizes do meio pornô, sou fã mesmo do trabalho que elas fazem. Algumas pessoas simplesmente não conseguem entender como “um cara como eu” “perde seu tempo” vendo pornografia, ou como sou fã de mulheres que fazem uma única coisa da vida; sexo. Olhos sempre arregalados pra mim sem entender.

Eu gosto de sexo. Gosto de fazer. De ver, pensar. Normal. Como todo mundo. Algumas pessoas parecem não entender isso. Outras não dão tanto importância ao sexo. Eu entendo. Não que seja uma coisa em que eu coloque em primeiro lugar na minha lista de coisas importantes. Algumas pessoas se enganam em relação a isso. Mas tá lá, sim. É importante pra mim, como pra qualquer outra pessoa que se preocupa em manter o corpo e a mente saudáveis.

Sexo não é só saúde. Pra mim é uma forma poderosa de conexão com o outro. Como uma boa conversa. Como um bom encontro. Sexo é o desejo simples de satisfazer o outro, e ter um pouco pra você. Se conetando com ele, de uma forma que pode ser simples, mas que ao mesmo tempo é belamente complexa. Entender o desejo do outro pelo corpo, entender o outro pelo corpo, e tanto dar, como receber dele, para ele. Simples. Fácil. Sexo nada tem a ver com amor. Muitos se enganam a esse respeito os juntando, e complicando as coisas. Amor é um sentimento que nem acredito que nós humanos consigamos atingir na realidade, alguns chegam perto. Outros nem isso. Talvez porque simplesmente nem todos nasceram para poder sentir isso. Mas mesmo assim, o amor que conhecemos, filosoficamente falando, é um sentimento que se constrói com o tempo. Sexo é um simples desejo de querer dividir com outro, sendo este estranho ou não, o prazer. Muitos já sacam isso hoje, e vivem mais felizes. Transam não só quando estão amando, mas também quando simplesmente estão com vontade de gozar. Não é que essas pessoas vulgarizem o ato. Elas só estão “desproblematizando” o ato, e sendo mais livres.

Então, porque eu gosto de atrizes pornôs? Porque elas fizeram do sexo, algo que gostam, seu meio de vida. Tiveram a coragem de fazer isso numa sociedade em que pessoas compram o sexo a todo momento, mas discriminam vorazmente quem faz dele o seu meio de vida. Ora, se você sabe fazer algo bem feito, porque não cobrar por isso? Porque não expor isso em uma indústria e viver disso? Não, não estou falando de prostituição, pense mais. Pornografia é outra coisa, outra indústria.

O problema para pessoas que resolvem viver deste estilo de vida, principalmente para as mulheres, é o preconceito sofrido. Sempre tachadas de putas pela grande maioria ignorante.

Dia desses vi um programa sobre a indústria pornô americana em que uma das atrizes falavam dos riscos do trabalho. O estupro é um deles. Pense, uma mulher, num set de filmagem, em um lugar estranho, com mais 5 caras desconhecidos. A cena combinada vai ser um Gang Bang. Agora, se de repente algum deles resolver fazer algo fora do script, e os outros concordarem, algo como foder violentamente a mulher mesmo ela dizendo que parem, ela simplesmente não pode fazer nada sobre isso, nem muito menos ir a delegacia depois. Afinal de contas não tem como ela provar que foi estuprada, se antes aceitou, foi de vontade, concordou em estar em um lugar estranho com vários homens estranhos para fazer sexo com eles, e ainda mais sendo uma atriz pornô, que já “está acostumada à fazer sexo violento”. Resumindo, ela trabalha com sexo, esse é um dos riscos. Falando de outra forma, ela é uma puta, e putas recebem o que merecem. Simples.


Nesse sábado, Stoya, minha segunda atriz pornô favorita, e segunda mulher mais linda que já vi na vida, fez um comentário em seu twitter dizendo que foi estuprada pelo também ator do meio pornô James Deen. Os dois foram namorados anos atrás. Pelo twitter, Stoya disse que Deen não respeitou sua palavra de segurança quando ela falou Não, e continuou o que fazia, mesmo ela tendo dito Não.


O estupro pra mim é um dos piores crimes que alguém pode cometer com outro ser. É uma das coisas mais baixas que um ser pode fazer com outro. É uma doença. O estuprador, alguém que só sente prazer com o sexo sendo forçado, deveria não ser só visto como criminoso, mas sim também como um criminoso doente que deve ser retirado totalmente da sociedade, e passar por um tratamento psiquiátrico. Não é a cadeia e o trauma de ser também vítima de estupro que vai corrigi-lo, como nosso sistema penitenciário acredita. Enjaulado, o doente fica lá, mas 10, 20 anos que saia depois, vai cometer o mesmo ato. Pelo simples fato de só conseguir prazer total no sexo, o forçando.


Depois do twitte solto, nem Stoya, nem Deen comentaram sobre o assunto. É uma merda o galã tão querido por algumas na indústria, ter feito isso, se o fez mesmo. Uma merda que ainda hoje, alguns caras não consigam ouvir e entender as palavras; “Não”, “Pare” de mulheres quando estão na cama, pelo simples fato de que elas já estão ali, e devem fazer e terminar o que vieram fazer.

sábado, 21 de novembro de 2015

WHY



"HWY - An American Pastoral" foi um filme que Jim Morrison, Frank Lisciandro, Paul Ferrara e Babe Hill fizeram em 1969. No filme experimental, Jim é um andarilho que está no deserto, indo para a cidade, e o telespectador o segue neste caminho. Filme muito válido para pessoas assim como eu, que foram fanáticos por Jim Morrison e sua banda The Doors em algum momento de suas vidas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

DIRTY DREAM #2

Eu estava andando na rua. Fazia sol. Entro em um shopping para fugir. Lá dentro tudo muito claro, muitas pessoas andando. Caminho pelos corredores buscando nada. As lojas. As coisas. Sigo. Mas à frente vejo a mulher vindo, e olhando pra mim. Loira, bonita, com seus 50, talvez 60 anos. Continuo caminhando. Passamos um pelo outro trocando olhares. Sei que ela quer. Fico nervoso. Como sempre sou. Mais à frente olho para trás, ela está parada conversando com um velho. Sei que é seu marido. Ela me olha. Continuo caminhando. Dou uma volta no shopping e quando estou me aproximando de uma das saídas vejo uma amiga vindo de uma das lojas. Nos cumprimentamos. Ela fala que quer passear comigo. Digo que já estou indo embora, e então vejo a mulher loira passar por nós, me olha. Então começo a andar com minha amiga, que diz que quer só entrar em uma loja e já sai para podermos caminhar. Ela entra na loja de roupas e eu sigo a mulher loira. Numa das saídas ela vai, e eu sigo atrás. Do lado de fora tem um pátio grande, e mais ao lado um tipo de lago com água corrente. As pessoas caminham à beira. Sigo a mulher, que em um determinado local, tipo uma esquina, para na sombra, me esperando. Me aproximo. Nos olhamos, sorrimos. Ela diz que gostaria de conversar mais comigo, me conhecer. Eu digo que pode ser. Ela reclama que não tem um lugar próprio pra aquilo. Vejo uma porta próxima, vou até lá, empurro e vejo que é uma sala onde guardam materiais de limpeza. Digo pra ela entrar. Ela entra, depois eu, fechando a porta com minhas costas. Quando olho, a mulher está diferente, desbotada, não consigo vê-la mais com nitidez. Ela diz que me quer, e eu para não perder a viajem, coloco o pau pra fora já duro. É quando noto que estão tentando forçar a porta. Guardo. E me viro pra empurrar. Quando volto. A mulher desapareceu. Fico um tempo andando na sala que agora é bem maior e encontro outra saída. Do lado de fora homens que provavelmente trabalham no shopping me fitam. Saio andando. Vejo a multidão mais à frente. Me aproximo só porque é o meu caminho, um homem vira e fala pra mim que encontraram uma mulher morta no lago. Olho e vejo que é a loira que queria me conhecer. Continuo andando, e saio do shopping. Ainda é dia claro, sinto o sol forte no corpo, o calor. Vou caminhando e próximo a dobrar a rua escuto alguém dizendo para eu parar, mas não paro, fingindo não ouvir. Ouço que a pessoa se aproxima. Ei. Ei. Escuto. Então viro. Um rapaz moreno com roupa de segurança vem vindo. Me olha. Estou com uma sacola na mão que não estava antes. Ele se aproxima e pergunta se sei algo sobre a mulher que se afogou. Digo que não. Ele me olha e depois diz que posso ir embora. Então dá de costas e começa a correr. Continuo andando. Dobro a esquina.

Então acordo.

domingo, 15 de novembro de 2015

CRIANDO MEME.

- Eu tô com umas tatoo só o crime...
-Eita!
-Uma mordida roxinha de cada lado
-Caramba, eu peguei muito pesado hoje
-Mas foi perfeito. Pqp.
-Foi?
-Foi não?
-Foi muito foda
-Foi rs
-Mas eu acho que bati muito, e muito forte em ti
-Achou?
-Sim, devo ter te machucado na hora
-Tu acha que eu finjo que gosto, né?
-Não, mas acho q suporta mais do q gosta pq nota q eu gosto mais ainda haha
-É disso que eu gosto haha

A mão do tapa chega treme

sábado, 14 de novembro de 2015

PRA LÁ DO ALASKA.



Essa semana eu tava conversando com uma seguidora minha no tumblr sobre shows. A garota me falou que só gosta de ir à shows quando conhece bem as músicas de uma banda. É, isso é bem normal. Eu sempre fui pelo caminho inverso, sempre gostei de ir à shows de bandas que eu não conhecia, nunca tinha ouvido, ou então no máximo umas duas músicas. Ontem à noite fui conferir a apresentação do “Far From Alaska”, que já tinham vindo à Fortaleza antes, mas eu não tinha visto, e ainda não conhecia o som da banda. Vim conhecer ontem, enquanto me arrumava pra sair de casa para vê-los. E fazia tempo que eu não gostava de um som de uma banda assim, de primeira.

Eu tô ficando velho. Tô ficando entediado. Ouço bandas por aí, tô sempre procurando um som novo, uma nova paixão, mas acontece que quase nada me bate de primeira, me faz abrir os olhos e dizer; “Porra, som massa”. Ontem, enquanto me arrumava para sair, rolou isso com Far From Alaska.



O Far From Alaska foi fundado em 2012, em Natal. De lá pra cá eles lançaram um Ep “Stereochrone” em 2012, e em 2014 lançaram o disco “modeHuman” lançado pela Deckdisc. E que disquinho massa. Me pegou de primeira e logo na primeira canção. O som deles tem peso, uma banda fazendo rock num país em que poucos estão fazendo isso. A voz de Emmily Barreto é apaixonante, assim como sua figura, e ao vivo a menina, junto com a banda toda tocam com uma energia, uma vontade, um prazer, que dá gosto de ver. Foi bonito ver o Let´s Go Rock Bar ontem pulando e cantando com a banda, que mesmo tocando em um som muito ruim da casa, os vocais foram atrapalhados por isso, ainda assim foi bom de ver a banda sendo acompanhada por um público vibrante.

Também tocaram as bandas cearenses “Sulamericana” e “Rocca Vegas”, e a banda de Espírito Santo “Supercombo”, que me impressionou ter um público tão forte aqui da cidade, cantando suas baladas.

No site do From ForAlaska você pode ouvir o disco da banda. Assim também como no tube. E eu indico dar uma ouvida.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A GUERRA NAS ESTRELAS QUE REALMENTE ME INTERESSA.



Dês de 2011 o Wilco não lançava um disco novo. “The Whole Love” foi um grande disco, inspirado, tenso, bem construído. Dês de então a banda saiu por ai fazendo shows, com projetos paralelos, mas nada de soltar um novo disco. Minha expectativa era grande quando pensava em um novo trabalho da banda, e minha surpresa foi maior ainda quando um belo dia desses vi que eles soltavam então um trabalho novo inteiramente de graça na internet, assim, sem ter avisado nada antes. “O que é mais divertido que uma surpresa?” Dizia Jeff Tweedy, vocalista da banda no Facebook soltando o link do disco novo para ser baixado free. Um sorriso de surpresa e excitação abriu em mim, e eu fui logo colocar o download para ser feito.

Star Wars” chegou de surpresa para os fãs e em um momento bem interessante. Se antes diversas bandas procuravam o caminho de promover seus trabalhos em diversos meios, TV, rádio, revistas, fazendo propagandas, chamando atenção, o Wilco resolveu ir por outro caminho, usando a internet como um forma de chamar as pessoas para seu novo trabalho. No ano em que uma nova “Guerra nas Estrelas” criada originalmente por anos atrás George Lucas vem por aí criando falação no público nerd e em quem gosta de cinema, colocar um disco com o título de “Star Wars” é uma ótima forma de estar sempre nos buscadores da internet. Assim como colocar um lindo gatinho na capa do disco, é uma forma de chamar atenção das pessoas que navegam despercebias no Facebook, por exemplo, lugar de depositar falas desconexas sobre o dia a dia, perto de fotos bonitinhas de bichinhos.

E sabemos que uma boa jogada de marketing é necessária para dar voz a um trabalho, o Wilco, aprendeu bem nestes anos em como fazer seu nome, e foi se tornando uma das bandas mais respeitadas no cenário da música hoje em dia, foi construindo bem seu caminho dês do primeiro “A.M.” até o “Yankee Hotel Fox Trot”, onde conseguiram mostrar realmente ao que vieram para quem ainda tinha alguma dúvida; fazer música. E se é pra fazer música, então façamos, tome aí, música de graça, de surpresa. Música. Pronto. E com boa qualidade.

Star Wars” é sem dúvida um dos discos mais interessantes da banda. O mais curto, bem mais leve que seu antecessor “The Whole Love”, e aqui misturando graciosamente os experimentalismos que são uma das marcas da banda com o ato de ir direto ao ponto, em músicas rápidas, bem compostas, com guitarras e riffs marcantes. Como sempre fizeram dês do princípio.

Abrindo o disco com uma música instrumental o Wilco mostra sua marca registrada, guitarras desconexas criando uma música de abertura desconjuntada. Mas o disco vai seguindo sem essa desconjunção que era tão marcante e procurada pela banda, por exemplo, em músicas como “Via Chicago”. Em “Star Wars” vão seguindo e mostrando boas canções, rápidas, melódicas, sem o peso da melancolia, sem choro, com precisão. “Random Name Generador” é um bom exemplo disso, terceira canção do disco, é uma daquelas onde os riffs marcam e colam nos ouvidos, assim como a melodia.

You Satelite” é aquela onde a guitarra vai criando um ar espacial para você viajar, ir longe, acompanhar os músicos numa canção que vai crescendo aos poucos, até chegar ao seu alto, e depois descer para em seguida você entrar na melódica balada “Taste the Ceiling”, uma canção viajante, calma, muito bela. O Wilco sempre foi uma banda que se garantiu em mandar ótimas baladas. “Magnetize” fecha o disco, com teclados com efeitos sintetizados, trazendo uma onda meio Beatles para encerrar essa viajem.

Star Wars” é o nono trabalho de estúdio da banda, que chegou de surpresa para os fãs, e que vai pegando os fãs assim, de surpresa, se supetão, e vai pegando aos poucos. É um disco rápido, com pouco mais de 30 minutos de duração, com ótimas canções. Talvez não seja o disco indicado para alguém que nunca ouviu a banda começar por ele, mas definitivamente para quem já é fã, vem como aquele trabalho bem feito, com a marca registrada de boa qualidade que o Wilco sempre veio mostrando dês do primeiro lançamento.

O Wilco soltou por tempo limitado o disco em seu site para download, mas ele já pode ser ouvido de graça no tube, tanto a versão de estúdio, como ao vivo. Nos shows a banda tem tocado o disco na íntegra dês que soltaram na internet o trabalho.



Aqui uma bela apresentação acústica que fizeram à uns dois meses atrás na KEXP.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O JOVEM TATARAVÔ



"O Jovem Tataravô", que foi dirigido por Luiz de Barros em 1936, conta a história de Victor Eulálio, um morto que volta a este plano por um de seus descendentes após um tipo de "mesa espírita". A comédia de Luiz de Barros tanto trouxe a inovação de filmagens de cenas externas com som direto, quanto é o primeiro filme brasileiro com coisas do sobrenatural, elementos do cinema de terror/horror.

domingo, 8 de novembro de 2015

O CROCODILO.


O músico Arrigo Barnabé esteve ontem no forte Fortaleza junto com o pianista Paulo Braga no projeto Piano em Cena que tá acontecendo no BNB, trazendo o show “Clara Crocodilo: Uma Suíte à Quatro Mãos”, onde os dois pianistas tocavam músicas do Clássico disco de estreia de arrigo “Clara Crocodilo” sem banda, só nos teclados. Foi bom ver o clássico de Arrigo lançado nos anos 80 tocado nos teclados, misturados com algumas improvisações. “Clara Crocodilo” foi visto como grande novidade depois do Tropicalismo, e se mantém como um dos discos mais importantes, loucos e inventivos da música brasileira até hoje.


terça-feira, 3 de novembro de 2015

DIRTY DREAM.

Estou procurando uma parada de ônibus, passo por uma praça e avisto que do outro lado da rua tem uma. Estou em um bairro que não conheço. Vejo que vem ônibus na pista, mas nenhum parece ser pra mim. Me apresso pra chegar na parada e alguns ônibus vão passando por mim, nenhum serve. Na parada, algumas pessoas esperam também. Um ônibus preto para, abre a porta e umas 4 mulheres descem. Dizem que são do Bonde das Popozudas. Elas ficam andando entre nós e puxando conversa, falando de funk, perguntando se queremos autógrafos, tirar fotos. Mas ninguém parece conhecer nenhuma das mulheres, ninguém parece conhecer o bonde. Olho pra morena mais bonita, um corpo lindo, e penso em jogar uma conversa pra ver se rola algo. Fico pensando que queria mesmo era a Valesca. Aquele rabo. Digo pra moça morena que conheço o bonde, gosto das músicas. Ela sorri pra mim alegre e vem pra perto. Conversamos um pouco. “Você gosta mesmo de funk?” Ela me pergunta. “Sim, gosto. Acho que as letras de vocês são incríveis, libertadoras, o que não curto mesmo é a cadência, o ritmo do funk, que acho meio limitado, mas as letras, acho geniais, cadê a Valesca, tá com vocês ai?” Pergunto. Ela me sorri, conversamos mais um pouco. Noto que um senhor me observa. Olho pra ele, e quando a moça morena se afasta eu pergunto ao senhor; “Qual ônibus aqui eu pego que passe na Bezerra?” “Na Bezerra?!” Ele devolve. “Sim, ou no terminal do Antônio Bezerra”. Falo. “Olha, não sei não, viu”. Ele diz. Volto a olhar a pista, ônibus passam e nenhum parece servir pra mim. Estou em uma parte da cidade desconhecida, fico pensando que vou ter que voltar pra casa a pé, mas estou sem vontade alguma de caminhar. Um ônibus para e muita gente que está na parada sobe. Fico esperando por algum que eu possa pegar. 

Então acordo.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

02/11/2015

Vejo vindo uma garota bem branca de cabelos bem pretos. Ela vem tão dentro de si, tão repleta de si que esquece que está na rua e vem andando com o dedo no nariz, cutucando, tirando a meleca. Acho lindo a menina bem branca de cabelos bem pretos tirando meleca do nariz. Quando nos aproximamos, e somente porque já sei, finjo, dentro de meu óculo escuro, não ver. Ela nota que alguém vem no mesmo caminho que o seu e tira rapidamente o dedo do nariz, envergonhada, saindo de si. Olha pra mim, que não estou olhando pra ela, e envergonhada de andar na rua tirando meleca do nariz, baixa a cabeça. Sinto vontade de parar em frente a ela e dizer que não precisa se envergonhar por nada. Que aquilo, como diversas outras coisas na vida, é algo natural, que é isso uma das coisas que nos torna humanos, e que não temos que nos envergonhar disso. Que vivemos em um mundo que quer nos criar em uma moldura, em um verniz em que as pessoas querem que tenhamos vergonha de ser quem somos, e que nos envergonhemos de coisas simples e normais, como tirar meleca do nariz, suar, cagar, mijar, transar, desejar algo ou alguém. Que vivemos em um mundo em que as pessoas querem que nos sintamos envergonhados por ser quem somos. Mas que este mundo, é que está errado, e não nós que nascemos e pegamos a contramão. Senti vontade de dizer a ela, que vez ou outra, entra alguém novo na minha vida. Que eu deixo que poucas pessoas entrem, porque sim, eu sou estranho. E vez ou outra eu me pego com alguma pessoa dizendo que queria fazer tal coisa, ou quis me dizer tal coisa, mas que sentiu medo de eu não gostar, de eu achar aquilo “feio”. Mas o que essa pessoa ainda não descobriu é que perto de mim ela pode ser quem ela é, o tempo inteiro, falar o que quer falar, fazer o que quer fazer. Eu só dou aos outros o que quero pra mim. Liberdade. Senti vontade de parar a menina e falar isso pra ela, mas não o fiz, porque eu sabia. Senti vontade de falar pra menina bem branca com cabelos bem pretos que ver ela tirando meleca do nariz foi a coisa mais bonita que vi hoje.