quinta-feira, 17 de setembro de 2015

17/09/15

Aos poucos as coisas vão melhorando. Vão tomando seu lugar, algum lugar elas tem que tomar. É só você se afastar de quem/daquilo que te faz mal. Se for possível afastar, afasta-te, e as nuvens melhoram. Com o tempo, algumas coisas ficam mais claras. Por que o tempo é o único remédio que realmente se pode tomar. Esperar que tudo finde, para continuar. Por que o tempo destrói tudo. E leva uma parte. Mas nunca tudo. Mas é necessário que fique algo, para aprender algo, mesmo que seja pouco, mesmo que seja quase nada. É só afastar do mal, retirar o mal do corpo como se o mal fosse aquele demônio que vem para o corpo procurando moradia, um espírito zombeteiro que veio ficar por perto. Nesse mundo existem muitos espíritos zombeteiros se achando boa gente. Mas tem o tempo. E olhar para mim hoje é me ver diferente daquele sujeito que a uma semana atrás segurava a arma que comprou escondido, na boca, pronto para explodir. Olhar para mim hoje é olhar para um outro no espelho. A esperança é uma doença, tão forte quanto a vida porque faz continuar a vida. E a vida é uma doença. Talvez a doença mais estranha de todas, aquela que busca a todas as formas continuar, por uma mínima razão possível. E sempre buscamos essa razão. É necessário melhorar, ficar bom das doenças. “Ah, se estás bom, se estás melhor é porque estás apaixonado.” Me diz o chato. Não, quem busca na paixão algum conforto, alguma razão para continuar é o mais perdido de todos, o mais fraco, o mais idiota. E o mundo já está repleto de idiotas. Mas tem que procurar melhorar. E para melhorar você tem alguns caminhos. Usar as drogas da farmácia, ou as drogas do traficante, ou fazer exercícios. Eu? Eu estou tomando tudo isso. Estou tomando as drogas que compro na farmácia, as drogas que gosto e compro dos traficantes e estou fazendo exercícios. Todos os dias saio correndo pelas ruas com alguma música nos ouvidos para não pensar na coisa estúpida que é sair correndo pelas ruas sem motivos para correr, sem estar fugindo de alguém ou indo para algum lugar. E as vezes quando volto pra casa estou feliz e as vezes me sinto o mesmo. Mas os músculos cansados me ajudam a dormir melhor. É preciso se purificar. Você para de beber, volta a fumar, para dar um centro, dar um equilíbrio. E aos poucos, algumas coisas vão melhorando dentro de você. “Mas o que eu faço com os resquícios?” me pergunta o chato. Ah, os resquícios ficam, sempre, faz parte, não dá para ser diferente. E as coisas vão melhorando para depois piorar. Viver é sentir sofrimento constante. Não foi para ser feliz que as pessoas nasceram. Nascemos apenas para morrer. Só isso. A vida é isso que acontece neste meio tempo. Só.



quarta-feira, 9 de setembro de 2015

LIVRO.

Escrevo dês dos 10 anos de idade, escrever se tornou um hábito bem mais que uma necessidade. Vez por outra leio ou vejo entrevistas de escritores por aí, famosos ou não, que dizem ter a necessidade de escrever, que se sentem doentes quando não conseguem escrever, mortos. Não é o meu caso. Escrevo porque gosto, porque criei um hábito, porque às vezes sinto que tenho algo para dizer e sinto essa sensação estranha de querer compartilhar com os outros, até com quem não conheço, o que penso através da escrita. Então a uns 5 anos atrás eu passei por um processo onde eu não conseguia escrever nada, mal meu nome em uma folha de papel. Como escrever tinha se tornado um hábito, eu senti esse processo de uma maneira muito estranha dentro de mim. Resolvi sentar então e pegar os poemas que tinha escrito nos últimos tempos e trabalhar neles. Fui lendo e relendo poemas que tinha escrito e vi que aquilo poderia se tornar uma unidade. Foi então que surgiu “Quatro Paredes”, um livro de poemas.


Escolhidos os poemas que entraria neste livro eu pensei que o trabalho estivesse pronto e deixei na gaveta, arquivado no computador. 5 anos foram passando e eu nem tinha ideia se procuraria enviar esse livro para alguma editora, até ano passado, que me veio essa vontade, de ver o livro impresso, como algo palpável, algo que eu pudesse colocar na estante junto com os outros livros de outros escritores que leio. Bom, o arquivo enviado está realmente tornando-se um livro. Recebi a um tempinho atrás a capa que ficou pronta, e compartilho agora aqui com vocês que ainda passam por este humilde, porém limpinho blog, que gastam seu precioso tempo para ler algumas palavras que escrevo. O trabalho editorial e gráfico que o Daniel Valentim fez foi algo muito bonito, a capa tá muito linda e eu tô ficando muito feliz com o resultado. Ainda estamos em processo, mas ao que tudo indica o livro ficará pronto ainda esse ano, vai sair pela editora Bartlebee, e claro, posto aqui o link para quem quiser adquirir e me guardar em sua estante de livros juntos com outros escritores.


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

07/09/15


Ter um pouco de noção quando se vai falar de algo é uma coisa interessante. Saber de si primeiro para depois atacar o outro. Não que tenhamos que pensar em tudo que dizemos e fazemos o tempo todo, balancear antes se está errado ou incrivelmente certo. Muita coisa sai por sair mesmo, e é bom que seja assim. Não é necessário ser consciente de tudo o tempo todo.  Mas respeitar os que vieram antes de ti é algo importante, é algo que pode ser até sábio. Saber da própria pequenez antes de apontar a derrocada do outro também é extremamente importante.

É natural da juventude querer desmerecer os mais velhos, os que vieram antes, os que fizeram algo, mesmo que pequeno, mas antes. É natural da própria juventude essa negação daquele que é o antes. É natural porque a juventude acredita na força, em alguma força, acredita que tem alguma força. Acredita-se que juventude é força, enquanto velhice é só cansaço. Acredita-se que o novo sempre vem, e por vir, existe então essa vontade de negar o antes, o herói já velho. E por estar velho está derrotado, destruído. É a pura arrogância dos novos. É a pura arrogância da juventude. Mas ser jovem é ser arrogante. Crer que se é indestrutível, forte. Quando na verdade não é isso mesmo por completo. Estão todos perdidos no final das contas. No final das contas não existe algo novo ou velho. Tudo são continuações.

Existe essa arrogância de querer matar aquele que veio antes de ti. Matá-lo antes do tempo previsto. Querer matar quem se veio antes pra provar que você agora é quem tem força. Mas talvez seja bom e necessário enxergar que aquele que veio antes de ti, aquele que ainda está ai construindo algo, ou vivendo daquilo que construiu, mas ainda está, é mais forte ou tão forte quanto tu que só está começando. Enquanto você ainda está engatinhando a curtas passadas. Ele já construiu um caminho. Tu, talvez nem tenha começado. Mas ainda nem sabe disso.