terça-feira, 21 de julho de 2015

MEU VENTRE OBSCURO


[parto do poema]

nasci no limite da morte
nem dia nem noite
sob o signo do caos
a sina desconhecida
como a profundidade
do abismo
no rio escuro de mim
ancestral
a constituir-me em curvaturas
água peixe corpo dejeto
animal
vim à luz em lágrimas
em mistérios coberto & cheio de sangue
nasci hediondo
como todos os homens

Aline Guarato.
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Aline Guarato é uma das minhas musas na internet e na literatura brasileira. Fotógrafa, poeta, sempre me proporciona minutos maravilhosos de boas conversas online, é das poucas pessoas com quem gosto de conversar e gostaria que vivesse aqui pertinho pros papos não serem só virtuais. Sempre solta as melhores selfies que tenho o privilégio de curtir e uns poemas muito lindos pela rede. “Poema de Ventre Obscuro” foi realmente a coisa mais foda, linda e forte que li em muito tempo, apaixonei de imediato, copiei na linha da rede azul e agora trouxe pra cá. Esse assombro que a senhorita Guarato tem pelo corpo, pela vida, é muito similar ao assombro que eu tenho por sua poesia, sempre é um mistério, e um mistério lindo de ler, e só tentar desvendar, porque eu mesmo gosto de deixar como mistério para ficar relendo sempre.