terça-feira, 24 de março de 2015

O PASSADO NÃO EXISTE.


Se eu fosse criar uma lista dos nomes que estão fazendo algo de realmente bom no folk gringo atual, o nome de Sufjan Stevens estaria na lista. O multi-instrumentista nascido em Detroit começou sua carreia de lançamentos em 2000, se não me engano, com o disco “A Sun Came”, disquinho muito bom, onde Stevens entre canções muito bem compostas e outras propositalmente toscas já mostrava ao que vinha no mundo da música. Com seu mais recente lançamento, o lindo “Carrie & Lowell”, Stevens mostrou que o caminho é dele, o espaço é dele, ele fez o disco do momento, e que deve ser ouvido.



Carrie & Lowell” é uma homenagem a sua mãe falecida em 2012, e seu padrasto, que estão na capa do disco, o título parece ter vindo da junção dos nomes deles dois. Em 11 incrivelmente belas canções no melhor estilo folk; voz, violão, banjo, piano. Somente com instrumentos leves, Stevens manda canções inspiradíssimas com as mais belas letras que eu ouvi nos últimos tempos. Canções bonitas, melancólicas, tensas e leves, tudo junto em um disco feito para ser ouvido como costumávamos ouvir antigamente, deitado em uma cama, olhando para o teto, sentindo tudo o que nos é enviado pela música, fones de ouvidos plugados e aquela sensação de esquecimento do mundo ao redor em cada música que é tocada.


Stevens chegou a falar que este é um disco sobre “vida e morte, amor e perda, e a luta do artista para dar sentido a beleza e a feiura do amor”. Dentro disso Sufjan parece criar uma colcha de retalhos fazendo um caminho inverso ao habitual, indo buscar na memória, nas recordações, a inspiração para cantar, para compor as músicas deste álbum. Ele busca no passado, nas recordações, para construir belas letras, como se revisitando o passado, ele pudesse encontrar algumas respostas, se entender melhor para poder seguir, mesmo que na mais linda canção do disco, um misto de pessimismo com o puro realismo e a leveza de algo lindo, ele cante “Eu deveria ter te conhecido melhor, nada pode ser mudado, o passado continua no passado, uma ponte para o nada”. E continue cantando frases como “Nada pode ser mudado”, “Não existe razão para viver”, mesmo que com isso Stevens termina a música com leveza e beleza. “Should Have Known Better” definitivamente é a canção com letra mais linda que ouvi recentemente, e a que mais me identifiquei recentemente.

Em "Death With Dignity" canção que abre o disco, Stevens canta “Espírito do meu silêncio eu posso te ouvir, mas tenho medo de estar próximo de você”. E termina a canção cantando, “Mãe, eu te perdoou, e eu quero estar próximo de você. Toda estrada leva a um fim”.

Amor e morte parecem estar sempre juntos nessas canções.




O disco que ainda está com data de lançamento para dia 31 deste mês pelo selo do cantor, já caiu na net, e minha dica é que você o ouça. Com “Carrie & Lowell” Sufjan Stevens realmente vem mostrar que é um dos músicos americanos com um disco mais inspirado da atualidade, e eu não me assustaria se ao final deste 2015 “Carrie & Lowell” estiver em diversas listas de melhores do ano.