quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

CONSTANTINE.



Comecei a assistir Constantine sentindo que era um dos seriados mais incompreendidos que estava acompanhando no momento. Comparações estranhas, pessoas desacreditando a série dês do princípio. Parece que isso foi mudando um pouco ao fim de sua temporada inicial, mas não muito.

Alguns dos primeiros comentários que eu li quando o trailer foi lançado é que a série parecia e seria uma cópia de Sobrenatural. Eu que leio os quadrinhos de Hellblazer há muito tempo, e acompanhei Sobrenatural até a quarta temporada, sempre senti que a série dos irmãos Winchester era que chupavam das Hqs de Constantine, existiam momentos em que era quase visível as influências. Mas como quem chega à TV primeiro ganha, essas comparações aconteceram mesmo, e continuaram, mudando um pouco no meio da temporada dizendo, “É, não ta tão parecido com Sobrenatural”.

Outros comentários iniciais eram sobre quem viveria John nas telas da TV. Fãs do filme que foi para o cinema em 2005 falavam coisas como “poderiam ao menos colocar Keanu Reeves para fazer o personagem outra vez”. Constatine parecia que iria trilhar um caminho árduo para ganhar um público.



O episódio piloto foi vazado meses antes da estréia e chegou a impressionar os fãs dos quadrinhos e também quem nunca leu. Meses depois veio a estréia, e o piloto tinha tido seu fim mudado mostrando um novo caminho para a série. Mas se o primeiro episódio era muito bom, os dois que seguiram foram quase desastrosos, tanto em questão de história, quanto em questão de produção. “The Darkness Beneath” tem cenas e cenários tão toscos que desanimam. A série só foi pegar um novo fôlego com o quarto episódio “A Fest of Friends” história adaptada das duas primeiras edições de Hellblazer. O tom sério e sombrio, um John Constantine sacana como o original surgia e então parecia que o seriado ali iria desengrenar. Mas ao final da temporada, a sensação era que o seriado tinha momentos bons seguidos de momentos ruins, sempre assim, até o fim. E é interessante que os dois momentos fortes da série são justos os adaptados dos originais, “Waiting For The Man”, o episódio final foi uma bela adaptação a sua história original, com direito a uma pequena e boa homenagem a Jamie Delano, roteirista inicial de John em suas histórias solo.



Constantine série, como falei, é baseada na Hq Hellblazer. Lá nós temos um cara comum, vigarista, que usa a magia, a mágica, o ilusionismo para ganhar das situações que surgem em sua vida, sempre usando uma grande inteligência e quem estiver ao seu redor, amigo ou não para sair das situações. John Constatine é a imagem do cara que não liga pra nada nem ninguém que não seja ele mesmo em quase todo o tempo, as Hqs tem histórias sombrias, tensas e mostram um cara incrivelmente solitário vivendo em uma Londres caindo aos pedaços, tentando viver como pode, fazendo acordos com demônios e usando o oculto pra poder sobreviver.


Na TV isso não foi tão buscado. Assim como a adaptação cinematográfica, as histórias de Constantine se passam nos Estados Unidos. Quem deu forma na TV ao personagem foi o ator Matt Ryan, que se por um lado ficou idêntico na caracterização, por outro mostrou por muitos momentos um John engraçadinho, longe do sombrio Constantine das Hqs. Suas interpretações foram melhorando muito com os episódios que iam chegando, passando de uma "canastrice" visível a um personagem que ia sendo montado e aprofundado com o tempo.


Pra mim, a falta dessa solidão, a falta desse lado sombrio e triste, fizeram mais falta do que um cigarro fumado atrás do outro, uma das características do personagem original, que na TV aberta não podia ser mostrado. E isso sempre foi bem burlado pelos diretores e produtores, Constantine sempre aparece segurando um cigarro, ou o apagando, e nos últimos episódios apareceu fumando bem mais.



O canal que comprou o seriado foi a NBC, e inicialmente a série teria 22 episódios, mas no meio do caminho o canal resolveu que só seriam apresentados 13, deixando a série com uma season finale sem cara de season finale. E o futuro da série ainda continua incerta. No meio da temporada boatos de que por causa da baixa audiência o seriado não ganharia uma renovação, os atores e produtores começaram uma campanha na internet pedindo atenção da NBC para uma segunda temporada e a hashtag #SaveConstantine foi ganhando os twitters e Facebooks. Ainda assim Constatine não surgiu na lista recente dos seriados renovados pelo canal. Pros fãs da série e do personagem fica a esperança que a NBC a renove, ou o seriado seja comprado por algum canal pago, onde lá, poderia ser desenvolvido de uma forma melhor e com episódios mais pesados.



Infelizmente não acredito que isso vá acontecer de nenhum dos lados, o que é uma pena, John Constantine é um personagem incrível, que sendo bem construído e com boas histórias escritas para a TV teria tudo para ganhar um grande público. Infelizmente suas barganhas com o oculto parecem não o levar muito a frente, deixando nós fãs sempre com um gostinho amargo na boca.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

SARAU DAS CINZAS.

A Flipobre foi um sucesso. Falei disso aqui no blog, participei como pude e foi muito bom ver um dia inteiro dedicado a literatura  sem frescuras na internet. E então tendo sido um sucesso, deu fruto, um sarau. O Primeiro Sarau da Flipobre acontecerá logo após o carnaval, na quarta-feira de cinzas. As leituras de poemas, contos e trechos de romances acontecerão a partir das 7 da noite, horário de Brasília. Abaixo os escritores que irão participar do evento idealizado pelo escritor Diego Moraes e que terá o também escritor Roberto Menezes cuidando da parte técnica:

Nina Rizzi, Júlia Hansen, Eduardo Lacerda, Fernanda D´Umbra, Regina Azevedo, Adriane Garcia, Caco Ishak, Jorge Rocha, Tadeu Sarmento, Bruno Brum, Eduardo Vinha, Fabiano Calixto, Pedro Tostes, Robisson Albuquerque, Erre Amaral, Diego Moraes, Manoel Herzog, Betzaida Mata, Ricardo Pozzo, Roberto Menezes, André Timm, Felipe Bustamante, Claudio Castoriadis. Norma de Souza Lopes, Giovana Damasceno, Bruno Ribeiro, Fred Girauta, Emerson César, Dori Carvalho, André Rocha.


Então quando for na quarta-feira de cinzas, quem estiver em casa curando a ressaca das comédias do carnaval e se liga em sarau, literatura, quiser ouvir uns poemas e contos de escritores um pouco mais desconhecidos do grande público, mas que estão fazendo seus trabalhos por ai, se conecta ao canal da Flipobre no youtube e fica ligado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O HOMEM QUE RI.

A uns 5 anos atrás eu vivi no centro de uma cidade grande dos Estados Unidos. Eu sempre fui uma pessoa notívaga, então eu me pegava me sentindo entediado depois que meu companheiro de quarto, que definitivamente não era uma pessoa da noite, ia dormir. Para passar o tempo, eu costumava ir a longas caminhadas pra passar o tempo e pensar.

Eu passei 4 anos desse jeito, andando sozinho a noite, e nunca tive um motivo para sentir medo. Eu sempre costumava brincar com meu colega de quarto que até os traficantes da cidade eram educados. Mas tudo aquilo mudou em minutos em uma noite.

Era uma quarta-feira, algo entre uma e duas horas da madrugada, e eu estava caminhando perto de um quieto parque policial perto do meu apartamento. Era uma noite quieta, até para uma noite no meio da semana, com muito pouco tráfico e quase nenhum outro andarilho nas ruas. O parque, como na maioria das noites, estava completamente vazio.

Eu peguei uma rua lateral pronto para voltar para meu apartamento quando eu o notei.  No fim da rua em que eu andava, estava a silhueta de um homem, dançando. Era uma dança estranha, similar a uma valsa, mas ele terminava cada passo de uma maneira muito estranha. Eu acho que poderia dizer que ele estava andando e dançando, e vindo em minha direção.

Eu achava que provavelmente ele estava bêbado, então eu me movi o máximo que eu pude para a pista para dá-lo a melhor maneira de passar por mim. O mais perto que ele chegava, mais eu percebia a forma cheia de graça em que ele se movia. Ele era muito alto e esguio, e usava um terno velho.  Ele se moveu dançando para mais perto até eu poder ver seu rosto. Seus olhos estavam abertos de uma maneira selvagem, sua cabeça inclinada ligeiramente para trás, olhando para o céu. Sua boca formava um tipo de sorriso selvagem e doloroso. Assistindo isso eu decidi atravessar a rua antes que ele chegasse dançando mais perto.

Eu não olhei para ele enquanto atravessava a rua vazia. Quando eu cheguei ao outro lado, eu olhei para trás... E parei imediatamente meus passos. Ele tinha parado de dançar e estava parado com apenas um dos pés na calçada, perfeitamente paralelo a mim.  Ele estava virado pra mim, mas ainda olhando para o céu. Um sorriso selvagem em seus lábios.

Eu estava completamente nervoso com aquilo. Então comecei a andar de novo, mas mantendo aquele homem no meu campo de visão. Ele não se moveu. Quando eu já tinha caminhado quase um quarteirão entre nós, eu me virei por um momento para ver a rua ao meu redor.  A rua estava completamente vazia. Ainda nervoso, eu olhei para onde ele tinha ficado parado e o homem tinha sumido. Por alguns momentos breves eu me senti aliviado, até eu notá-lo novamente. Ele tinha atravessado a rua e estava agora um pouco agachado. Por causa da distancia e das sombras eu não poderia falar com certeza, mas eu estava quase certo que ele estava me encarando. Eu não tinha me afastado dele por não mais que 10 segundos, então eu tinha certeza que ele tinha se movido muito rápido.

Eu fiquei tão perturbado com aquilo que eu fiquei ali parado por algum tempo, olhando pra ele. E então ele começou a se mover em minha direção outra vez. Ele tomava passos exageradamente largos, como se ele fosse um personagem de desenho animado pronto a aprontar alguma com alguém. Exceto que ele se movia muito, muito devagar.

Eu gostaria poder falar que neste ponto da história eu corri ou peguei meu spray de pimenta ou meu celular ou qualquer outra coisa, mas eu não fiz nada disso. Eu só fiquei ali, completamente parado enquanto o homem sorridente chegava perto de mim.

E então ele parou de novo, a distancia de um carro de mim. Continuava com seu sorriso, continuava olhando o céu.

Quando eu finalmente consegui falar, eu vomitei a primeira coisa que me veio à cabeça. O que eu queria falar ela; “O que você quer?!” em um tom de voz cheio de raiva. O que saiu foi um “O queeee...?” quase como um choro.

Mesmo que seres humanos não consigam sentir cheiro de medo, eles certamente conseguem ouvi-lo. Eu consegui ouvir em minha própria voz, e aquilo só conseguiu me deixar com mais medo. Mas ele não reagiu. Ele só ficou ali, sorrindo.

E então, depois de um tempo que pareceu uma eternidade, ele se virou, muito devagar, e começou a andar dançando de novo. Só isso. E não querendo dar as costas pra ele de novo, eu só o assisti ir, até ele estar longe o suficiente, quase longe de vista. E então eu notei algo. Ele não estava mais indo embora. Eu assisti com horror a distancia entre ele e eu ficando cada vez menor. Ele estava voltando para perto de mim. E dessa vez ele vinha correndo.

Eu corri também. Eu corri até eu não estar mais na rua lateral, até eu estar em uma rua com melhor iluminação e mais tráfico na pista. Olhei ao meu redor e ele não estava em nenhum lugar que eu pudesse ver. O resto do caminho para casa, eu continuei olhando para trás, sempre esperando para ver aquele homem e seu sorriso estúpido, mas não tinha mais nada.

Eu morei naquela cidade por mais 6 meses depois daquela noite, e nunca mais sai a noite para outra caminhada. Tinha algo sobre o rosto daquele homem que sempre me assustou. Ele não parecia bêbado, ele não parecia drogado. Ele parecia completamente louco. E isso é algo muito, muito assustador de ver.
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Li esse conto intitulado “The Smilling Manaqui, não sei quem é o autor, na página quem assina é alguém chamado blue_tidal. Gostei da história e resolvi traduzir para por aqui no blog. Não sei se o conto é autoral ou uma história recontada, mas ao que tudo indica é de certa forma famosa nos Estados Unidos, no youtube você pode encontrar 3 curtas que à adaptaram. Eu fico com o “The Smiling Man” de Michael Evans.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

NO FUNDO DO BOLSO.

Quatro homens sentados lado a lado. Expressões mais ou menos sugestivas, mãos repousando sobre as pernas. Aguardavam o que? o clique da foto, a consulta no posto de saúde, ou o indelével encontro na noite? Nem eles sabiam. Estavam ali sentados como quem se extravia de certo fio que redime e falha dos acontecimentos. Acham-se ali como a parede cinza, o tapete em frangalhos... E a tarde que se esqueceu de passar. Coagulada, feito a foto que amasso no fundo do meu bolso.

João Gilberto Noll - Mínimos, Múltiplos, Comuns.