domingo, 20 de dezembro de 2015

WYE OAK LIVE.



Amanheci ao som de Wye Oak. Essa apresentação que a dupla de Maryland, Jenn Wasner e Andy Stack fizeram em 2014, parece que foi pouquinho antes do mais recente da banda "Shriek". Wasner percebeu que pro tipo de som que eles queriam pra esse disco, que era uma melhor baixista do que guitarrista, e a loirinha criou umas boas linhas de baixo junto com umas boas melodias . Ao vivo eles nem ficam devendo tanto.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

I´M LOST.



I need a camera to my eye
To my eye, reminding
Which lies I have been hiding
which echoes belong
I've counted out
Days to see how far
I've driven in the dark
with echoes in my heart

Phone my family, tell them I'm lost
on the sidewalk
and, no, it's not OK


I smashed a camera
I wanna know why
To my eye deciding
which lies i have been hiding
Which echoes belong
I'm counting on
a heart I know by heart
to walk me through this war
Memories distort

Phone my family, tell them I'm lost
on the sidewalk
and, no, it's not OK

I've counted out
and no one knows how far
I've driven in the dark
with echoes in my heart

Phone my family, tell them I'm lost
Yeah, I'm lost
and, no, it's not OK

domingo, 29 de novembro de 2015

SOBRE ALGUMAS NOTÍCIAS DO SÁBADO PASSADO.

Vez ou outra alguma pessoa me pergunta se gosto de pornografia. Minha resposta é sempre sim. E gosto de atrizes do meio pornô, sou fã mesmo do trabalho que elas fazem. Algumas pessoas simplesmente não conseguem entender como “um cara como eu” “perde seu tempo” vendo pornografia, ou como sou fã de mulheres que fazem uma única coisa da vida; sexo. Olhos sempre arregalados pra mim sem entender.

Eu gosto de sexo. Gosto de fazer. De ver, pensar. Normal. Como todo mundo. Algumas pessoas parecem não entender isso. Outras não dão tanto importância ao sexo. Eu entendo. Não que seja uma coisa em que eu coloque em primeiro lugar na minha lista de coisas importantes. Algumas pessoas se enganam em relação a isso. Mas tá lá, sim. É importante pra mim, como pra qualquer outra pessoa que se preocupa em manter o corpo e a mente saudáveis.

Sexo não é só saúde. Pra mim é uma forma poderosa de conexão com o outro. Como uma boa conversa. Como um bom encontro. Sexo é o desejo simples de satisfazer o outro, e ter um pouco pra você. Se conetando com ele, de uma forma que pode ser simples, mas que ao mesmo tempo é belamente complexa. Entender o desejo do outro pelo corpo, entender o outro pelo corpo, e tanto dar, como receber dele, para ele. Simples. Fácil. Sexo nada tem a ver com amor. Muitos se enganam a esse respeito os juntando, e complicando as coisas. Amor é um sentimento que nem acredito que nós humanos consigamos atingir na realidade, alguns chegam perto. Outros nem isso. Talvez porque simplesmente nem todos nasceram para poder sentir isso. Mas mesmo assim, o amor que conhecemos, filosoficamente falando, é um sentimento que se constrói com o tempo. Sexo é um simples desejo de querer dividir com outro, sendo este estranho ou não, o prazer. Muitos já sacam isso hoje, e vivem mais felizes. Transam não só quando estão amando, mas também quando simplesmente estão com vontade de gozar. Não é que essas pessoas vulgarizem o ato. Elas só estão “desproblematizando” o ato, e sendo mais livres.

Então, porque eu gosto de atrizes pornôs? Porque elas fizeram do sexo, algo que gostam, seu meio de vida. Tiveram a coragem de fazer isso numa sociedade em que pessoas compram o sexo a todo momento, mas discriminam vorazmente quem faz dele o seu meio de vida. Ora, se você sabe fazer algo bem feito, porque não cobrar por isso? Porque não expor isso em uma indústria e viver disso? Não, não estou falando de prostituição, pense mais. Pornografia é outra coisa, outra indústria.

O problema para pessoas que resolvem viver deste estilo de vida, principalmente para as mulheres, é o preconceito sofrido. Sempre tachadas de putas pela grande maioria ignorante.

Dia desses vi um programa sobre a indústria pornô americana em que uma das atrizes falavam dos riscos do trabalho. O estupro é um deles. Pense, uma mulher, num set de filmagem, em um lugar estranho, com mais 5 caras desconhecidos. A cena combinada vai ser um Gang Bang. Agora, se de repente algum deles resolver fazer algo fora do script, e os outros concordarem, algo como foder violentamente a mulher mesmo ela dizendo que parem, ela simplesmente não pode fazer nada sobre isso, nem muito menos ir a delegacia depois. Afinal de contas não tem como ela provar que foi estuprada, se antes aceitou, foi de vontade, concordou em estar em um lugar estranho com vários homens estranhos para fazer sexo com eles, e ainda mais sendo uma atriz pornô, que já “está acostumada à fazer sexo violento”. Resumindo, ela trabalha com sexo, esse é um dos riscos. Falando de outra forma, ela é uma puta, e putas recebem o que merecem. Simples.


Nesse sábado, Stoya, minha segunda atriz pornô favorita, e segunda mulher mais linda que já vi na vida, fez um comentário em seu twitter dizendo que foi estuprada pelo também ator do meio pornô James Deen. Os dois foram namorados anos atrás. Pelo twitter, Stoya disse que Deen não respeitou sua palavra de segurança quando ela falou Não, e continuou o que fazia, mesmo ela tendo dito Não.


O estupro pra mim é um dos piores crimes que alguém pode cometer com outro ser. É uma das coisas mais baixas que um ser pode fazer com outro. É uma doença. O estuprador, alguém que só sente prazer com o sexo sendo forçado, deveria não ser só visto como criminoso, mas sim também como um criminoso doente que deve ser retirado totalmente da sociedade, e passar por um tratamento psiquiátrico. Não é a cadeia e o trauma de ser também vítima de estupro que vai corrigi-lo, como nosso sistema penitenciário acredita. Enjaulado, o doente fica lá, mas 10, 20 anos que saia depois, vai cometer o mesmo ato. Pelo simples fato de só conseguir prazer total no sexo, o forçando.


Depois do twitte solto, nem Stoya, nem Deen comentaram sobre o assunto. É uma merda o galã tão querido por algumas na indústria, ter feito isso, se o fez mesmo. Uma merda que ainda hoje, alguns caras não consigam ouvir e entender as palavras; “Não”, “Pare” de mulheres quando estão na cama, pelo simples fato de que elas já estão ali, e devem fazer e terminar o que vieram fazer.

sábado, 21 de novembro de 2015

WHY



"HWY - An American Pastoral" foi um filme que Jim Morrison, Frank Lisciandro, Paul Ferrara e Babe Hill fizeram em 1969. No filme experimental, Jim é um andarilho que está no deserto, indo para a cidade, e o telespectador o segue neste caminho. Filme muito válido para pessoas assim como eu, que foram fanáticos por Jim Morrison e sua banda The Doors em algum momento de suas vidas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

DIRTY DREAM #2

Eu estava andando na rua. Fazia sol. Entro em um shopping para fugir. Lá dentro tudo muito claro, muitas pessoas andando. Caminho pelos corredores buscando nada. As lojas. As coisas. Sigo. Mas à frente vejo a mulher vindo, e olhando pra mim. Loira, bonita, com seus 50, talvez 60 anos. Continuo caminhando. Passamos um pelo outro trocando olhares. Sei que ela quer. Fico nervoso. Como sempre sou. Mais à frente olho para trás, ela está parada conversando com um velho. Sei que é seu marido. Ela me olha. Continuo caminhando. Dou uma volta no shopping e quando estou me aproximando de uma das saídas vejo uma amiga vindo de uma das lojas. Nos cumprimentamos. Ela fala que quer passear comigo. Digo que já estou indo embora, e então vejo a mulher loira passar por nós, me olha. Então começo a andar com minha amiga, que diz que quer só entrar em uma loja e já sai para podermos caminhar. Ela entra na loja de roupas e eu sigo a mulher loira. Numa das saídas ela vai, e eu sigo atrás. Do lado de fora tem um pátio grande, e mais ao lado um tipo de lago com água corrente. As pessoas caminham à beira. Sigo a mulher, que em um determinado local, tipo uma esquina, para na sombra, me esperando. Me aproximo. Nos olhamos, sorrimos. Ela diz que gostaria de conversar mais comigo, me conhecer. Eu digo que pode ser. Ela reclama que não tem um lugar próprio pra aquilo. Vejo uma porta próxima, vou até lá, empurro e vejo que é uma sala onde guardam materiais de limpeza. Digo pra ela entrar. Ela entra, depois eu, fechando a porta com minhas costas. Quando olho, a mulher está diferente, desbotada, não consigo vê-la mais com nitidez. Ela diz que me quer, e eu para não perder a viajem, coloco o pau pra fora já duro. É quando noto que estão tentando forçar a porta. Guardo. E me viro pra empurrar. Quando volto. A mulher desapareceu. Fico um tempo andando na sala que agora é bem maior e encontro outra saída. Do lado de fora homens que provavelmente trabalham no shopping me fitam. Saio andando. Vejo a multidão mais à frente. Me aproximo só porque é o meu caminho, um homem vira e fala pra mim que encontraram uma mulher morta no lago. Olho e vejo que é a loira que queria me conhecer. Continuo andando, e saio do shopping. Ainda é dia claro, sinto o sol forte no corpo, o calor. Vou caminhando e próximo a dobrar a rua escuto alguém dizendo para eu parar, mas não paro, fingindo não ouvir. Ouço que a pessoa se aproxima. Ei. Ei. Escuto. Então viro. Um rapaz moreno com roupa de segurança vem vindo. Me olha. Estou com uma sacola na mão que não estava antes. Ele se aproxima e pergunta se sei algo sobre a mulher que se afogou. Digo que não. Ele me olha e depois diz que posso ir embora. Então dá de costas e começa a correr. Continuo andando. Dobro a esquina.

Então acordo.

domingo, 15 de novembro de 2015

CRIANDO MEME.

- Eu tô com umas tatoo só o crime...
-Eita!
-Uma mordida roxinha de cada lado
-Caramba, eu peguei muito pesado hoje
-Mas foi perfeito. Pqp.
-Foi?
-Foi não?
-Foi muito foda
-Foi rs
-Mas eu acho que bati muito, e muito forte em ti
-Achou?
-Sim, devo ter te machucado na hora
-Tu acha que eu finjo que gosto, né?
-Não, mas acho q suporta mais do q gosta pq nota q eu gosto mais ainda haha
-É disso que eu gosto haha

A mão do tapa chega treme

sábado, 14 de novembro de 2015

PRA LÁ DO ALASKA.



Essa semana eu tava conversando com uma seguidora minha no tumblr sobre shows. A garota me falou que só gosta de ir à shows quando conhece bem as músicas de uma banda. É, isso é bem normal. Eu sempre fui pelo caminho inverso, sempre gostei de ir à shows de bandas que eu não conhecia, nunca tinha ouvido, ou então no máximo umas duas músicas. Ontem à noite fui conferir a apresentação do “Far From Alaska”, que já tinham vindo à Fortaleza antes, mas eu não tinha visto, e ainda não conhecia o som da banda. Vim conhecer ontem, enquanto me arrumava pra sair de casa para vê-los. E fazia tempo que eu não gostava de um som de uma banda assim, de primeira.

Eu tô ficando velho. Tô ficando entediado. Ouço bandas por aí, tô sempre procurando um som novo, uma nova paixão, mas acontece que quase nada me bate de primeira, me faz abrir os olhos e dizer; “Porra, som massa”. Ontem, enquanto me arrumava para sair, rolou isso com Far From Alaska.



O Far From Alaska foi fundado em 2012, em Natal. De lá pra cá eles lançaram um Ep “Stereochrone” em 2012, e em 2014 lançaram o disco “modeHuman” lançado pela Deckdisc. E que disquinho massa. Me pegou de primeira e logo na primeira canção. O som deles tem peso, uma banda fazendo rock num país em que poucos estão fazendo isso. A voz de Emmily Barreto é apaixonante, assim como sua figura, e ao vivo a menina, junto com a banda toda tocam com uma energia, uma vontade, um prazer, que dá gosto de ver. Foi bonito ver o Let´s Go Rock Bar ontem pulando e cantando com a banda, que mesmo tocando em um som muito ruim da casa, os vocais foram atrapalhados por isso, ainda assim foi bom de ver a banda sendo acompanhada por um público vibrante.

Também tocaram as bandas cearenses “Sulamericana” e “Rocca Vegas”, e a banda de Espírito Santo “Supercombo”, que me impressionou ter um público tão forte aqui da cidade, cantando suas baladas.

No site do From ForAlaska você pode ouvir o disco da banda. Assim também como no tube. E eu indico dar uma ouvida.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A GUERRA NAS ESTRELAS QUE REALMENTE ME INTERESSA.



Dês de 2011 o Wilco não lançava um disco novo. “The Whole Love” foi um grande disco, inspirado, tenso, bem construído. Dês de então a banda saiu por ai fazendo shows, com projetos paralelos, mas nada de soltar um novo disco. Minha expectativa era grande quando pensava em um novo trabalho da banda, e minha surpresa foi maior ainda quando um belo dia desses vi que eles soltavam então um trabalho novo inteiramente de graça na internet, assim, sem ter avisado nada antes. “O que é mais divertido que uma surpresa?” Dizia Jeff Tweedy, vocalista da banda no Facebook soltando o link do disco novo para ser baixado free. Um sorriso de surpresa e excitação abriu em mim, e eu fui logo colocar o download para ser feito.

Star Wars” chegou de surpresa para os fãs e em um momento bem interessante. Se antes diversas bandas procuravam o caminho de promover seus trabalhos em diversos meios, TV, rádio, revistas, fazendo propagandas, chamando atenção, o Wilco resolveu ir por outro caminho, usando a internet como um forma de chamar as pessoas para seu novo trabalho. No ano em que uma nova “Guerra nas Estrelas” criada originalmente por anos atrás George Lucas vem por aí criando falação no público nerd e em quem gosta de cinema, colocar um disco com o título de “Star Wars” é uma ótima forma de estar sempre nos buscadores da internet. Assim como colocar um lindo gatinho na capa do disco, é uma forma de chamar atenção das pessoas que navegam despercebias no Facebook, por exemplo, lugar de depositar falas desconexas sobre o dia a dia, perto de fotos bonitinhas de bichinhos.

E sabemos que uma boa jogada de marketing é necessária para dar voz a um trabalho, o Wilco, aprendeu bem nestes anos em como fazer seu nome, e foi se tornando uma das bandas mais respeitadas no cenário da música hoje em dia, foi construindo bem seu caminho dês do primeiro “A.M.” até o “Yankee Hotel Fox Trot”, onde conseguiram mostrar realmente ao que vieram para quem ainda tinha alguma dúvida; fazer música. E se é pra fazer música, então façamos, tome aí, música de graça, de surpresa. Música. Pronto. E com boa qualidade.

Star Wars” é sem dúvida um dos discos mais interessantes da banda. O mais curto, bem mais leve que seu antecessor “The Whole Love”, e aqui misturando graciosamente os experimentalismos que são uma das marcas da banda com o ato de ir direto ao ponto, em músicas rápidas, bem compostas, com guitarras e riffs marcantes. Como sempre fizeram dês do princípio.

Abrindo o disco com uma música instrumental o Wilco mostra sua marca registrada, guitarras desconexas criando uma música de abertura desconjuntada. Mas o disco vai seguindo sem essa desconjunção que era tão marcante e procurada pela banda, por exemplo, em músicas como “Via Chicago”. Em “Star Wars” vão seguindo e mostrando boas canções, rápidas, melódicas, sem o peso da melancolia, sem choro, com precisão. “Random Name Generador” é um bom exemplo disso, terceira canção do disco, é uma daquelas onde os riffs marcam e colam nos ouvidos, assim como a melodia.

You Satelite” é aquela onde a guitarra vai criando um ar espacial para você viajar, ir longe, acompanhar os músicos numa canção que vai crescendo aos poucos, até chegar ao seu alto, e depois descer para em seguida você entrar na melódica balada “Taste the Ceiling”, uma canção viajante, calma, muito bela. O Wilco sempre foi uma banda que se garantiu em mandar ótimas baladas. “Magnetize” fecha o disco, com teclados com efeitos sintetizados, trazendo uma onda meio Beatles para encerrar essa viajem.

Star Wars” é o nono trabalho de estúdio da banda, que chegou de surpresa para os fãs, e que vai pegando os fãs assim, de surpresa, se supetão, e vai pegando aos poucos. É um disco rápido, com pouco mais de 30 minutos de duração, com ótimas canções. Talvez não seja o disco indicado para alguém que nunca ouviu a banda começar por ele, mas definitivamente para quem já é fã, vem como aquele trabalho bem feito, com a marca registrada de boa qualidade que o Wilco sempre veio mostrando dês do primeiro lançamento.

O Wilco soltou por tempo limitado o disco em seu site para download, mas ele já pode ser ouvido de graça no tube, tanto a versão de estúdio, como ao vivo. Nos shows a banda tem tocado o disco na íntegra dês que soltaram na internet o trabalho.



Aqui uma bela apresentação acústica que fizeram à uns dois meses atrás na KEXP.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O JOVEM TATARAVÔ



"O Jovem Tataravô", que foi dirigido por Luiz de Barros em 1936, conta a história de Victor Eulálio, um morto que volta a este plano por um de seus descendentes após um tipo de "mesa espírita". A comédia de Luiz de Barros tanto trouxe a inovação de filmagens de cenas externas com som direto, quanto é o primeiro filme brasileiro com coisas do sobrenatural, elementos do cinema de terror/horror.

domingo, 8 de novembro de 2015

O CROCODILO.


O músico Arrigo Barnabé esteve ontem no forte Fortaleza junto com o pianista Paulo Braga no projeto Piano em Cena que tá acontecendo no BNB, trazendo o show “Clara Crocodilo: Uma Suíte à Quatro Mãos”, onde os dois pianistas tocavam músicas do Clássico disco de estreia de arrigo “Clara Crocodilo” sem banda, só nos teclados. Foi bom ver o clássico de Arrigo lançado nos anos 80 tocado nos teclados, misturados com algumas improvisações. “Clara Crocodilo” foi visto como grande novidade depois do Tropicalismo, e se mantém como um dos discos mais importantes, loucos e inventivos da música brasileira até hoje.


terça-feira, 3 de novembro de 2015

DIRTY DREAM.

Estou procurando uma parada de ônibus, passo por uma praça e avisto que do outro lado da rua tem uma. Estou em um bairro que não conheço. Vejo que vem ônibus na pista, mas nenhum parece ser pra mim. Me apresso pra chegar na parada e alguns ônibus vão passando por mim, nenhum serve. Na parada, algumas pessoas esperam também. Um ônibus preto para, abre a porta e umas 4 mulheres descem. Dizem que são do Bonde das Popozudas. Elas ficam andando entre nós e puxando conversa, falando de funk, perguntando se queremos autógrafos, tirar fotos. Mas ninguém parece conhecer nenhuma das mulheres, ninguém parece conhecer o bonde. Olho pra morena mais bonita, um corpo lindo, e penso em jogar uma conversa pra ver se rola algo. Fico pensando que queria mesmo era a Valesca. Aquele rabo. Digo pra moça morena que conheço o bonde, gosto das músicas. Ela sorri pra mim alegre e vem pra perto. Conversamos um pouco. “Você gosta mesmo de funk?” Ela me pergunta. “Sim, gosto. Acho que as letras de vocês são incríveis, libertadoras, o que não curto mesmo é a cadência, o ritmo do funk, que acho meio limitado, mas as letras, acho geniais, cadê a Valesca, tá com vocês ai?” Pergunto. Ela me sorri, conversamos mais um pouco. Noto que um senhor me observa. Olho pra ele, e quando a moça morena se afasta eu pergunto ao senhor; “Qual ônibus aqui eu pego que passe na Bezerra?” “Na Bezerra?!” Ele devolve. “Sim, ou no terminal do Antônio Bezerra”. Falo. “Olha, não sei não, viu”. Ele diz. Volto a olhar a pista, ônibus passam e nenhum parece servir pra mim. Estou em uma parte da cidade desconhecida, fico pensando que vou ter que voltar pra casa a pé, mas estou sem vontade alguma de caminhar. Um ônibus para e muita gente que está na parada sobe. Fico esperando por algum que eu possa pegar. 

Então acordo.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

02/11/2015

Vejo vindo uma garota bem branca de cabelos bem pretos. Ela vem tão dentro de si, tão repleta de si que esquece que está na rua e vem andando com o dedo no nariz, cutucando, tirando a meleca. Acho lindo a menina bem branca de cabelos bem pretos tirando meleca do nariz. Quando nos aproximamos, e somente porque já sei, finjo, dentro de meu óculo escuro, não ver. Ela nota que alguém vem no mesmo caminho que o seu e tira rapidamente o dedo do nariz, envergonhada, saindo de si. Olha pra mim, que não estou olhando pra ela, e envergonhada de andar na rua tirando meleca do nariz, baixa a cabeça. Sinto vontade de parar em frente a ela e dizer que não precisa se envergonhar por nada. Que aquilo, como diversas outras coisas na vida, é algo natural, que é isso uma das coisas que nos torna humanos, e que não temos que nos envergonhar disso. Que vivemos em um mundo que quer nos criar em uma moldura, em um verniz em que as pessoas querem que tenhamos vergonha de ser quem somos, e que nos envergonhemos de coisas simples e normais, como tirar meleca do nariz, suar, cagar, mijar, transar, desejar algo ou alguém. Que vivemos em um mundo em que as pessoas querem que nos sintamos envergonhados por ser quem somos. Mas que este mundo, é que está errado, e não nós que nascemos e pegamos a contramão. Senti vontade de dizer a ela, que vez ou outra, entra alguém novo na minha vida. Que eu deixo que poucas pessoas entrem, porque sim, eu sou estranho. E vez ou outra eu me pego com alguma pessoa dizendo que queria fazer tal coisa, ou quis me dizer tal coisa, mas que sentiu medo de eu não gostar, de eu achar aquilo “feio”. Mas o que essa pessoa ainda não descobriu é que perto de mim ela pode ser quem ela é, o tempo inteiro, falar o que quer falar, fazer o que quer fazer. Eu só dou aos outros o que quero pra mim. Liberdade. Senti vontade de parar a menina e falar isso pra ela, mas não o fiz, porque eu sabia. Senti vontade de falar pra menina bem branca com cabelos bem pretos que ver ela tirando meleca do nariz foi a coisa mais bonita que vi hoje.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

EXTRATERRESTRES.


Para o povo aí que goza quando acham uns extraterrestres a dez anos luz daqui; primeiro existem dois tipos hipotéticos de civilizações extraterrestres; as primitivas e as mágicas (terminologia científica, não é minha). O primeiro tipo são estas que estão tão quanto ou menos desenvolvidas quando comparadas com os seres humanos. O segundo tipo, as mágicas, são as que já estavam dando suas piruetas pelo espaço quando o planeta Terra ainda estava se aclimatando para gerar futuramente (bilhões de anos) uma célula, uma combinação molecular, ou seja, qualquer forma de vida até que apareceria milhões de anos depois um bicho qualquer antes do homem.
Resumindo: quando você passa por um formigueiro você dá aquela olhada, e se estiver meio entediado, dá uma cutucada com uma vareta e logo a vida segue, não é não? Mas é muita pretensão desta nossa raça achar que na possibilidade de existir uma civilização extraterrestre evoluída a ponto de empreender viagens intergaláticas esta tenha qualquer interesse na espécie humana que não seja, na melhor das hipóteses, caçar-nos ou nos tratar como bois, vacas ou ratos – isto na melhor das hipóteses. Ou você acha que em algum momento a Rainha da Inglaterra convidou um canibal, um índiozão, para um jantar? Nunca. Porque não fazem parte do mesmo clube. ETs avançados viajam para encontrar ETs avançados, o resto é a bicharada. Não tem nada para fazer aqui. Aí você me vem com as pirâmides. Cá pra nós, viajar dez anos luz pra nos ensinar escravizar judeus para montar lego? Não, de jeito nenhum. Se existir vida inteligente, e eu acho que exista, que passem batidos pelo formigueiro. Existem planetas melhores por aí. Do contrário seriam jumentos espaciais – o que fode a lógica.

Jorge Cardoso


domingo, 18 de outubro de 2015

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

17/09/15

Aos poucos as coisas vão melhorando. Vão tomando seu lugar, algum lugar elas tem que tomar. É só você se afastar de quem/daquilo que te faz mal. Se for possível afastar, afasta-te, e as nuvens melhoram. Com o tempo, algumas coisas ficam mais claras. Por que o tempo é o único remédio que realmente se pode tomar. Esperar que tudo finde, para continuar. Por que o tempo destrói tudo. E leva uma parte. Mas nunca tudo. Mas é necessário que fique algo, para aprender algo, mesmo que seja pouco, mesmo que seja quase nada. É só afastar do mal, retirar o mal do corpo como se o mal fosse aquele demônio que vem para o corpo procurando moradia, um espírito zombeteiro que veio ficar por perto. Nesse mundo existem muitos espíritos zombeteiros se achando boa gente. Mas tem o tempo. E olhar para mim hoje é me ver diferente daquele sujeito que a uma semana atrás segurava a arma que comprou escondido, na boca, pronto para explodir. Olhar para mim hoje é olhar para um outro no espelho. A esperança é uma doença, tão forte quanto a vida porque faz continuar a vida. E a vida é uma doença. Talvez a doença mais estranha de todas, aquela que busca a todas as formas continuar, por uma mínima razão possível. E sempre buscamos essa razão. É necessário melhorar, ficar bom das doenças. “Ah, se estás bom, se estás melhor é porque estás apaixonado.” Me diz o chato. Não, quem busca na paixão algum conforto, alguma razão para continuar é o mais perdido de todos, o mais fraco, o mais idiota. E o mundo já está repleto de idiotas. Mas tem que procurar melhorar. E para melhorar você tem alguns caminhos. Usar as drogas da farmácia, ou as drogas do traficante, ou fazer exercícios. Eu? Eu estou tomando tudo isso. Estou tomando as drogas que compro na farmácia, as drogas que gosto e compro dos traficantes e estou fazendo exercícios. Todos os dias saio correndo pelas ruas com alguma música nos ouvidos para não pensar na coisa estúpida que é sair correndo pelas ruas sem motivos para correr, sem estar fugindo de alguém ou indo para algum lugar. E as vezes quando volto pra casa estou feliz e as vezes me sinto o mesmo. Mas os músculos cansados me ajudam a dormir melhor. É preciso se purificar. Você para de beber, volta a fumar, para dar um centro, dar um equilíbrio. E aos poucos, algumas coisas vão melhorando dentro de você. “Mas o que eu faço com os resquícios?” me pergunta o chato. Ah, os resquícios ficam, sempre, faz parte, não dá para ser diferente. E as coisas vão melhorando para depois piorar. Viver é sentir sofrimento constante. Não foi para ser feliz que as pessoas nasceram. Nascemos apenas para morrer. Só isso. A vida é isso que acontece neste meio tempo. Só.



quarta-feira, 9 de setembro de 2015

LIVRO.

Escrevo dês dos 10 anos de idade, escrever se tornou um hábito bem mais que uma necessidade. Vez por outra leio ou vejo entrevistas de escritores por aí, famosos ou não, que dizem ter a necessidade de escrever, que se sentem doentes quando não conseguem escrever, mortos. Não é o meu caso. Escrevo porque gosto, porque criei um hábito, porque às vezes sinto que tenho algo para dizer e sinto essa sensação estranha de querer compartilhar com os outros, até com quem não conheço, o que penso através da escrita. Então a uns 5 anos atrás eu passei por um processo onde eu não conseguia escrever nada, mal meu nome em uma folha de papel. Como escrever tinha se tornado um hábito, eu senti esse processo de uma maneira muito estranha dentro de mim. Resolvi sentar então e pegar os poemas que tinha escrito nos últimos tempos e trabalhar neles. Fui lendo e relendo poemas que tinha escrito e vi que aquilo poderia se tornar uma unidade. Foi então que surgiu “Quatro Paredes”, um livro de poemas.


Escolhidos os poemas que entraria neste livro eu pensei que o trabalho estivesse pronto e deixei na gaveta, arquivado no computador. 5 anos foram passando e eu nem tinha ideia se procuraria enviar esse livro para alguma editora, até ano passado, que me veio essa vontade, de ver o livro impresso, como algo palpável, algo que eu pudesse colocar na estante junto com os outros livros de outros escritores que leio. Bom, o arquivo enviado está realmente tornando-se um livro. Recebi a um tempinho atrás a capa que ficou pronta, e compartilho agora aqui com vocês que ainda passam por este humilde, porém limpinho blog, que gastam seu precioso tempo para ler algumas palavras que escrevo. O trabalho editorial e gráfico que o Daniel Valentim fez foi algo muito bonito, a capa tá muito linda e eu tô ficando muito feliz com o resultado. Ainda estamos em processo, mas ao que tudo indica o livro ficará pronto ainda esse ano, vai sair pela editora Bartlebee, e claro, posto aqui o link para quem quiser adquirir e me guardar em sua estante de livros juntos com outros escritores.


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

07/09/15


Ter um pouco de noção quando se vai falar de algo é uma coisa interessante. Saber de si primeiro para depois atacar o outro. Não que tenhamos que pensar em tudo que dizemos e fazemos o tempo todo, balancear antes se está errado ou incrivelmente certo. Muita coisa sai por sair mesmo, e é bom que seja assim. Não é necessário ser consciente de tudo o tempo todo.  Mas respeitar os que vieram antes de ti é algo importante, é algo que pode ser até sábio. Saber da própria pequenez antes de apontar a derrocada do outro também é extremamente importante.

É natural da juventude querer desmerecer os mais velhos, os que vieram antes, os que fizeram algo, mesmo que pequeno, mas antes. É natural da própria juventude essa negação daquele que é o antes. É natural porque a juventude acredita na força, em alguma força, acredita que tem alguma força. Acredita-se que juventude é força, enquanto velhice é só cansaço. Acredita-se que o novo sempre vem, e por vir, existe então essa vontade de negar o antes, o herói já velho. E por estar velho está derrotado, destruído. É a pura arrogância dos novos. É a pura arrogância da juventude. Mas ser jovem é ser arrogante. Crer que se é indestrutível, forte. Quando na verdade não é isso mesmo por completo. Estão todos perdidos no final das contas. No final das contas não existe algo novo ou velho. Tudo são continuações.

Existe essa arrogância de querer matar aquele que veio antes de ti. Matá-lo antes do tempo previsto. Querer matar quem se veio antes pra provar que você agora é quem tem força. Mas talvez seja bom e necessário enxergar que aquele que veio antes de ti, aquele que ainda está ai construindo algo, ou vivendo daquilo que construiu, mas ainda está, é mais forte ou tão forte quanto tu que só está começando. Enquanto você ainda está engatinhando a curtas passadas. Ele já construiu um caminho. Tu, talvez nem tenha começado. Mas ainda nem sabe disso.


sábado, 29 de agosto de 2015

O MONSTRO.



É, acabou. Morreu. Morreu. Uma das séries mais legais pra mim nos últimos 3 anos chegou ao fim. Morreu. “Hannibal” terminou essa semana na TV americana. O personagem criado por Thomas Harris fez um bom caminho na TV. Uma série que foi crescendo a cada temporada, as 2 iniciais muito boas mesclavam o desenvolvimento dos personagens a história do doutor Lecter, sempre entre a investigação da semana, o serial killer da semana, como parece sempre ser necessário nas séries americanas.  A terceira temporada provavelmente foi a melhor. Foi a mais lenta, mas a mais bonita também, tanto plasticamente quanto em conteúdo, com diálogos mais filosóficos, mais psicológicos, e bem mais focada no desenvolvimento dos personagens.

É interessante ver que o personagem criado por Harris em seu “Dragão Vermelho” inicialmente era só um coadjuvante na história, e ver como ele cresceu tanto na cabeça do escritor que voltou em outros livros, e foi parar no cinema fazendo uma carreira gigante e caindo no imaginário popular. Mesmo quem nunca leu uma linha de Harris, sabe da existência de um tal doutor Lecter, que curte uns cardápios meio exóticos (mas muito interessantes).


Foi bonito e interessante ver o Hannibal criado para TV. Mads Mikkelsen deu vida a um doutor Lecter muito diferente do original de Harris e visto diversas vezes no cinema. O Hannibal da TV estava longe daquele psicopata do cinema que tinha aquela pulsão violenta para atacar repentinamente e comer o rosto das pessoas. Ainda muito sofisticado, o Hannibal de Mikkelsen provavelmente acharia isso rude demais a ser feito com qualquer um. Foi interessante também ver o caminho quase inverso que o personagem teve na TV em relação às histórias dos livros, e a relação entre Lecter e o investigador Will Grahan. A amizade obsessiva estava sempre entre uma paixão mal resolvida entre os dois que se finalizou com uma entrega interessante e ao mesmo tempo bonita de ver. O seriado nunca foi uma adaptação fiel aos livros de Thomas Harris, mas sempre se baseou nas histórias criadas pelo escritor para seus roteiros, retirando dos livros os personagens, mesmo que os mudando muito, e as situações também.


Hannibal teve uma vida de 3 boas temporadas na TV, mas infelizmente chegou ao fim. A NBC não assinou uma nova temporada por achar que o público da série não era tão alto, era um público muito seleto. Tentaram vender o seriado para outra emissora, mas a ideia não foi bem aceita. Fica aquela sensação esquisita na cabeça de saber que um seriado tão bom no meio de tanta coisa ruim sendo produzida hoje em dia termina mesmo ainda tendo fôlego para pelo menos mais duas temporadas de histórias originais.


domingo, 16 de agosto de 2015

PERSEPHONE.


persephone from Four Chambers on Vimeo.

Acabei de ver esse vídeo do Four Chambered Heart com a musa Camille Damage e o Owen Grey. O vídeo é de um ano atrás, mas só o vi agora. A Four Chambered vem com essa premissa de fazer umas foto arte e vídeos sempre mexendo com o erótico e o pornô também. o próprio Owen Grey é um dos nomes que tá despontando nesse "pornô indie" que tá surgindo nesse momento. Eu mesmo não curto muito o cara, mesmo embora ele esteja fazendo uns vídeos interessantes com modelos performáticas mais interessantes ainda, e esteja trabalhando alguns fetiches que me agradam muito de maneira muito boa. Já Camille é musa total, gosto tanto de seu trabalho como modelo que de certa foram à carrego comigo.

domingo, 9 de agosto de 2015

AOS FANTASMAS.

Pai, você bebia muito, e um dia chegou em casa tarde da noite, bêbado, bateu em mim e quebrou meu braço. Mas eu sei que você me amava. Eu vi os meses seguintes que passou sem beber e tentando colocar as coisas em ordem. Você se descontrolou no trabalho e agrediu aquele garoto, você perdeu o trabalho na escola e eu sei que foi procurar trabalho naquele hotel para nos sustentar, para tentar segurar as coisas que já estavam ruindo. Você nos isolou naquele hotel velho e longe de todo o mundo por uma boa razão, eu sei, tentando nos unir de novo. Mas você perdeu o controle e voltou a beber com os fantasmas. Pai, você perseguiu a mim e minha mãe com um machado na mão querendo nos matar, mas eu sei que na última hora, quando “a coisa” estava tomando de conta, você se entregou para não entregar a mim e minha mãe à morte. Eu sei que você me amava, eu conseguia ler seus pensamentos. Eu te amo muito também pai. Eu sinto muito sua falta.


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

06/08/15

Escuto a voz me chamando. É uma voz de mulher que não conheço. Carlos Alberto. Escuto bem próximo ao meu ouvido. E então abro os olhos na escuridão. Estico o braço pra pegar o celular e toco pro visor iluminar. Olho as horas. 3:40. Ilumino o quarto sabendo que estou só. Sempre durmo só. Gosto de dormir só. Não gosto de companhia. Sei que ninguém entrou no quarto enquanto eu dormia porque sempre tranco a porta antes de deitar. Por instinto ilumino o quarto. Não tem ninguém. Mas aquela sensação esquisita. Volto a cobrir os olhos tentando entrar de novo no sono. Permaneço acordado. Aquela sensação esquisita que tem mais alguém no quarto comigo. De repente sinto o quarto mais frio, aquela sensação de calafrio me toma o corpo. Como se alguém tivesse em pé ao meu lado. Calafrio. Fico deitado esperando o sono voltar. Semana passada eu dormia, acordei com alguém batendo na porta. Levando quase em um salto e vou até a porta, abro e do lado de lá nada, não tinha ninguém. A casa vazia, não tinha ninguém. Fechei a porta e voltei a deitar, tentando voltar a dormir. O que quer que seja isso, está tentando entrar. Será se já conseguiu?


terça-feira, 21 de julho de 2015

MEU VENTRE OBSCURO


[parto do poema]

nasci no limite da morte
nem dia nem noite
sob o signo do caos
a sina desconhecida
como a profundidade
do abismo
no rio escuro de mim
ancestral
a constituir-me em curvaturas
água peixe corpo dejeto
animal
vim à luz em lágrimas
em mistérios coberto & cheio de sangue
nasci hediondo
como todos os homens

Aline Guarato.
____________


Aline Guarato é uma das minhas musas na internet e na literatura brasileira. Fotógrafa, poeta, sempre me proporciona minutos maravilhosos de boas conversas online, é das poucas pessoas com quem gosto de conversar e gostaria que vivesse aqui pertinho pros papos não serem só virtuais. Sempre solta as melhores selfies que tenho o privilégio de curtir e uns poemas muito lindos pela rede. “Poema de Ventre Obscuro” foi realmente a coisa mais foda, linda e forte que li em muito tempo, apaixonei de imediato, copiei na linha da rede azul e agora trouxe pra cá. Esse assombro que a senhorita Guarato tem pelo corpo, pela vida, é muito similar ao assombro que eu tenho por sua poesia, sempre é um mistério, e um mistério lindo de ler, e só tentar desvendar, porque eu mesmo gosto de deixar como mistério para ficar relendo sempre.


terça-feira, 30 de junho de 2015

O AMOR E SUAS DORES.


Conheci o trabalho de Sharon Van Etten em 2012, logo após ela ter lançado “Tramp”. Conheci por acaso enquanto ouvia outra cantora, e Sharon apareceu como nome relacionado. Ouvi seu som e de imediato ele me instigou pra procurar seu, na época, recente disco. E “Tramp” me pegou de imediato. Eu sentia mais e mais vontade de ouvir suas músicas, mas sabia que tinha que ter cuidado. Sharon Van Etten é uma cantora que tem que ser ouvida com moderação e bastante cuidado, suas canções sempre melancólicas, dramáticas e com temas sofridos do amor podem te pegar de jeito e te derrubar pelo caminho. Um tempo depois que conheci seu trabalho uma de suas canções entrou na trilha do seriado “The Walking Dead”, e eu imaginei que ela explodiria para o grande público, e torci para isso.



Em 2014 ela lançou “Are We There”, e então eu já era um fã confesso da moça aguardando um novo lançamento. Logo após ter dado o play na primeira faixa eu sabia que coisa boa vinha por lá, e que mais uma vez eu teria que ter cuidado, o dramático, a melancolia estava presente, e eu teria que ter calma pra ouvir.



“Are We There” é realmente um disco que tem que ser ouvido com calma. Não é um disco que se pode ouvir a qualquer momento, a carga dramática desenvolvida nas canções é bem alta. Sharon vai cantando sobre as “sofrencias” do amor, usando de suas experiências pessoais, usando sua voz em fortes melodias para exorcizar seus demônios. E isso é muito forte. Sua música é forte, e embora muito triste, você não consegue deixar de ouvir depois que ela te pega.

Cantando sobre medo e amor, Sharon é capaz de detonar uma bomba dentro de você usando sua voz, e faz isso calmamente enquanto fala das dores que o amor causa. Exemplo disso é a canção que abre o disco, e uma das minhas favoritas “Afraid of Nothing”, em que Sharon canta, “I can't wait til we're afraid of nothing, I can't wait till we hide from nothing”. Sharon canta sobre o medo, como alguém que mal pode esperar para deixar de ter medo, e se esconder. E eu canto junto.

Em certas músicas, Sharon canta o amor como uma dor da qual não se pode fugir, como se o amor fosse um tormento, um tipo de tortura. Exemplo disso é a mais que dramática “Your Love is Killing Me”, música que vai crescendo de uma maneira doída em quem ouve.

“Are We There” é um disco triste, para aqueles dias cinzentos e chuvosos que você já acorda melancólico, com aquela dor no peito, e quer uma companhia. Sharon Van Etten é essa companhia, uma das melhores pra esses momentos. E então você senta com ela, dá o play, e aproveita a conversa.



Abaixo, uma apresentação da moça na KEXP.

 

terça-feira, 23 de junho de 2015

ESTE HOMEM.


I

E então um deus falou:
Este é um homem condenado
Por todos seus sonhos,
E deveria, mas nunca
Será redimido
Ou conhecerá a salvação
Porque conheceu o fogo
E é, em sua carne, o fogo
Que queima mas não destrói
Como a música desesperada
O instinto incontrolável e suicida
De todos os sonhos condenados,

Este homem
É um ritual autofágico
De tambores
Dos trompetes estranhamente silenciosos
Em seus sons diabólicos,
A mágica do inferno
No cérebro, na alma, nos ouvidos
E as perdições humanas e suas cadeias
E as cordas dos instrumentos e as flores –

Este homem
Estará para sempre condenado, não existe caminho
Por onde lhe escape o destino
E que o proteja das profecias –

Talvez alguém lhes diga
Quem era este homem.

II

E o outro deus disse:

Este homem está salvo
Porque foi tão esmagado
E tão repleto e consciente
Dos sons, das tristezas, do fogo, das condenações e das mágicas
(Como o funeral de um anjo)
Que ele irá conquistar –
E fará explodir
Todos os trompetes, tambores, peias,
Destinos e profecias,
Que será salvo
Como os fios de ouro
Que costuram o céu
E tecem as flores
E os sonhos da terra,
Como foi prometido
A cada um dos homens.

Algum dia
Talvez alguém
Venha lhes dizer.

III

Agora eu lhes revelarei:

Este era o seu segredo, como uma herança – e ele nada jamais revelou sobre isto. Em voz alta: escapar é fugir. Algumas vezes, ficar é também um esforço humano para continuar fugindo. Ele conhecia bem o inferno e ainda os seus segredos. Jamais sonhou com a salvação enquanto esteve condenado. Tentou perceber todos os seres humanos e dissecar a saga da humanidade. Percorreu todas as florestas de sua infância, andou por dentro das árvores, n coração das flores, no mistério das abelhas. Aliás, sempre lhe fascinaram os mistérios e as magias. Mas, veja bem, nunca preocupado ou imaginando o que  fosse a salvação porque ele tinha consciência de que nenhum ser humano merece salvar-se. Nenhuma carne merece salvar-se. Nenhum espírito pode ser salvo – a mente humana não aprende a salvação. Nenhum destino foi preparado para a salvação. Porque salvação, desde que é um conceito sobrenatural, está além da carne e do espírito, os quais de certa forma iguais a ela, também são ficções humanas. Conheci este homem profundamente. E agora posso informar-lhes: ele sempre tentou. Qualquer coisa poderia acontecer: não lhe interessava. Conscientemente. O que viu o tempo todo foi exatamente o que ele disse e no que sempre acreditou: nada. Desde que nasceu por algum inexplicável acidente ou milagre, como, aliás, todos os de sua espécie, ele não compreende. Tudo que existe são apenas palavras – e nenhuma palavra faz sentido quando se trata da vida real. A salvação não é um objetivo da vida, porque a vida, quando se inicia, já está de todos perdida. E isso, este homem sabia. Não o atormentava salvar-se ou ser condenado. Mas a morte.

Isto eu devo lhes dizer.

Rio, 20 março, 96 – Álvares PachecoSolstício de Inverno

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A VIDA NÃO É NADA DO QUE EU PENSAVA.

Ernst Ludwig Kirchner, Artistin Marzella


Hoje vivi um pouco
Talvez uns
Segundos
Coisa de façanha

Foi mérito alheio
Trazido à boca

Nada que alarmasse
Os vizinhos

Apenas
Pouco

...

Como lavar e etc.

Por que razão
Fazemos perguntas
Quando já temos a
Resposta mais que escrita
E triturada
Na cabeça e
No corpo?

Repetir o que sabemos
Mas não queremos
Talvez seja forma
De limpeza
Coisa de roupa suja
Que precisa de
Quarar ao sol
Para só assim
Desaparecer

Porque para sumir
Mesmo
É preciso morrer
Como morrem
Os indigentes
Sem deixar lástimas,
Ou nome no
Cemitério

Quero que a
Minha dor
Acabe assim
Sem corpo

...

A vida não é nada
Nada
Do que eu pensava

Imaginava uma vista
Do Arizona
Seca e bela
Larga até o fim do
Mundo
Onde tudo existia
Pelo meu gosto
Ou tristeza

Pedi areia sem água
Veio amor sem remédio
E coisas de permanência
Sem tempo e sem memória

Pensei, então,
Em rolar mil anos
Por essa ribanceira e
Um dia
Acordar e
Abraçar
Você

Dora Ribeiro 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

NÃO HÁ CIDADES PARA AMAR.


Elas são demais. Elas são demais. Elas são demais. E elas estão de volta. Totalmente, de corpo e de espírito Rock. Depois de 10 anos sem lançar um disco, 8 anos sem fazer turnê, o trio Sleater Kinney nascido em 94 em Olympia, Washington, resolveu voltar a ativa, pra alegria dos fãs, e deste aqui que vos escreve. E sim, elas estão completamente de volta, com disco novo e muita força.


Quando em 2006 a banda anunciou uma parada, que tanto poderia ser somente um hiato por tempo indeterminado como um rompimento definitivo, uma dor no coração foi sentida por todos que gostavam do Sleater Kinney. Fãs ficaram em quase lágrimas, este que vos escreve foi um deles, e a dor só não foi maior porque as moças seguiram em projetos paralelos e outras bandas.


Corin Tucker lançou dois discos solos matadores, Carrie Brownstein também continuou na música e foi fazer TV, e a baterista Janet Weiss foi tocar no The Shins. Era uma forma de consolo pra todos nós. Eu me fixei em Corin Tucker e em sua carreia solo com força, pra tentar sentir menos saudade do S-K. Mas quando em outubro do ano passado as moças anunciaram uma volta, e ainda mais, um disco novo, o coração vibrou. Com o anuncio de sua volta, o Sleater Kinney ganhou posto de maior banda de Rock do mundo por alguns.


No Cities To Love” foi lançado em janeiro deste ano, e de lá pra cá tem sido trilha sonora destes meses que tem passado em minha vida. As moças estão definitivamente de volta, como eu disse antes, com a força tão características delas. O disco com 10 ótimas canções veio mostrando o que o S-K sempre veio mostrando em todos estes anos, disco após disco, elas estão cada vez melhores. Corin, Carrie e Janet estão tocando melhor, cantando melhor, compondo melhor, estão mais bonitas, e ainda mais gostosas. A idade só fez bem as 3.



E é entre canções boas repletas de riffs poderosos que as moças mostram isso. As músicas vêm falando entre outras coisas sobre consumismo, insatisfação feminina, fama e a mediocridade que esta pode trazer para quem a possui. Na faixa que dá título ao disco, Brownstein canta uma frase que eu poderia ter escrito; “Eu cresci com medo de tudo que eu amo”, e segue como um refrão que se passa sempre em minha cabeça, mesmo antes de ter ouvido este disco; “Não há cidades, não há cidades para amar. Não é a cidade, que é o clima que nós amamos! Não é o clima, é o nada que amamos!” Em “No Cities To Love”, as moças vieram dar voz à essa sensação de deslocamento que sentimos no lugar em que vivemos.

 

Em “Hey Darling”, a canção mais pop do disco, mais melódica e uma das melhores, Corin canta “Parece para mim que a única coisa que se ganha com a fama é mediocridade”. As moças sempre foram boas de crítica. E se elas resolveram começar o disco com uma canção como “Price Tag”, uma música com guitarras e melodias colantes, resolvem terminar o disco com “Fade”, a canção mais difícil do disco, mas tensa e dramática, só pra deixar um pouquinho trabalhoso pra você.

Mas “No Cities To Love” não é um disco difícil, ele começa bem e se desenvolve bem. Sempre com ótimos riffs de guitarras, que vão do bruto ao dançante (exemplo é a canção “Bury Our Friends”) sempre com boas melodias e sempre com ótimas letras. Ao final da audição você termina com a sensação que as moças fizeram um ótimo trabalho, que continuam grandes, e merecem crescer ainda mais.

E o que dizer mais quando uma das tuas bandas do coração resolve fazer vídeo com um dos teus desenhos favoritos?


Aqui abaixo um puta show que fizeram em Washington em fevereiro deste ano. Nele, tocam grande parte do disco novo.