sábado, 29 de novembro de 2014

NÓIS FUMO.

Eu lembro de uma tirinha que vi um tempo atrás que falava uma coisa meio assim; “O tabagista de hoje é o maconheiro dos anos 80”. Mostrava um cara fumando um cigarro escondido, e outro chegando e falando; “Apaga, tá vindo gente”. Era algo assim.

Eu nasci na metade dos anos 80. Passei metade do tempo de olhos fechados, só os fui abrir já com os anos 90 indo longe. Cada vez que tento lembrar algo da minha infância, fica turvo. Lembro das coisas da adolescência mesmo. Lembro de gente andando e fumando nos shoppings despreocupadamente, nos cinemas, nas salas de exibição e nos corredores. Lembro do extinto Cine Diogo com uma área só pra fumantes, o povo ficava dentro de uma sala que tinha um vidro, e você só via fumaça. Lembro do povo fumando em tudo que era lugar. Mas isso acabou.



O tabagista de hoje é o maconheiro dos anos 80”. Algo assim.

Fui adolescente nos anos 90, comecinho dos 2000. Você lembra? Agente tinha que sair de casa e andar, andar, procurando uma rua escondida, escura, pra fumar um. Um acendia, e o outro ficava de olho. Você fumava um nas escuras com medo de alguém aparecer, da polícia aparecer. Nós tínhamos medo de ser pegos, levar uns baculejo, ser preso e o pai ter que ir buscar na delegacia por causa de um fuminho. Claro, éramos adolescentes, e muito medrosos em tudo. Hoje em dia fumar um tá quase liberado, você vai à uma festa e acende um beck, sem problema, quase ninguém mais te olha esquisito, se afasta como se você fosse um bandido. Mas isso não se escreve em relação ao tabaco. Fumar um cigarro hoje em dia tá mais perigoso, as pessoas se afastam como se você fosse um leproso, um doente, um bandido. Cada um na sua. Foda-se.

Lembro de um show que fui na praia à um tempo atrás. Local mais aberto impossível. Puxo minha carteira de cigarros e acendo. Na terceira baforada, olho pro lado e tinha um cara a uns bons metros de mim me encarando com a cara de quem queria me matar. Foda-se, companheiro. O mesmo acontece quando você anda na rua. Ser fumante hoje em dia é ato solitário. Já afastei quem não queria de perto de mim acendendo um cigarro. Cada um na sua.


Tava pensando sobre isso ontem quando vi que quarta-feira, dia 03, entra em vigor a lei Antifumo que proíbe fumar em lugares fechados, públicos e privados. Tão fechando o cerco. Eu que já saio de casa pra dar de mamar ao meu câncer de pulmão, como fico?


Esse mundinho tá ficando cada vez mais chato. E de boa, se você é da boa saúde, faz caminhada, come coisas saudáveis, não fuma unzinho ou ao menos um careta pra relaxar, o problema é exclusivamente seu. A boa notícia é que eu e você, vamos morrer do mesmo jeito, e el infierno está nos esperando de boa, com capeta e tridente.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

WYE OAK LIVE.


Conheci o som da duo Wye Oak pouco tempo depois deles terem lançado seu terceiro disco, “Civilian”, e isso foi em 2011. Um tempo depois a banda começou a ser mais ouvida por uma galera após a música que dá título ao disco de 2011 ter sido trilha da série The Walking Dead. Era fácil encontrar vídeos da música no youtube com o comentário “The Walking Dead me trouxe aqui”. Pensei que a duo de Maryland viraria moda. Não sei se virou. Então bem no comecinho deste 2014 lançaram seu terceiro disco; “Shriek”, que veio diferente do indie que eles estavam fazendo. Dessa vez sem guitarras e distorções, só muitas linhas de baixo e teclados com efeitos que davam sonoridade a belas canções, boas melodias em músicas melancólicas e as vezes dramáticas. Ontem tava ouvindo essa performance que fizeram para a Kexp. Na boa apresentação, Jenn Wasner e Andy Stack tocam músicas do disco mais novo e algumas dos mais antigos. Uma ótima performance, diga-se de passagem. Jenn é uma cantora que gosto muito, além de ser uma gracinha, tem um voz que me agrada muito, que ao vivo se mostra tão boa quanto em disco, vale prestar atenção na moça.