segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

PRIMEIRA FLIPOBRE.

A Flipobre, primeira feira literária via internet foi ao que tudo indica um sucesso. O evento criado pelo amazonense Diego Morais e que teve a participação do escritor Roberto Menezes na parte técnica, aconteceu ontem, durante toda a tarde, e foi até o fim de noite, com diversas mesas, hongouts com escritores debatendo sobre literatura, tudo ao vivo.

Foi algo bonito de ver, todas as mesas debateram coisas importantes, instigantes. E levando em conta que a maior parte dos escritores que participaram eram não muito conhecidos ao grande público, ver que teve hongouts com 180 pessoas assistindo foi algo muito bom de ver.


Os debates como já tinha dito aqui, foram da formação de novos leitores, machismo na literatura, escritores e leitores e a questão da internet como ferramenta de auto publicação. Este que vos escreve teve uma tímida participação na mesa “Editora pra que?” onde escritores ainda inéditos em livro e recém publicados discutiram a internet como ferramenta de alto publicação, como forma de divulgação do trabalho literário. E embora minha participação tenha sido mínima, tímida e silenciosa, gostei muito de ter sido um dos convidados do evento e ter participado da conversa, em que muitos momentos acabei preferindo ficar como ouvinte. Falar em público não é a minha praia. Foda foi no meio do hongout meu computador arquejante ter desligado por completo, e quando voltei a mesa já estava no final. De toda forma valeu demais.

Abaixo segue o vídeo do estrago.



No canal do youtube da feira, os vídeos de todas as mesas e intervenções estão hospedados. Confiram

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

FLIPOBRE.


Sem grana pra ir a Paraty e conferir a Flip? Sem saco também pra entrar em uma viajem como essa? Então chega na FliPobre, lugar de bons autores, porém lascados.
   
O escritor Diego Moraes resolveu criar o evento, cansado do estrelismo literário, da falta de visibilidade, dos eventos literários com convidados como cartas marcadas devidamente bem escolhidas, e por pura vontade de fazer algo, resolveram criar a Flipobre, um encontro literário que acontecerá pela internet reunindo escritores do Brasil inteiro para conversas e debates. A Flipobre acontecerá dia 7 de dezembro, as conversas irão ao ar via hangout no youtube, e esse que vos escreve foi um dos convidados para participar.

E como se trata de um encontro literário de escritores que ainda não se deram bem na vida com a literatura, financeiramente falando, a ideia é de homenagear um escritor que em vida escreveu pra caralho, deixou sua marca na literatura, mas morreu "em desgraça". E Lima Barreto foi o escolhido para ser homenageado nessa primeira Flipobre. 

Foi divulgado a lista de “mesas” escolhidas para hongouts e participarei do debate “Editora pra quê? A internet como ferramenta de divulgação de literatura inédita”. Levando em conta que não falo em público, será uma participação interessante essa minha. Participação que só acontecerá se minha webcam peba deixar, é claro.

Segue abaixo a lista com mesas de debates com horários e os escritores que participarão do evento.




Então, bora de Flipobre nesse dezembro.

sábado, 29 de novembro de 2014

NÓIS FUMO.

Eu lembro de uma tirinha que vi um tempo atrás que falava uma coisa meio assim; “O tabagista de hoje é o maconheiro dos anos 80”. Mostrava um cara fumando um cigarro escondido, e outro chegando e falando; “Apaga, tá vindo gente”. Era algo assim.

Eu nasci na metade dos anos 80. Passei metade do tempo de olhos fechados, só os fui abrir já com os anos 90 indo longe. Cada vez que tento lembrar algo da minha infância, fica turvo. Lembro das coisas da adolescência mesmo. Lembro de gente andando e fumando nos shoppings despreocupadamente, nos cinemas, nas salas de exibição e nos corredores. Lembro do extinto Cine Diogo com uma área só pra fumantes, o povo ficava dentro de uma sala que tinha um vidro, e você só via fumaça. Lembro do povo fumando em tudo que era lugar. Mas isso acabou.



O tabagista de hoje é o maconheiro dos anos 80”. Algo assim.

Fui adolescente nos anos 90, comecinho dos 2000. Você lembra? Agente tinha que sair de casa e andar, andar, procurando uma rua escondida, escura, pra fumar um. Um acendia, e o outro ficava de olho. Você fumava um nas escuras com medo de alguém aparecer, da polícia aparecer. Nós tínhamos medo de ser pegos, levar uns baculejo, ser preso e o pai ter que ir buscar na delegacia por causa de um fuminho. Claro, éramos adolescentes, e muito medrosos em tudo. Hoje em dia fumar um tá quase liberado, você vai à uma festa e acende um beck, sem problema, quase ninguém mais te olha esquisito, se afasta como se você fosse um bandido. Mas isso não se escreve em relação ao tabaco. Fumar um cigarro hoje em dia tá mais perigoso, as pessoas se afastam como se você fosse um leproso, um doente, um bandido. Cada um na sua. Foda-se.

Lembro de um show que fui na praia à um tempo atrás. Local mais aberto impossível. Puxo minha carteira de cigarros e acendo. Na terceira baforada, olho pro lado e tinha um cara a uns bons metros de mim me encarando com a cara de quem queria me matar. Foda-se, companheiro. O mesmo acontece quando você anda na rua. Ser fumante hoje em dia é ato solitário. Já afastei quem não queria de perto de mim acendendo um cigarro. Cada um na sua.


Tava pensando sobre isso ontem quando vi que quarta-feira, dia 03, entra em vigor a lei Antifumo que proíbe fumar em lugares fechados, públicos e privados. Tão fechando o cerco. Eu que já saio de casa pra dar de mamar ao meu câncer de pulmão, como fico?


Esse mundinho tá ficando cada vez mais chato. E de boa, se você é da boa saúde, faz caminhada, come coisas saudáveis, não fuma unzinho ou ao menos um careta pra relaxar, o problema é exclusivamente seu. A boa notícia é que eu e você, vamos morrer do mesmo jeito, e el infierno está nos esperando de boa, com capeta e tridente.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

WYE OAK LIVE.


Conheci o som da duo Wye Oak pouco tempo depois deles terem lançado seu terceiro disco, “Civilian”, e isso foi em 2011. Um tempo depois a banda começou a ser mais ouvida por uma galera após a música que dá título ao disco de 2011 ter sido trilha da série The Walking Dead. Era fácil encontrar vídeos da música no youtube com o comentário “The Walking Dead me trouxe aqui”. Pensei que a duo de Maryland viraria moda. Não sei se virou. Então bem no comecinho deste 2014 lançaram seu terceiro disco; “Shriek”, que veio diferente do indie que eles estavam fazendo. Dessa vez sem guitarras e distorções, só muitas linhas de baixo e teclados com efeitos que davam sonoridade a belas canções, boas melodias em músicas melancólicas e as vezes dramáticas. Ontem tava ouvindo essa performance que fizeram para a Kexp. Na boa apresentação, Jenn Wasner e Andy Stack tocam músicas do disco mais novo e algumas dos mais antigos. Uma ótima performance, diga-se de passagem. Jenn é uma cantora que gosto muito, além de ser uma gracinha, tem um voz que me agrada muito, que ao vivo se mostra tão boa quanto em disco, vale prestar atenção na moça.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

POR ONDE ANDA ARTURO BANDINI?

Arturo Bandini é um dos meus personagens favoritos na ficção. A primeira vez que li uma estória de John Fante com o personagem foi em “Sonhos de Bunker Hill”. Fiquei maravilhado com o senso de humor de Fante usado na construção tanto do personagem como nas situações que o colocava. Deitava e lia e ria sozinho de diversas coisas que aconteciam com Bandini, um personagem tão humano, que cometia erros tão humanos que é quase difícil não se apaixonar. Adorei “Sonhos de Bunker Hill” de imediato, o li duas vezes no ano em que o comprei, e então já estava meio que tomado pela literatura de John Fante. A emoção nas histórias do escritor escorre pelas páginas.

Um tempo depois li “1933 Foi um Ano Ruim”. Li o livro de uma deitada só. O dia amanhecia e eu terminava as ultimas páginas. E o final, que final. Daqueles que você se segura pras lágrimas não rolarem no seu rosto. Desta vez a narrativa acontecia ao redor de Dominic Molise, um garoto que sonhava em ser jogador de beisebol.

Voltei a Arturo Bandini em “Pergunte ao Pó”, considerada obra prima de Fante. Nem é minha “aventura” favorita com o personagem, em “Sonhos... ainda o acho mais certeiro, com o humor mais presente, mas afiado. Mas não podia me segurar, por exemplo, em momentos como quando Bandini descobre que Camila fumava maconha. Aquele; Então é isso, Camila era uma maconheira. Me surgia como algo tão engraçado, tão cheio de pudor, tão moralista, que não conseguia me segurar e rir.

Hoje terminei de ler “O Caminho de Los Angeles”, o primeiro livro que Fante escreveu, e que só veio ser publicado postumamente. E lá estava Arturo Bandini. Tão moleque, tão endiabrado e tão louco. Em diversos momentos o personagem chega a encher o saco do leitor. Tão humano querendo construir uma obra original, algo que saísse de sua cabeça, e preso pela família, pelo ato de ter que trabalhar.

Fante foi um escritor fenomenal. Suas obras estão sempre repletas de humor quanto de dor. Seus personagens sempre pobres, com poucas chances e perspectivas de mudança de vida. Bandini sempre rodeado pela pobreza, querendo apenas escrever algumas linhas para mostrar ao que veio. E aquela família italiana que rodeia todos os personagens.

É fato que Fante repetia demais alguns elementos. A questão da própria família, do pai pedreiro que não conseguia trabalhar, do personagem escritor, estão lá em quase todos os livros e contos dele, mas mesmo assim, Fante foi um grande narrador. Poucos escritores conseguiram passar emoção de uma maneira tão forte em seus escritos como ele.

(“Por Onde Anda Arturo Bandini?” é o título de uma novela que comecei a escrever anos atrás, mas que como tudo em mim, permanece inacabado. Talvez um dia)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

SARAH JAFFE FOLK POP MUSIC.


Sarah jaffe lançou seu primeiro Ep em 2009, “Even Born Again”, Ep com 6 boas canções folk. Em 2010 lançou o primeiro disco intitulado “Suburban Nature” e foi quando chegou aos meus ouvidos. A conheci por acaso vendo postagens no tumblr. Dei o play na música que alguém que eu seguia tinha reblogado, ouvi e gostei, e então depois fui seguindo o rastro da moça. “Suburban Nature” tocou muito por aqui, e loirinha foi aos poucos entrando em meu coração. Sua voz doce e suave, suas boas canções e letras folk por vezes melancólicas, alegres ou dramáticas foram me tomando. Era bom ver que em 2010 alguém ainda estava pensando e produzindo folk music de qualidade. Em 2011 ela lançou outro Ep; “The Way Sound Leaves the Room” onde Sarah mantinha o violão, mas trazia em algumas canções uma sonoridade mais indie.




Lembro que mais ou menos em abriu de 2012 saiu em seu site um vídeo bem curioso. Nele, aparecia um local meio desolado, uma pessoa surgia e caminhava até um carro abandonado, entrava no carro e lá encontrava uma câmera. Era só ai que você notava que era a própria Sarah, que saia do carro e apontava a câmera, e então víamos do outro lado; ela, em um visual novo, cabelos cordados raspados, bem mais magra, mas ainda muito linda. Ao fundo uma música pop. Era o vídeo promo de “The Body Wins”, disco que foi lançado meses depois.

Em “TheBody WinsSarah Jaffe chegou com um som novo para fãs como eu que esperavam algo folk como ela já vinha fazendo. No disco, Sarah larga o folk e vem com uma sonoridade totalmente pop, indie. As canções, muitas delas, boas pra dançar. O vídeo da música “Glorified High” caiu nas graças do público com a menininha Emily Hoffman dançando freneticamente. Outra canção muito significativa do disco era “Mannequin Woman”. Nas músicas de “The Body... O violão quase não se ouvia. Era uma mudança e tanto pra quem vinha acompanhando o som da moça dês do principio. E um pergunta eu me fazia, essa mudança seria só pra agora, ou seria definitiva?




Com o lançamento de “Don't Disconnect”, disco que chegou há alguns meses atrás, Sarah respondeu minha pergunta. Ao que tudo indica Sarah Jaffe abandonou o folk e se lançou no mundo pop. Como falei, é uma mudança e tanto, mas são as mudanças necessárioa que um artista procura para caminhar com sua obra, as novas formas de se expressar, e trabalhar a música, e Sarah foi se mostrando com o tempo uma cantora com muita personalidade.

Don't Disconnect” tem rodado por aqui nos meus arquivos. As canções novas de Sarah mantêm o selo de qualidade, as letras continuam muito boas.  Talvez o disco tente tratar de problemas de comunicação nos dias atuais. Na música que dá título ao disco, Sarah fala; “ Logo terei que partir...você ainda consegue me sentir? Não se desconecte.” Sarah canta isso ao som de um baixo ritmado, pulsante, como se fosse uma batida de um coração fraco, palpitante, preste a parar. O violão, companheiro da cantora em 3 discos, mau é ouvido, só aparece realmente em uma música do disco. Em seu lugar, batidas pop dançantes e guitarras com leves distorções. Como em “Fatalist” onde Sarah canta ao som de uma guitarinha distorcida ao fundo em um estilo bem indie rock.


De 2009 pra cá foram 2 Eps e 3 discos. Sarah ainda é uma cantora não tão conhecida pelo grande público, mas que segue tomando seu lugar na musica americana. Recentemente ela emprestou sua voz para fazer vocais na música “Bad Guydo rapper Eminem. Também emprestou sua voz para o curta bonitinho da Disney “The Blue Umbrella”. E vale a pena ficar de olho no que a moça faz.




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

MÚMIA NENÉM.

A dinâmica do mundo é o terror. Somos nós, com o cérebro humano, que revestimos, reduzimos o terror a uma contemplação palatável. Para assim tornar a vida e sua abjeção intrínseca e assassina – possível. A crueldade é a colmeia onde habitamos. E a substância de nossos pensamentos, ou seja, (as palavras) o mel que a reveste – tudo ao inverso.  Tudo está exposto. A crueldade do amor – maquiada. O sexo de carnes e secreções (quase um esporro laboratorial) – desejado. O nascimento – o grito do ar incendiando o corpo – porque é com o grito humano que se celebra esta tragédia em direção ao aniquilamento. Nascemos crucificados no mundo.  Para os sábios a fórmula mágica de sobrevivência é aparentemente simples, mas exige convicção e treino:
Mentiras afirmativas.
Primeiro: recusar a ideia do suicídio. Depois alimentar a indiferença a tudo e a todas as coisas – como se existisse um plano, um destino imutável que nos comanda. Por último; usar a imaginação tal qual um mantra que te convença diariamente de tudo isso – a esta entrega ao inevitável. Ao alienígena devorador – o Tempo.
O mistério da sobrevivência não é a verdade. Não são os fatos. É se enganar.  Porque a dinâmica do mundo é o terror.
Eis um planeta onde a verdade nunca existiu.

Terra: Gárgula Azul – Jorge Cardoso
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Louco. É a palavra que vez ou outra leio em comentários de post no blog do Jorge Cardoso. Quando leio os textos dele pra alguém, geralmente é o que escuto também. “Esse cara é bem louco, heim?” Não, não é dessa forma que vejo Jorge Cardoso. Na verdade o vejo como um homem são. Vejo Jorge como um são no meio do caos, um home são no meio de nós. Aí sim, loucos. Embora ele trabalhe muito com a loucura, e trabalhe bem suas histórias com esse elemento, ele não é um louco. O vejo sim como um home que traz uma verdade. E como isso não existe; a verdade. Ele traz a verdade dele para nós.

A literatura de Jorge Cardoso me chega como um homem que fez a passagem, encontrou outra esfera, entregou-se ao desconhecido, e foi aceito por ele. A literatura de Cardoso, pra mim é como de um possesso, um endemoniado. E eu gosto disso.

Com mais contos endemoniados chegou Jorge agora, com seu “Múmia Neném”, livro que foi lançado recentemente pela Editora Bartlebee. O livro infelizmente ainda não chegou às lojas dessa cidade que habito e só por isso ainda não o li, mas está sendo vendido na loja da editora. Quem nunca leu Jorge Cardoso, leia. Seus contos, sua linguagem rápida e certeira que trabalha com o tutano da literatura é algo que deve ser lido. A forma que ele trabalha a crueldade nossa humana, deve ser lida. Cardoso tem o poder de abrir nossos olhos para muita coisa, deste plano, e do outro também, e isso é algo louvável.

No Blade Santa, ele tem postado alguns de seus contos e textos pessoas.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

TWEEDY LIVE.


Eu já escrevi aqui sobre Jeff Tweedy e sua nova banda; Tweedy, projeto que ele criou com seu filho Spencer. O disco "Sukiaerae" foi anunciado meses atrás, e com o passar do tempo faixas dele foram sendo espertamente soltas na internet. Eu ficava ouvindo e me maravilhando com o trabalho novo de Jeff, mas ficava naquela ansiedade de ter o disco todo pra ouvir, entrava quase que todo dia em sites pra ver se já tinha caído na internet, essa nova loja de discos de graça. Dia 19 deste mês de setembro o New Music Releases disponibilizou o disco pra download. Foi um presente de aniversário pra mim, e de lá pra cá ouço pelo menos uma vez por dia o arquivo. Ouvir Jeff em um novo projeto, meio que distanciando do que ele faz no Wilco é algo diferente, uma nova experiência em ouvi-lo. Coisa sempre boa. 

Neste período em que o disco esperava para ser lançado, Jeff e sua nova banda foram fazendo shows de pré-lançamento, e ontem um deles foi transmitido no youtube ao vivo direto de Nova york. E lá se foi eu, claro, assistir o show. Posto aqui pra vocês, quem tiver interesse em ouvir esse novo projeto de Tweedy, ao vivo. Não sei se o show fica muito tempo na internet, as vezes eles tiram dias depois que aconteceu, as vezes não. Mas vale a pena dar uma conferida. Jeff está animado, as canções novas estão muito boas e o show é dividido em duas partes, nos primeiro 56 minutos tocam o projeto novo, depois Jeff fica só e toca músicas do Wilco e outras composições.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

BEAUTIFUL LADY.


Conheci o trabalho da cantora Jenn Grant por acaso, assistindo algum vídeo no youtube, e então apareceu link de uma música sua. Cliquei para ver/ouvir e segundos depois já tinha a certeza de que eu tinha que ouvir algo inteiro dela. Foi então que veio o disco “The Beautiful Wild” (2012), que tocou muito por aqui. Tocou tanto que chegou a marcar a época em que o ouvia. E hoje, quando o escuto novamente, me pego lembrando de ruas que andei, coisas que eu pensava, desejos sobre a vida que eu sentia na época.


Jenn Grant tem uma historia com a música um tanto interessante. Ela começou a tocar na época da adolescência, mas de repente começou a sofrer de um tipo de fobia para apresentar-se ao vivo, então parou de tocar e só voltou a fazer apresentações quase 20 anos depois. Jenn tem uma voz muito delicada e bonita de ouvir, suas canções vêm de um folk pop agradabilíssimo. Sempre tenho a sensação que quem começa a ouvi-la, simplesmente não vai conseguir parar. É o que eu sinto quando a escuto.





Nesse ano a cantora chegou com trabalho novo, o Ep “Clairvoyant”. Ep com cara de disco. As canções estão mais uma vez muito inspiradas. Grant traz nesse ep uma versão voz e piano para “I've Got Your Fire”, uma das belas músicas de seu disco “The Beautiful Wild”, e entre outras composições novas, Jenn traz um cover maravilhoso de “Lover Lover Lover” do cantor Leonard Cohen. Essa canção inclusive parece ser de outro projeto que a cantora está envolvida com versões de Leonard chamado “Aqua Alta”.




A linda loirinha de olhos verdes e voz de pássaro ainda é muito desconhecida pelo grande público, o que é uma pena, Jenn Grant é uma cantora de personalidade própria, com um som muito autoral, suas canções são sempre muito inspiradas e suas letras e melodias são sempre muito boas. Quem sabe com o tempo, Grant caia mais nos ouvidos de mais gente. Ou quem sabe ela será sempre uma cantora de público pequeno, seleto, que sabe o que é bom de ouvir.

Para ouvir on line o Ep Clairvoyant; aqui, e para fazer download; aqui.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

MORE ONE.



I was born at half past twelve, almost one in the morning
I was born at half past one, almost two in the morning
Now my birthday comes again, I don't know how old I am
Half past one or two or three, almost four in the morning

I was born at half past four, almost five in the morning
I was born at half past six, almost seven in the morning
How old am I, you ask of me? One year younger than I used to be
Half past seven, half past eight, half past nine in the morning

I was born at half past nine, almost ten in the morning
I was born at half past ten, almost eleven in the morning
Today my age is tweedle and twee, I'm prettier than I used to be
Half past eleven, half past eleven, almost twelve in the morning
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Natalie Merchant, Billy Bragg, Wilco e Woody Guthrie. Qual idade eu tenho hoje? Um ano a mais do que eu costumava ter. Mais um.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O MÍMICO.


O que faz com que um ser queira se tornar eterno? Qual medo interno de esquecimento terreno carrega dentro de si lutando tão fortemente para não passar por este mundo despercebido quando sua hora final chegar? Que necessidade é essa de transformar a hora final em um ponto de começo?

Enrique Vila-Matas diz que: “Todos desejamos resgatar por intermédio da memória cada fragmento de vida que subitamente nos volta, por mais indigno, por mais doloroso que seja. E a única maneira de fazê-lo é fixá-lo com a escrita. A literatura, por mais que nos apaixone negá-la, permite resgatar do esquecimento tudo isso sobre o que o olhar contemporâneo, cada dia mais imoral, pretende deslizar com a mais absoluta indiferença”.

Talvez possa ser isso que levou um homem chamado Vidiadhar Surajprasad Naipaul a escrever. Talvez. Mas só pode-se dizer talvez, porque os mistérios que este homem que se tornou de alguns anos para cá, um de meus escritores prediletos, são muitos. Gigantes e inimagináveis mistérios. E talvez por saber que seja assim, ele mesmo se disponibiliza a ser um “desvendador” dos mistérios do homem. Os mistérios e segredos que carregamos dentro de nós diariamente, fingindo sorriso e pensando que ninguém seria capaz de descobrir, quando basta somente um olhar para que alguém descubra o que tão sigilosamente carregamos dentro de nós. Naipaul é um desses homens que carregam um olhar possível de desvendar os mistérios, um olhar de um condenado até o final da vida, que consegue ver o desvalido, o humilhado, o oprimimido, e é capaz de lançar uma frase como “Odeiem a opressão, mas temam os oprimidos.”, na frase que tão bem poderia ser usada para descrever as obras de Michael Haneke, quanto para descrever qualquer um de nós. E ainda assim, criando uma frase dessas, não romantiza a perca.

Filho de imigrantes indianos, Vidiadhar Surajprasad Naipaul se tornou V. S. Naipaul, um dos, que se pode dizer sem medo, grandes romancistas dos tempos atuais. Naipaul foi morar na Inglaterra ainda adolescente e dizem, dês de 1954 a única profissão da qual se dedicou realmente foi a escrita. E aí está um homem no meio de tantos ditos escritores, aí está um homem que pode dizer que é realmente um escritor. E mesmo que não ganhasse a vida com o dinheiro de seus livros - coisa muito comum no meio literário, mesmo assim aí está um homem que pode dizer que é realmente um escritor.

Escrevendo sobre o fim dos sonhos, homens inacabados que constroem civilizações que sempre serão inacabadas, Naipaul escreve sobre o homem aflito e angustiado, humilhado pela própria condição de ter nascido para não ser aquilo que todos esperam que sejam. Naipaul escreve sobre a própria humilhação, sem criar romantismos nem muito menos heroísmos. Nos textos de Naipaul não existe espaço para um herói, e isso é louvável em um mundo criado por figuras idiotas que devem servir de exemplo para outras pessoas idiotas. Assim como disse Fernando Moreira Salles: “Para Naipaul não há um Admirável Mundo Novo despertando das cinzas do colonialismo. As marcas da dominação deixaram feridas abertas na consciência, nas vontades, na determinação de reencontrar uma identidade.” E é sobre um homem que tenta recriar sua identidade, uma identidade talvez nunca encontrada por ter sempre nascida perdida, que Naipaul constrói um personagem que talvez seja ele próprio, ou cada um de nós, vivendo em um mundo estranho, em uma sociedade estranha, dentro de relações estranhas, sempre rodeado de pessoas que sempre serão estranhas.

Os Mímicos”, romance escrito entre agosto de 1964 e julho de 1966 e publicado em 1967, traz a estória de um homem que poderia ser descrito como “sem nome”, e suas reflexões sobre o outro, sobre a incapacidade de ser compreendido e compreender o outro quando se propõe a escrever a história da própria vida. Um homem e suas mazelas naturais, falhas, perdas, e vazios, mas que nem em um momento é narrado como coisa gratuita. É simplesmente narrado, contado a estória de um perdido tentando encontrar na fuga de sua terra de origem, a fuga de sua nacionalidade, a fuga de sua condição de filho, irmão, amigo ou o que mais estiver acoplado a um ser. E é a partir disso que revela seu olhar do mundo para o mundo. Esse olhar talvez seja o do próprio Naipaul. Mas somente pode ser dito que talvez seja, porque como já disse, muitos são os mistérios que o escritor contém, mesmo que em seu trabalho ele se disponha a desvendar o que for possível, e guardando outra parte que possa ser importante para sua formação.

Meu prazer em reler este livro descoberto e lido anos atrás foi bem maior que a primeira vez que o li. Mesmo tendo sido um livro relido praticamente todo dentro de ônibus barulhentos e lotados onde além de ter que lutar contra os barulhos, tinha que lutar contra o sono matinal que me acompanha o dia inteiro, mesmo assim, o espanto em que me encontrei em “Os Mímicos” foi bem maior do que a primeira vez que o li. E penso que este livro seja um daqueles que daqui a 20 anos, ou mais tempo, ainda me criará espanto e surpresa e prazer quando reler suas frases.

Em Isabella, quando jovem, eu falava sobre cultura e sobre a necessidade de se criar uma literatura nacional, tanto quanto qualquer um. Mas, para falar com fraqueza, não sentia admiração pelos escritores enquanto pessoas, por mais que admirasse suas obras. Eu os considerava pessoas incompletas, para quem o ato de escrever substituía aquilo que, na época, eu me comprazia em chamar “vida.

Os Mímicos – The Mimic Men
Tradução: Paulo Henrique Britto
Editora: Companhia das Letras

319 páginas

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

APRENDENDO E PASSANDO A FRETE.

Romance em doze linhas

quanto falta pra gente se ver hoje
quanto falta pra gente se ver logo
quanto falta pra gente se ver todo dia
quanto falta pra gente se ver pra sempre
quanto falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto falta pra gente se ver às vezes
quanto falta pra gente se ver cada vez menos
quanto falta pra gente não querer se ver
quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.

Bruna Beber

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

FICÇÕES DA VIDA REAL.

Minha Mãe - O Felipe morreu.
Minha Avó - Ele tinha filhos?
Minha Mãe - Não sei. Sei que ouvi dizer que ele tinha muito era chifre.
Minha Avó - Vixe!
Minha Mãe - É o que diziam era que ele tinha, muito era chifre. Era muito era corno.
Minha Avó - Então foi melhor ele morrer mesmo.
Eu – HAHAHAHAHAHA
Minha mãe com cara de quem não entende.

Minha avó – É, se uma pessoa leva tanto chifre assim, melhor é morrer mesmo.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

NO CONTROL.



Find a cure
find a cure for my life
Oh my god
Oh you think I'm in control
Oh my god
Oh you think it's all for fun
Put a smile
put a smile on my face
Put a price
Put a price on my soul
Oh my god
Oh you think I'm in control
Oh my god
Oh you think it's all
Find a cure
find a cure for my life
Put a price
put a price on my soul
Build a wall
Build a fortress around my heart

sexta-feira, 11 de julho de 2014

TWEEDY.


Jeff Tweedy, vocalista do Wilco, uma das minhas bandas do coração e que mais tenho ouvido nos últimos anos, está com projeto novo, uma nova banda; “Tweedy” e com álbum para sair ainda neste ano. Nesta nova banda, Jeff conta com a parceria de seu filho, Spencer, e chegou a dizer que para realizar esse projeto sua família quase toda foi envolvida, o que da um ar bem casa, bem família no que pode vir nessas canções novas.

Jeff já mantém um tipo de “carreira solo” há muito tempo, faz shows voz e violão cantando canções do Wilco, próprias e de artistas que o influenciam. Exemplo disso é ótimo registro “Sunken Treasure Live in The Pacific Northwest”, um show bem humorado onde Jeff canta as canções de sua principal banda em meio a comentários engraçados com a platéia.

O disco que virá, intitulado “Sukiare” tem tudo para ser um álbum bem inspirado, com canções melodiosas, ótimas de ouvir, com ótimas letras, afinal de contas Jeff Tweedy hoje é considerado um dos melhores letristas do rock atual. Um dos meus prediletos, com certeza.

Junto com a boa notícia do novo projeto, Tweedy veio com o single “Summer Noon” e as poucos Tweedy vai sendo lançado na rede, como as músicas "I´ll Sing" e e a ótima "Wait For Love"dando prévia das boas músicas que estão pra chegar. Aqui você pode ouvir uma entrevista de Jeff e Spencer sobre o disco.



segunda-feira, 16 de junho de 2014

NA ZONA.


Pra quem ainda visita esse blog e tá conferindo um material inédito que estou colocando aqui, trago mais um conto, que dessa vez saiu na revista Zona da Palavra, revista da qual me tornei colaborador, ou, “zonador”. A revista é editada por Leo Barbosa e Márcio Leitão, que estão sempre colocando lá algo da nova literatura brasileira. Dessa vez fui eu, com o conto “O Afogado”, conto recente, que abre meu primeiro livro de contos ainda sem título e ainda em andamento de construção, e que ainda vai levar um tempo para dar as caras em algum lugar, mas que mesmo assim vai sendo solto aqui no blog ou em outros lugares, junto com outras coisas que tenho escrito. Para ler o conto, é só clicar aqui.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

GET DEAP!


Deap Vally é uma duo de Los Angeles. Lindsey Troy que fica nos vocais e guitarra, e Julie Edwards que fica na bateria e nos backing vocals. Conta-se por ai que as meninas se conheceram em uma aula de crochê, mas quem vai pensando que o som das garotas é paradinho e calmo, se engana. Juntas, Lindsey e Julie fazem um Garage Hard Rock bom de ouvir. O som que é um tanto limitado em acordes, ganha em energia quando você dá o play nas músicas, que vão falando de sair por ai fazendo bagunça pelo mundo, ganhar grana. Garotas que continuam com o Bad Reputation way of life.


Em 2012 elas lançaram o EpGet Deap” com o single “Gonna Make My On Money” e em 2013 lançaram o disco “Sistrionix” com 11 músicas agitadas com boas distorções. O disco pode ser baixado via torrent aqui. E vale dar uma conferida mesmo.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

TRAZ UM DEDO DO HULK AI PRA MIM.

"Em 1937, a maconha foi incluída na Lei Harrison de entorpecentes. As
autoridades argumentaram que se tratava de uma droga causadora de
dependência, prejudicial à mente e ao corpo; e capaz de induzir os usuários ao
crime. Eis os fatos: decididamente, maconha não causa dependência. Você pode
puxar fumo anos a fio, e não sentirá nenhum incômodo se lhe cortarem o
suprimento de repente. Já vi muito maconheiro na prisão e nenhum deles
apresentava sintomas de privação da droga. Eu mesmo fumei maconha
intermitentemente por quinze anos, e nunca senti falta quando estava sem.
Maconha cria menos dependência do que tabaco. Maconha não causa danos à
saúde. Na verdade, a maioria dos usuários afirma que ela exerce uma ação
tônica sobre o organismo. Não conheço nada melhor para abrir o apetite. Quando
fumo um baseado, fico logo com vontade de saborear um copo de xerez da
Califórnia e uma boa comidinha caseira.

Uma vez, cortei a dependência de junk com maconha. No segundo dia sem
junk, sentei à mesa e devorei uma refeição completa, sendo que, de hábito, fico
oito dias sem comer quando estou me desintoxicando.
Maconha não induz ninguém ao crime. Nunca vi ninguém ficar belicoso sob
efeito de fumo. Fumetas são uma raça de sociáveis. Sociáveis demais pro meu
gosto. Não entendo por que as pessoas que acusam a maconha de instigadora de
crimes não vão mais longe e pedem também a proibição do álcool. Todos os dias
você vê bêbados cometendo crimes que não aconteceriam se estivessem sóbrios.

Já se falou muito dos efeitos afrodisíacos da maconha. Por algum motivo, os
cientistas não gostam de admitir que existem afrodisíacos de qualquer espécie. A
maioria dos farmacologistas afirma “não haver evidências que sustentem a
crença popular nas propriedades afrodisíacas da maconha”. Posso dizer, sem
sombra de dúvida, que a maconha é um poderoso afrodisíaco e que o sexo fica
muito mais gostoso sob a sua influência. Qualquer um que já tenha
experimentado uma boa maconha sabe do que estou falando.

Ouve-se falar que as pessoas enlouquecem por causa da maconha. De fato,
pode ocorrer um certo tipo de demência com o uso excessivo da erva,
caracterizada por uma espécie de raciocínio demasiado alusivo e abstrato.
Todavia, a maconha vendida nos Estados Unidos não é forte o suficiente para
cozinhar os miolos de um cidadão; nos States é muito raro encontrar casos de
psicose de maconha. No Oriente Próximo parece que é comum. A psicose de
maconha corresponde mais ou menos ao delirium tremens alcoólico e
desaparece rapidamente ao se cortar o consumo. Quem fuma uns poucos
cigarrinhos por dia está tão sujeito a pirar quanto um sujeito que toma seus
drinques antes do jantar.

Mais uma coisa sobre maconha: uma pessoa fumada fica completamente
inepta para dirigir automóvel. A maconha altera a percepção do tempo e, em
consequência, também a das relações espaciais. Uma vez, em New Orleans, tive
de parar no acostamento e esperar o barato ir baixando. Eu não conseguia avaliar
as distâncias entre as coisas nem o momento certo de fazer curvas ou pisar no
freio."

William S. Burroughs in "Junky"