quarta-feira, 30 de outubro de 2013

ÁGUAS

Começa a chover,
Nos vidros das janelas
Pingos suicidas se encontram
E a cidade surge dentro de um precipício
Perante o edifício onde moro.

Sinto sede.
Minha filha acorda com o som dos trovões
E diz ter sonhado com escorpiões a lhe ferir a pele.
Tendo acalmá-la
Mas, ela mais branda que eu volta a dormir.

Vejo uma nuvem cinza claro
Pairando feito pedra no céu da sala
Sinto medo de um dilúvio.

Minha mulher vaga branca na sala do apartamento
Me pede que eu volte para a cama,
Me pede amor,
Sinto suas águas
E a sensação de que entro em uma tempestade
Me chega.
Seu hálito me move, me leva.
Começa a chover dentro do apartamento.

01/06/2008 03:00