segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A FLORESTA DO SUICÍDIO.



Já tinha ouvido falar da  Floresta de Aokigahara no mangá Delivery Corpse Service escrito por Eiji Otsuka (único mangá que já li, e que nem tenho mais), mas nunca fui pesquisar e acabei pensando que seria algo usado só no universo da história. Nesse documentário curto, um "patrulheiro" da floresta caminha por ela contando histórias e encontrando corpos, mensagens de suicidas e até mesmo mesmo um homem que acampava no local, provavelmente se decidindo se iria morrer ali ou não. Dizem que a floresta se tornou o local mais procurado para suicídios no Japão após o romance "O Negro Mar de Árvores" de Kuroi Jukai em que um jovem se mata na floresta.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

EU NÃO TE AMO MAIS, FORTALEZA.


Dia desses estava conversando com a Fernanda Abud, que mora em Salvador, cidade que ainda não conheço. Estávamos conversando sobre a cidade onde Fernanda mora e após eu perguntar o que ela gostava de lá, ela respondeu que quase nada, que na verdade detestava morar ali. Respondi que entendia como ela se sentia. Vivo em Fortaleza dês do dia de meu nascimento. Nasci e fui mal criado aqui, e sempre esta cidade me serviu de muitas maneiras boas. Em muitas ocasiões pensando em como seria sair daqui, me chegava a sensação de que nenhum outro lugar me vestiria como estas ruas. Vivi 27 anos de minha vida gostando de morar em Fortaleza. Mas agora, já não gosto mais.

Talvez seja esse calor que nunca passa, nunca melhora. Essa cidade que não esfria de jeito nenhum. Que nem em dia de chuva fica mais frio, e sim abafado. Você abre a porta de casa e sente aquele tempo parado, sem vento, e sai de casa com a sensação das ruas em estado abafado. Esse sol que nasce todo dia sem dó, queimando tudo, calor maltratando. Talvez seja esse calor humano cearense que não passa nunca.

E essas pessoas. As pessoas fakes dessa cidade. Os intelectuais, os cults, pessoas inteligentes pra todo momento e situação com opiniões sempre bem pensadas de quem passam muito tempo em casa, raciocinando pra conversas futuras em bares, ou postagens em twitters e facebugs. Existe muito ócio, muito tédio nas pessoas dessa cidade. Fortaleza é uma cidade tediosa. Não se tem o que fazer aqui, não se tem aonde ir. O novo bar é o novo lugar do momento para se conhecer e se morar nos fins de semana até a exaustão. Até que o lugar já não seja mais novidade, até que já tenha ido com todos os amigos, paqueras, ficantes, namorados.

São essas pessoas tediosas que essa cidade alimenta. E mais do que entediadas, é muita gente carente. Você cruza diariamente com rostos tristes implorando amor. Você caminha nas ruas e as pessoas parecem bichinhos pedindo amor, você se conecta em redes sociais e as pessoas parecem cachorrinhos pedindo amor e atenção, reclamando de solidão e tédio, tristeza e agonia, se convidando para eventos, qualquer um que seja, não importa, só me tire de casa, do meu tédio, da minha vida, e me leve para passear em algum lugar, qualquer lugar no qual eu nunca mais possa voltar.

São os artistas desvalorizados. São os músicos que estão criando bandas, pensando em discos, shows, que só serão escutados e vistos pelos amigos. E caso a pessoa não tenha muitos amigos nessa cidade, não será visto por muitos mais. Toda arte criada nessa cidade, parece morrer nessa cidade.

São os transportes coletivos demorados e lotados de calor humano que eu nunca quero ter por perto, com motoristas que simplesmente não param quando você acena dando sinal de parada porque estão com medo de assaltos nos coletivos. É essa cidade pintada com desigualdade. Esse país. E pra onde você vai é o medo companhando, de ser assaltado, morto, por causa de um celular, uma carteira vazia.

Vejo gringos andando nas praias de Fortaleza, comendo nos restaurantes carros de Fortaleza, e me pergunto; por qual razão essas pessoas escolheram vir pra esse lugar quente e feio feito o inferno?

É Fortaleza, convivi bem com o teu calor, com as pessoas que vivem em ti por 27 anos de minha vida. Mas hoje, eu só consigo pensar que; Fortaleza, eu não te amo mais, nem te quero mais. E nem tenho ainda outro lugar aonde ir.