domingo, 24 de fevereiro de 2013

OS DOIS.



Acho que o Interpol estava para lançar o quarto disco quando saiu a notícia que Paul Banks iria lançar um disco solo. Não sei se realmente era nessa época exata ou eu que só vim descobrir nessa época. O disco saiu mesmo, e até hoje não entendi porque Banks assinou como Julian Plenti. Tentativa de criar um alter ego, um pseudônimo desvinculando-se totalmente da banda ou qualquer outra coisa? Seria difícil por completo, a voz de Banks que tanto inicialmente foi comparada a Ian Curtis, firmou seu espaço, ficou na músca indie dos anos 2000 sendo difícil não escutar e dizer; É o vocalista do Interpol. De toda forma, Julian Plenti is... Skycraper lançado em agosto de 2009 mostrou mais uma face de Banks. Dessa vez como Plenti, continuou cantando músicas soturnas, melancólicas com riffes de guitarra marcantes, abrindo espaço para canções dedilhadas em violão melódico. Uma das boas músicas do disco foi “Games for Days”, onde no clipe Banks/Plenti contracena com Emily Haines, sempre provocante da maneira certa. O clipe talvez mostre de forma também misteriosa essa dualidade que o vocalista gostaria de passar. Pra quem ainda não ouviu e quer, aqui um link para download em torrent.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O PRIMEIRO.



O Primeiro.
Caminhava lento por ruas da cidade. Um cigarro na boca. Perto das 5 horas. Já não tinha um sol tão forte acima de minha cabeça. Caminhava despreocupado, atento, por ruas sujas, os pés quase pisando em poças d´água, lama, sujeira nos cantos das calçadas, frutas podres jogadas. Cheiro de mijo. Algumas ruas dessa cidade fedem a mijo e a merda. Em algumas o cheiro é mais forte. Nesta onde caminho é mais fraco. Ainda assim dá pra sentir.
Mais um quarteirão, e então passo em frente a uma igreja que nunca entrei. Curioso pensar nos vários lugares nesta cidade formiga formigueiro onde nunca pus os pés. Faço o sinal da cruz e atravesso a rua. A pista molhada e hoje sequer choveu. Cidade suja, calçadas sujas. Dobro a esquina, avisto a casa, agora mais próxima, dou uma última tragada no cigarro, a fumaça sobe transformando-se em nuvem, nevoeiro sobre os olhos. Jogo a ponta do cigarro no chão. Cidade suja.
Atravesso a rua, olho pros lados, não vem carro. Estranho as ruas estarem tão vazias em plena sexta-feira, agora 5 da tarde. Os pés tocam a calçada, o coração dentro do peito dá um soluço. Aproximo do portão de ferro quadriculado com pintura branca descascando. Lá dentro uma mulher me vê e vem abrir o portão. Passos arrastando chinela. Um sorriso sem vontade. Vai abrindo pra que eu entre.
-A Sara está? Pergunto.
-Tá sim, lá dentro. Entra e espera, já vou chamar. Responde com voz despreocupada.
Ela se retira e segue em um corredor. A sala não muito grande. Uma TV no canto, dois sofás formando um L, uma mulher sentada no sofá de dois lugares com as pernas trepadas em um banquinho, bebe cerveja e assiste TV, me olha e depois volta pra TV. Não demora muito e dos fundos da casa a outra volta arrastando as chinelas.
-Ela já tá vindo. Pode sentar aí, quer uma cerveja? Fala sem olhar para mim.
Respondo que não com a cabeça sem saber se ela viu ou não. Já tinha bebido e hoje meu dinheiro tá curto. Sento no sofá de 3 lugares. A mulher senta do lado da outra que bebe cerveja e vê TV. Senta do lado dela e puxa uma serrinha do canto do sofá, e então começa a passar nas unhas.
Não foi difícil encontrar o lugar, já conhecia a rua, conhecia a casa de vista. Nova moradia de Sara.
Dos fundos da casa ela surge com seu andar mole, um tipo de desfile. Me olha de longe e sorri. Eu levanto quando ela se aproxima. Sorriso em seu rosto.
-Vêio cedo, amor. - Ela fala.
Dou um sorriso pra ela.
É que queria ser o primeiro.
08/07/07 03:40

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O VENTO.



Acabei de ver esse curta via companheiro Ismael Angelus, que felizmente lembrou de me passar o link. Paperman é uma daquelas animações bonitinhas demais. Dirigida por John Kahrs, vai falar sobre destino. Compartilho com vocês.