quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

AQUILO QUE PERDI PELO CAMINHO.


5 anos é tempo que passa. Dependendo das experiências que se vivencia, 5 anos pode passar ligeiro. Ou bem lentamente. Para a banda Vanguart, 5 anos foi definitivamente um tempo de mudanças e experiências. A banda saiu de Cuiabá e ganhou as estradas do Brasil. Passou a morar em São Paulo e ganhou espaço no cenário da música Brasileira. Trabalharam em projetos paralelos e amadureceram como músicos. 5 anos foi o tempo que passou para gestar o segundo disco da banda, e no meio de 2011 saiu “Boa Parte de mim Vai Embora”, para acabar com certo silêncio e trazer alegria dos fãs. Que sim, para os fãs que a banda conquistou, 5 anos passaram muito devagar na espera de mais um trabalho.
Boa Parte de Mim Vai Embora” foi lançado pelo meio do ano de 2011, e talvez seja um novo marco para o Vanguart. A banda que veio do cenário independente teve seu primeiro e ótimo disco lançado e distribuído junto com a Revista Outra coisa, a boa e infelizmente finada Outra Coisa. Do lançamento do primeiro disco para os anos que seguiram, Vanguart tomou espaço na música, teve musica recebida como hino da geração 00, foi chamada para gravar em uma grande gravadora e nisso perdeu o título de banda independente para alguns. Neste tempo gravaram um DVD registrando este processo. Passaram também pela tensão e pressão do segundo disco, o que o público e a critica esperavam. E então nasceu Boa Parte de Mim...

No segundo disco, Vanguart surge novamente com boas composições, e embora boa parte da imagética das canções de Hélio Flandres não tenha surgido tão bem neste trabalho como era extremamente presente no disco de estreia, as canções são muito bem compostas, diga-se em letras e em arranjos. A formação Folk Rock continua, e dá para ver certo experimentalismo nas músicas. Essas vieram mais carregadas de dor e perdas, o disco é levado sobre uma tristeza pungente. As canções falam de relacionamentos que não deram certo, sensações e sentimentos que se perderam pelos caminhos de vida, essas partes, essas vidas que perdemos pelos caminhos que percorremos. Boa parte de mim... É um disco extremamente carregado, pesado, que poucas vezes encontra uma luz. Em poucos momentos você consegue respirar um pouco mais tranquilo, em poucas canções você consegue sentir alguma alegria, mesmo que nestas canções mais alegres você sinta o peso daquilo que se perdeu. “Mi Vida Eres Tu”, que abre o disco com Hélio cantando em português e espanhol, “Eu Vou Lá”, “Onde Você parou” e "Das Lágrimas" cantada pelo baixista Reginaldo Lincoln são exemplos dessas canções em que o tom alegre mais festivo e dançante aparece, mesmo que as canções falem sim de percas que podem ter sido dolorosas.

No final da audição do disco, a sensação de encontro com aquilo que se perde por aí é sentido, mas também quem escuta consegue distinguir um trabalho de extremo bom gosto de uma banda que continua caminhando neste cenário de música em um país tão difícil de viver de arte de verdade, e a certeza de que Vanguart vai aos poucos se firmando como uma das bandas mais importantes do cenário independente (mesmo que já estejam em uma gravadora não independente). E que lógico, eles ainda tem muito trabalho bom a ser feito. E que com certeza irá ser.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

QUEM SABE ALGUMA ESPERANÇA.


Neste próximo domingo 29 a “Hopeless”, banda que já tocou muito nesta cidade e que tinha fechado trabalhos irá voltar à ativa por uma noite e fazer uma apresentação no Brom´s Party House. Quem irá fazer barulho para abrir a noite serão as ótimas bandas “Dead Leaves” e “Remains”. São 10 pilas a entrada e tá marcado o lance para 16:00 h, mas sabemos que show não começa nessa hora mesmo.
Essa seria a volta de uma das bandas autorais da cidade solar Fortaleza, ou é só por uma noite mesmo? Não sei, mas espero que a noite vingue e que outros músicos voltem com suas bandas para fazer shows, mesmo que sejam esporádicos. A “Psico Indie”, por exemplo, seria muito bem vinda a voltar seus trabalhos gerais.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

THE QUEENS OF NOISE.




Em 1977 The Runaways lançou seu segundo disco; “Queens of Noise” e embora não ter sido assim como o primeiro trabalho da banda, muito bem aceito, trouxe alguns dos grandes hits da banda, as ótimas "Queens of Noise" e "Take It Or Leave It", “Neon Angels on the Road to Ruin” "Born to Be Bad", "Califórnia Paradise", "Hollywood”. As letras que foram quase todas escritas entre Kim Fowley, Joan Jett e Lita Ford, falavam de drogas, sexo, festas e garotas selvagens que saíram de casa para tocar em uma banda de rock, em fim, músicas fáceis de cantar quando você ouve pela primeira vez.
Se o som dessas fugitivas da vida comum e do tédio que cobre tudo para a vivência da grande e melhor religião que é o rock and roll estava amadurecendo e ficando melhor, o mesmo não podia ser dito do relacionamento entre as garotas. Provavelmente as brigas já tinham começado no período do primeiro disco. Brigas e os problemas com drogas. Cherie Currie começou a abusar do uso de cocaína e bebidas, e as brigas comiam de pau entre as integrantes da banda. Fowley também foi um dos responsáveis por diversas dessas complicações, muitos falavam da forma em que ele vinculava o nome da banda fazendo um marketing grande demais em cima delas, explorando a sensualidade das garotas, criando ali uma imagem de rebeldes sem causa para muitos, apenas garotas que queriam tocar e aparecer, sem ter muita preocupação com o som feito. Coisa que nunca pode ser levada a sério tendo Joan Jett no projeto, uma mulher que sempre levou o amor à música como algo crucial em sua vida.

Talvez “Queens of Noise” fosse o começo do fim das Runaways, talvez ali a tensão já estivesse subindo cada vez mais entre as moças, e convenhamos, colocar 5 mulheres juntas trabalhando, não é algo muito fácil de levar por muito tempo. Depois deste disco, ainda lançaram um ao vivo e creio eu dois de estúdio, mas neste “
Queens of Noise” foi o último disco com a voz da bombástica Cherie Currie.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O CANTO DOS PÁSSAROS.


Sempre povoado por uma terrível insônia que não o deixava dormir à noite, e cansado de ir dormir pela manhã com o sol raiando em suas retinas, resolveu furar os olhos, arrancar e comer as córneas para resolver o problema, transformando todos os dias e as manhãs em escuridão. Assim o fez.

Hoje, dorme tranquilo pela manhã o sono que não pode dormir à noite. Mas, mais tranquilo seria se os pássaros não viessem cantar em seus ouvidos no lado de fora da casa.

05/12/05 05:05