segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

,,, Christmas night.




…and at once I knew I was not magnificent
hulled far from the highway aisle
(jagged, vacance, thick with ice)
I could see for miles, miles, miles

Christmas night, it clutched the light, the hallow bright
above my brother, I and tangled spines
we smoked the screen to make it what it was to be
now to know it in my memory.

Bon Iver - Holocene

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

PIXIES LANÇA UMA COLETÂNEA NOVA, E AGORA EU TENHO UMA RÁDIO.



Mentira, nenhuma das informações do título da postagem é real. Nem o Pixies lançou uma coletânea, nem eu criei uma rádio. Se bem que sempre tive vontade de ter uma rádio onde tocasse música independente em horários em que todo mundo costuma ouvir rádio. Verdade que faliria em uns dois meses, mas seria bom ouvir músicas não tão conhecidas ou comerciais tocando em rádios por aí. Com a internet é até fácil criar uma, mas como sou um ignorante no que se trata a computadores, nem me arrisco a fazer tal ato. Criei um conta foi no GrooveShark e minha primeira playlist lá criada foi toda dedicada ao rock massacrante do Pixies, uma de minhas bandas prediletas de toda a vida. Os escuto dês da adolescência, e até hoje não perco o tesão em ouvi-los. Com a volta da banda há alguns anos atrás, fiquei animado com a ideia de um disco novo que poderiam vir a gravar, mas essa ideia nunca foi confirmada pela própria banda, e provavelmente nunca irá realmente acontecer. Mesmo assim, sempre poderei ouvir as perfeitas músicas criadas por Frank Black, Kim Deal, Joey Santiago e Dave Lovering.

Nessa playlist que criei tentei de maneira variada colocar músicas dos 4 discos de estúdio da banda. É lógico que nem tudo que deveria estar em uma coletânea está lá, é complicado colocar as melhores de uma banda que lançava discos com simplesmente as melhores canções compostas, da primeira à última, uma banda que tinha lados Bs tão bons quanto seus lados As, uma banda que se tornou referência quando se fala em Indie Rock, mas de toda forma, Na Playlist Plane Of Sound você pode ouvir algumas das boas músicas criadas pelos Pixies.  




Depois de assistirem as distorções "malabaristicas" de Joey Santiago, deem uma sacada nessa versão que essa mocinha chamada Julia Easterlin fez para "Break My Body". Não posso dizer que ficou melhor que a versão original, mas com certeza foi bem inventiva e corajosa.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

NÃO É UMA REVISTA. LITERÁRIA.




Como eu já disse no "editorial" da "Revista", repito aqui: A ideia era antiga, criar uma revista de literatura, digo, um zine literário, de papel, que pudesse cair nas mãos das pessoas, passear por aí, ser lido no ônibus, ser deixado em ônibus para que pessoas aleatórias pegassem e lessem. Um zine totalmente dedicado a literatura. Sentei, convidei algumas pessoas, o tempo passou e o zine não foi para frente, não saiu. Mas a ideia na cabeça continuou, e depois de tanto tempo reverberando dentro, me chegou; "Porque não fazer um e-zine?" Já que estamos em tempos de internet, o e-zine poderia chegar a mais pessoas através de telas, e trazer mais colaboradores. Ok então, sentei, fiz uns convites e depois de tanto atraso aqui está, essa revista literária que não é uma revista, feita nas coxas, mas com carinho para os leitores.

A pergunta é: Para que mais uma revista literária nessa internet entupida de revistas literárias?

Nem eu sei essa resposta. E nem sei se realmente importa essa resposta. Acho que se trata mais de uma vontade de criar mais um espaço para publicações de conhecidos e principalmente de desconhecidos que escrevem por ai. Mais um espaço dedicado a literatura, essa arte que tanto gostamos. Mais um espaço onde você pode enviar o que escreve e ser publicado sem frescuras. Só uma forma de fazer o que gostamos e do nosso jeito.

Como fazer para ser publicado nessa revista que não é uma revista? Escreve para letramecanica@gmail.com enviando seu texto, e na próxima edição ele estará lá. Simples.

Nesta primeira edição contei com companheiros muito bons. Pessoas que tenho que agradecer por terem atendido tão prontamente e rapidamente meu pedido de contribuição. Paola Benevides com seu ânimo e entusiasmo foi quem mais me deu gás para colocar essa edição do e-zine no ar. Bárbara Lia tão graciosamente me enviando seus poemas e Anna k Lima de pronto me enviando seu texto. Jorge Elias também, que participa dessa edição com poemas seus e logo se mostrou interessado em participar.

Então, é isso, estou editando um e-zine literário, quem quiser participar é só escrever para o e-mail já citado ou o meu pessoal, e para ler essa edição totalmente dedicada à poesia, é só clicar aqui. Isso Não é Uma Revista Literária ainda precisa melhorar no layout e coisas do tipo, mas minha preocupação inicial foi botar ela no ar, colocar os poemas lá para que as pessoas lessem. Então vão lá e leiam.



terça-feira, 20 de novembro de 2012

QUIETA, OU EU ME MATO!



"Não Perca a Cabeça" é um curta de 2002 escrito e dirigido por André Luiz de Luiz, com a loira Bárbara Paz e Rafael Primo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O BRANCO.



Segurava canetas com a mão direita,
Tinha mania de sempre ocupar a esquerda com qualquer outra coisa.
Fingia ler livro de trás para frente,
Mas na verdade só gostava de ver as figuras.
(Sofreu muito quando ainda pequeno
O professor lhe deu um livro sem gravuras.
Trauma grande, cinco anos sem ler ou pegar em livro algum)
Considerava-se o mais diferente dos seres.
Mais comum impossível.
Pensava ser o mais estranho dos homens,
Se não, chegava bem perto.
Sonhava em ser grande,
Mas se incomodava com o fato de descender de família de baixa estatura.
Guardava as melhores roupas para ocasiões especiais,
Mas como nunca era convidado para festas ou algo do tipo
(Se convidar? jamais, muita falta de educação)
As roupas acabavam ficando velhas, saindo de moda.
Incomodado com os vizinhos pensou em mudar de casa,
Bairro,
E até cogitou sair da cidade,
Mas devido ao trabalho que teria com a mudança
Preferiu continuar onde morava.
Faz meses que não o vejo,
Mas sei que quando reencontrá-lo
Será aquela mesma coisa
Mesma conversa,
Nem vale relatar.
Comprava jornais e revistas
Mas dizia não ler
Por medo de saber o que estaria acontecendo de ruim no mundo.
Sentia-se sempre perdido
Mas uma coisa que fazia com facilidade
Era encontrar-se no mapa.

26/05/2006 07:10


domingo, 21 de outubro de 2012

O Gladiador.


Que pedaços recolher
De um domingo solípso?

A tarde que se decompõe
Ainda se equilibra nos arames.

O mar não revelou aos homens
Seu interminável recomeço.

Quem me ameaça no espelho
É o outro que desconheço.

Carlos Algusto Viana - A Báscula do Desejo

sábado, 6 de outubro de 2012

HOJE É SÁBADO.

Sábado

Hoje é sábado; não, eu é que estou sábado. Organizo o domingo assim a cozinheira o seu bolo de nozes: aparo o cabelo, engraxo o sapato, escolho a gravata de bolinha. Pouca gente na rua, os plátanos enfeitam-se da conversa de pardais.

Meninas já brincam, vestidinho branco no portão. Debruçado no livro de capa preta diz o escriturário com o lápis no ar: não te gastes, amanhã é domingo. Os cães conspiram na esquina: se amanhã é domingo, tem osso de galinha.

Solteirona descansa o cotovelo na janela: ai, tomara não chova domingo. Um gordo antegoza o domingo no prato fundo de macarrão. A amada não veio, João? Amanhã domingo estará na missa.

Alma de artista, domingo você rabisca o retrato  da menina, fita azul no cabelo, mãe e filha chateadas. Noivo, a sambiquira é com vinho na casa da sogra.  Dor de dente? Que dia desgraçado: o dentista não atende domingo.

Se você morre no sábado mais depressa esquecido.

Eis o domingo e, como todo domingo, um dia perdido - amanhã é segunda-feira.


Dalton Trevisan - Quem Tem Medo de Vampiro?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

OUTRA VIAGEM.



Como postei aqui "Viagem a Lua" de Méliès, acho legal também postar o "Viagem à Júpiter" de Chomón. O filme é de 1907, se não me engano, e é muito influenciado pelo filme de Méliès. Conta a história de um homem que decide viajar pelo espaço, dessa vez para Júpiter. Bem semelhando ao filme de Méliès, "Viajem à Júpiter" também passou pelo processo de colorização a mão, e também ganhou um trilha em 2008 composta por Xavier Pagès i Corella.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

VIAGEM NECESSÁRIA.



Assisti ontem essa versão restaurada e colorida de "Viagem à Lua" de Georges Méliès. Graças ao mestre Carlos Primati que apresentou o filme em um dos cursos que estou fazendo ministrado por ele. O filme que é de 1902 foi restaurado em 2011 com todos os cuidados, colorido e ganhou uma trilha envolvente e boa da banda Air. Confesso que gostei muito, ficou tão lindo quando o original. "Viagem à Lua" é o primeiro filme de ficção científica, e foi baseado no livro de Júlio Verne, e é difil dizer que não tenha influenciado uma leva de outros filmes no começo do cinema.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

OUÇA, O APITO DE DUQUESNE ESTÁ SOPRANDO.




Já não deve ser mais novidade, mais só vim ver sexta passada o vídeo da música do novo disco do Dylan.  O disco que parece que vai ser lançado dia 11 deste mês (um bom presente pra Setembro? Não, imagine), ainda não me caiu na internet, pelo que eu saiba. Ouvindo a música do clipe, dá pra notar a voz do Dylan bem mais rouca. De toda forma, ver um trabalho novo deste cara, é algo maravilhoso. Com 71 anos e ainda produzindo, é algo raro e bonito que só os mestres conseguem mesmo. "Tempest", é o 35.º álbum de estúdio de Dylan. Pelo que vi na internet, ele pouco falou sobre o disco, uma das coisas que disse foi que "Tempest" faz referencia ao Titanic, e que posivelmente teria uma participação de Leonardo Dicaprio no álbum.

O vídeo da música "Duquesne Whistle" foi dirigido por Nash Edgerton, que já tinha trabalhado com o cantor. O jornal The Guardian o achou "Tarantiniano". O Estadão o achou "Chapliniano", com uma dose a mais de violência. E eu o achei divertido, bem sacado. Valia só por ver Dylan inteirão com toda energia caminhando como chefe de uma turma maluca e estranha.

"Ouça o apito do Duquesne soprando/ Soprando como se carregasse meu mundo para longe/ Vou dar uma parada em Carbondale e seguir em frente/ O trem Duquesne me carregando noite e dia/ Você diz que sou um jogador/ Você diz que sou um cafetão/ Mas não sou nem uma coisa nem outra"

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

OS SUBÚRBIOS DA ALMA.




Em agosto de 2010 o Arcade Fire lançava seu terceiro disco intitulado "The Suburbs". O disco foi bem aceito tanto pelo público da banda quando pela crítica. Dizem que estreou em primeiro lugar de vendas no Canadá, terra da banda. Eu lembro de ter visto um vídeo clipe na época que me deixou instigado, mas acabei não indo procurar o disco para ouvir. Recentemente me parou nos olhos o curta-metragem "Scenes From The Suburbs", maravilhosamente dirigido por Spike Jonze. O curta é baseado no disco do Arcade Fire, e para os fãs, deve ter sido uma baita realização ver em movimento tudo que foi cantado pela banda. Para mim que ainda não ouvi o álbum, fica a maravilhosa experiencia cinematográfica de assistir uma obra bela, dirigida por um dos bons nomes do cinema recente. "Scenes..." foi roteirizado em parceria com Jonze e os integrantes da banda Will e Win Butler, que além de narrar a história, faz uma participação no curta. E o roteiro é maravilhoso, texto que eu sinceramente gostaria de ter escrito. Com muita sensibilidade  e poética Jonze dirigiu um filme muito lindo, falando sobre a adolescência, as amizades e como tudo pode se partir tão facilmente com as transformações vividas. "Scenes From The Suburbs" é um curta que fala da memória, do ato de tentar lembrar-se de um tempo que já não mais existe. A tentativa fugaz de tentar pegar pedaços que se desmancham na memória, uma areia fina que escorre nas mãos do tempo, para tentar reconstruir uma história que já ficou no passado.

Aqui você assiste legendado.




Scenes from the Suburbs from Freak! Produtora on Vimeo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

UMA ESTRELA.


Uma estrela flutuou e entrou pela persiana aberta de minha janela. Uma estrela branca, um floco de neve. Mas como um floco de neve poderia aparecer a essa época do ano, se estamos em pleno verão? Não sei, talvez seja só a madrugada.

Existem tantas coisas que ainda não sei, tantas coisas que estou longe de entender. Levando em conta minha idade já deveria saber de muitas coisas, entende-las melhor. Mas não, passo por essa vida sem dela retirar muitos ensinamentos. O tempo não para, e eu parada no ar sem saber aonde ir.

Semana passada encontrei com um antigo amigo de colégio. Quanto tempo fazia? Sete, treze, noventa anos que tudo tinha passado? . Nem me lembro direito desse tempo. Todos tão juntos, promessas que o tempo não nos separaria, a turma que sempre estaria unida.

O tempo passou e o que aconteceu? Encontro com um ou outro em ocasiões extremamente separadas. Sorrisos, às vezes uma cerveja, um sorvete, uma conversa. Engraçado, sempre algo frio. O tempo passa e leva com ele pedaços de nós.

Meu amigo me disse que estava bem, trabalhando muito, falta de tempo sempre presente, mulher, filhos, casa na praia. – “Qualquer dia apareça, vamos reunir a velha turma! O que anda fazendo?” - O que ando fazendo?! Reunir a velha turma?! – “Vamos marcar um próximo encontro, te apresento meus filhos, minha esposa.” – Provavelmente nunca mais nos veremos, ou quando nos esbarrarmos novamente o tempo terá me levado de sua memória para um já não reconhecimento. O tempo carrega pedaços da alma, espelhos do que se foi.

Acendo um cigarro, sentada na cadeira olhando para a janela com as persianas abertas. Uma lágrima escorre de um olho, não consigo segurar a melancolia. Lentamente outro floco de neve entra por um das persianas abertas, vem flutuando até cair na palma de minha mão. Branco, brilhante, quente. Seria mesmo uma estrela?



28/06/06 – 06:00

segunda-feira, 9 de julho de 2012

CINEMA DO CIARÁ.


Tinha recebido por e-mail, mas acabei de copiar lá do A Preço de Banana. E se a preguiça não for maior que tudo, vou dar uma conferida nessa mostra.

Mostra Recente Cinema Cearense, na Vila das Artes
No mês de julho, o Cineclube Vila das Artes apresenta a Mostra Recente Cinema Cearense, que exibirá obras realizadas nos dois últimos anos no estado. As exibições acontecerão sempre às quartas-feiras, a partir das 18h30, na Vila das Artes. A entrada é gratuita e ao final da exibição tem bate papo com realizadores ou pesquisadores convidados.


O cinema cearense tem se construído por realizadores de diversas trajetórias, alguns de fora, erradicados na cidade, e outros que já começaram dentro de espaços de formação mais recentes como a própria Vila das Artes, o Alpendre, e em cursos de graduação como os da Unifor e da Universidade Federal do Ceará.


Programação


Dia 11
Os Monstros - (2011 | Ficção)
Realizado por Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti


Dia 18
Epifânio (2012|Documentário realizado como trabalho de conclusão do curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes) Direção: Glaucia Barbosa
Roberto Cabeção (2011|Ficção– experimenta) Direção: Salomão Santana
É PROIBIDO PULAR (2012 | vídeo ensaio) Direção: Lucas Coelho
Ladyjane (2012 | vídeo ensaio)Direção: Samuel Brasileiro
Raimundo dos Queijos (2010|Documentário)Direção: Victor Furtado


Dia 25 
Charizard (2012 | Ficção)Direção: Leonardo Mouramateus
Elefante Invisível (2012 | Ficção realizadacomo trabalho de conclusão do curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes)Direção: Elisa Ratts
O Silêncio do Mundo (2010|Ficção) Direção: Bárbara Cariry
Não vá se Perder (2012 | Ficção) Direção: Vanessa Pinheiro
Jus (2012 | Documentário) Direção: Marcelo Dídimo

segunda-feira, 11 de junho de 2012

DEEP WITH ASA.



Alguém que eu não lembro mais me passou esse vídeo onde a maravilhosa Asa akira foi entrevistada pelo comediante Kassem, que eu não conheço nada fora isso, do seu trabalho. Já Asa, sim, sou bem fã. Asa Akira é uma das mais lindas e talentosa atriz pornô  do nosso tempo, começou sua carreira de maneira um pouco diferente, só fazendo cenas com garotas, e somente um tempo depois começou com cenas com caras, aí então, deixou o fogo correr. Sempre premiada, quase todo ano Asa ganha prêmios de melhor atriz, performance, cena e coisas e tal. Nesse vídeo, Asa comenta sobre algumas das taras e bizarrices da pornografia japonesa, molestação em trens, e como é ser uma japonesa no mercado adulto pornô americano. Linda que só ela, é de ficar suspirando.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A SOLIDÃO; POR LYDIA DAVIS.



O PEIXE

Ela olha atentamente para o peixe, pensando em certos erros irremediáveis que cometeu naquele dia. Agora o peixe foi cozido e ela está sozinha com ele. O peixe é para ela – não há mais ninguém na casa. Mas ela teve um dia cheio de aborrecimentos. Como pode comer esse peixe, que está esfriando sobre um tampo de mármore? E, no entanto, o peixe, também ele, imóvel como está, e desguarnecido de seus ossos, despojado de sua pele prateada, nunca esteve tão completamente só como está agora: violado de maneira definitiva e observado por essa mulher de olhar cansado, que cometeu o último erro de seu dia e fez isso com ele.

A MÃE


A menina escreveu um conto. “Mas seria muito melhor se você escrevesse um romance”, disse a mãe. A menina construiu uma casinha de boneca. “Seria muito melhor se fosse uma casa de verdade”, disse a mãe. A menina fez um pequeno travesseiro para o pai. “Seria mais útil se fosse uma colcha”, disse a mãe. A menina cavou um buraquinho no jardim. “Seria muito melhor se tivesse cavado um buraco grande”, disse a mãe. A menina cavou um buraco grande e foi dormir dentro dele. “Seria muito melhor se você dormisse para sempre”, disse a mãe.

AMOR SEGURO


Ela estava apaixonada pelo pediatra do filho. Sozinha, numa região rural – quem poderia criticá-la?
Naquele amor havia um componente de grande paixão. Era também uma coisa segura. O homem estava do outro lado de uma barreira. Entre ela e ele: a criança sobre a mesa de exame, o próprio consultório, a equipe, a esposa dele, o marido dela, o estetoscópio dele, a barba dele, os seios dela, os óculos dele, os óculos dela etc.

NOSSA GENTILEZA


Sonhamos em ser muito gentis com todo o mundo. Mas aí não somos nem um pouco gentis com o próprio marido, a pessoa que está mais ao alcance de nossa mão. Mas aí achamos que ele está nos impedindo de ser gentis com todo o mundo. Porque ele não quer que a gente conheça aquelas outras pessoas, é o que a gente pensa! Ele prefere que a gente fique aqui, na nossa própria casa. Ele diz que o carro é velho. A gente sabe que na verdade ele prefere que a gente só trave conhecimento com um número limitado de pessoas no mundo, ele é assim. O que ele diz é que o carro não poderia nos levar muito longe. A gente sabe que ele prefere que a gente cuide de nossa própria casa e de nossa própria família. Nossa casa não está limpa, não totalmente limpa. Nossa família não está totalmente limpa. A gente acha que o carro daria conta do recado perfeitamente. Mas ele acha que a gente pode estar querendo sair e ser gentil com outras pessoas só porque a gente prefere não estar em casa, porque a gente prefere não se esforçar em ser gentil só com essas três pessoas – entre tantas pessoas que existem no mundo exatamente as três pessoas mais difíceis –, embora a gente possa facilmente ser gentil com muitas outras pessoas, como as que a gente encontra nas lojas aonde vamos, porque lá, diz ele, é seguro ir com nosso carro.

OS ATORES

Em nossa cidade existe um ator, H. – homem alto, arrojado, fogoso – que lota o teatro sem a menor dificuldade quando faz o papel de Otelo e que causa grande alvoroço entre as mulheres daqui. Ele é muito bonito, quando comparado aos outros homens, embora seu nariz seja um pouco largo e seu tronco seja algo curto para sua altura. Sua atuação é dura e inflexível, os gestos são obviamente decorados e mecânicos e, no entanto, sua voz é suficientemente forte para que a gente esqueça tudo isso. Nas noites em que não consegue sair da cama por causa de alguma doença ou intoxicação – e isso acontece com mais frequência do que seria de imaginar – o papel é representado por J., seu substituto. Só que J. é pálido e pequeno, completamente inadequado para o papel do Mouro; suas pernas tremem quando ele entra no palco e encara as numerosas poltronas vazias. Sua voz mal consegue ultrapassar as primeiras fileiras de assentos e as mãos miúdas se agitam em vão no ar enfumaçado. Quando olhamos para ele, tudo o que sentimos é pena e irritação, mais nada, porém no final da peça nos damos conta de que estamos inexplicavelmente comovidos, como se, a despeito de nós mesmos, alguma coisa tímida e triste no personagem Otelo nos tivesse sido transmitida. Mas os maneirismos e a habilidade de H. e de J. – que analisamos em minúcias quando nos visitamos uns aos outros de tarde e sobre os quais refletimos a fundo mesmo quando estamos sozinhos, depois do jantar – de repente parecem insignificantes quando o grande Sparr vem lá da cidade grande e nos brinda com uma verdadeira encenação de Otelo. Aí ficamos tão fascinados, tão exauridos de emoção, que é impossível falar do que sentimos. Ficamos quase agradecidos quando ele vai embora e nos deixa de novo com H. e J., por mais imperfeitos que sejam, porque são familiares e confortáveis, como nossa própria gente.

O QUE EU SINTO
Hoje em dia tento dizer a mim mesma que o que eu sinto não é muito importante. Agora já li isso em muitos livros: o que sinto é importante, mas não é o centro de tudo. Pode ser até que eu entenda essa ideia, mas não acredito nela com convicção suficiente para orientar minhas ações em função dela. Gostaria de acreditar nisso com mais convicção.

Que alívio seria para mim. Não teria mais de ficar pensando o tempo todo naquilo que sinto e tentando controlar esse impulso, com todas as implicações e consequências que isso acarreta. Eu não teria de ficar tentando me sentir melhor o tempo todo. Na verdade, se eu não acreditasse que o que eu sinto é tão importante, na certa eu nem sequer me sentiria tão mal e não seria tão difícil me sentir melhor. Eu não teria de dizer: Ah, me sinto horrível, parece que cheguei ao fim, aqui nesta sala escura, tarde da noite, com a rua escura lá fora, sob a luz dos postes, estou tão sozinha, todo mundo em casa está dormindo, não há nenhum consolo em parte alguma, só eu sozinha e mais nada aqui embaixo, nunca vou me acalmar o suficiente para dormir, não vou dormir nunca, nunca vou ser capaz de chegar até o dia seguinte, não consigo continuar, não consigo de jeito nenhum, não aguento viver, nem sequer até o próximo minuto.

Se eu acreditasse que o que eu sentia não era o centro de tudo, então não seria o centro de tudo, seria apenas mais uma entre muitas outras coisas, à margem, e eu seria capaz de ver e prestar atenção a outras coisas que eram igualmente importantes e desse modo eu teria algum alívio.

Mas é curioso como você pode ver que uma ideia é absolutamente verdadeira e correta e mesmo assim não acreditar com convicção suficiente para orientar suas ações por ela. Assim eu ajo como se meus sentimentos fossem o centro de tudo e eles ainda me levam a acabar sozinha diante da janela da sala, tarde da noite. O diferente agora é que tenho esta ideia: tenho a ideia de que em breve não vou mais acreditar que meus sentimentos são o centro de tudo. Isso é um verdadeiro consolo para mim, porque desse jeito perdemos a esperança de continuar, mas ao mesmo tempo dizemos para nós mesmos que nosso desespero talvez não seja muito importante; então ou a gente para de se desesperar, ou continua a se desesperar, mas ao mesmo tempo começa a ver como nosso desespero também pode se deslocar para a margem, uma coisa entre tantas outras.
____________

6 dos contos de Lydia Davis que a Revista Piauí publicou. Escritora ainda inédita aqui no Brasil em livro, também era inédita para mim, e tenho que dizer que fiquei impressionado com a literatura dessa mulher que usa dessa matéria prima que é a vida, a solidão nossa de cada dia na vida, para produzir uma literatura. Saiu na revista que ano passado foi lançado um livro de 733 páginas com seus contos reunidos. Esperar que este seja traduzido e chegue aqui nessas bandas é algo difícil. Mas bem que poderiam lançar alguma coisa. Para ler mais alguns contos de Lydia, aqui e aqui.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

BLOGS, DOWNLOADS, TUMBLRS, FOTOS, ARTE, MÚSICA.


Eu já tinha recebido a notícia faz um tempo, e você que sabe das coisas já está sabendo que Noodles, Lamash, Kleen, Shoshanna e Yagami, saíram do Laranja Psicodélica e criaram um blogue de cinema, O Sonata Premiere.

O Laranja já é um blog conhecido onde você sempre encontra filmes cults para baixar, e já passou por bastante lance de quase terminar pelas tentativas que outros fazem  de pararem com os downloads na internet. Achei que com a saída de alguns dos colaboradores o blog fosse dar uma parada, mas continua firme com postagens quase que diárias, e deu duas crias, os tumblrs de fotos e música Laranja Foto Arte e Laranja Recomenda.

Já Noodles e companhia também criaram seus espaços. Como falei, criaram o Sonata Premiere, onde estão sempre postando downloads de filmes muito bons, e também o Projeto Chernobyl, blog mais variado, com música, cinema, cartoons, e o que mais vier.

Então, quem ainda não tinha os links, é só acessar.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O COLECIONADOR DE HISTÓRIAS.



Harvey Pekar trabalhou sua via inteira em trabalhos normais, foi arquivista de empresa, onde criava intervalos para vender discos para conseguir uma grana a mais. Conheceu o desenhista Robert Crumb quando foi apresentado a um colecionador de discos de Jazz. Harvey colecionava discos de jazz de forma compulsiva, como se fosse um viciado em drogas. Depois de conhecer Crumb e voltar a ler HQs, resolveu escrever suas próprias histórias, percebendo que existiam histórias que talvez ainda não estivessem sendo contadas. Os escritores e desenhistas de super heróis tinham que chamar a atenção das crianças e adolescente, os escritores de Hqs underground faziam seu trabalho, mas Pekar viu que talvez existissem histórias que não estavam ainda sendo totalmente contadas por aí, ou quis simplesmente contar sobre o dia-a-dia da maneira como ele via as coisas. Depois de certa luta, conseguiu em parte se livrar do vício de colecionar discos raros, que o tomava tempo, energia e dinheiro, e passou a escrever.

Começou escrevendo roteiros e os desenhando com desenhos de palitos, e ao mostrar para amigos, Crumb foi um dos que se interessou em dar uma força e desenhar suas histórias. Neste livro, "Bob and Harvey" está à mostra esse companheirismo entre o roteirista Harvey e o desenhista Bob.




Harvey publicou durante tempo sua revista "American Esplendor" onde contava suas histórias, e foi chamando a atenção do público. Sua forma de escrever e contar as pequenas coisas do cotidiano foi tomando espaço entre os leitores de HQs autorais. Harvey escreve sobre as pequenas coisas do dia a dia, aquilo que passamos e mal percebemos, como uma ida ao supermercado e a melhor forma de não passar uma hora para fazer suas compras, ou sair pôr aí e vender discos para pessoas que nem sempre querem comprar. O cotidiano com suas familiaridades.



Considerado um egocêntrico, Pekar é um autobiógrafo registrando de maneira compulsiva as histórias que se passavam ao seu redor. Ao final do Harvey e Bob, percebemos que Harvey não se curou de um vício de colecionar discos raros, mas sim só o trocou pelo vício de colecionar histórias do cotidiano. Para nossa sorte.



Bob and Harvey - Dois Anti Heróis Americanos
Harvey Pekar e Robert crumb
Conrad Editora
Scans por Rapadura Açucarada


Para baixar Bob and Harvey, aqui ó.

terça-feira, 8 de maio de 2012

OLHE OS MUROS.




O coletivo olheosmuros acabou de completar 10.000 seguidores, e no seu tumblr resolveram mandar um desafio bem legal para os seguidores e todo mundo que estiver por aí, o que me fez lembrar de uma foto que retirei já há um tempinho e ainda não enviei para eles. Pra participar do próximo vídeo você só tem que: 1 - Escolha e grave o seu muro favorito. 2 - Fale no vídeo o nome da cidade em que você está. 3 - Mande seu vídeo para olheosmuros@gmail.com 

Bora.

domingo, 29 de abril de 2012

A MONTANHA GELADA.


1

A Montanha Gelada é uma casa
Sem teto ou paredes.
As seis portas estão sempre abertas
A sala é o céu azul.
Os quartos estão vazios
Uma parede se encontra com a outra
E no centro não há nada.

Nunca tenho visitas,
No frio faço uma pequena fogueira
Quando sinto fome cozinho legumes.
Não tenho utilidade para o gado
Com suas cercas e pastagens –
Ele cria sua própria prisão.
Uma vez dentro, não pode sair.
Pense nisso –
Poderia acontecer com você.

Han Shan (Montanha Gelada), poeta chinês, século VI antes de Cristo.

sábado, 14 de abril de 2012

PEQUENA NOTA SOBRE A DIVA DOS PÉS DESCALÇOS.



"Vaga Lenta" fecha primorosamente o disco "Rogamar" lançado em 2006. Nessa pequena pérola da música, a "diva dos pés descalços" Cesária Évora canta músicas bonitas demais, calmas e ternas, melancólicas e dançantes, para colocar qualquer um para dançar em qualquer carnaval deste mundo. Estranhamente é sempre com esta música que começo a ouvir o disco, e a repito quando o arquivo chega ao fim. Amor é sempre amor. Uma dor contínua sendo uma dor. A vida é uma doce ilusão. Cesária encanta demais, impossível deixar de gostar. 

Infelizmente, em dezembro do ano passado Cesária subiu, e perdemos nesta esfera mais uma cantora de alma, mas seus mais de 20 discos permanecem por aqui, quem sabe quando pararem com essa idiotice que retirarem links de arquivos na internet possamos completar nossa coleção. Infelizmente perdi o link para download de "Rogamar", mas quem for esperto e conseguir o disco, digo e deixo a dica que vale muito ouvir essa pérola da música. Se você tem um coração e uma alma dentro desse corpo, não vai perder seu tempo.

sábado, 7 de abril de 2012

GOOD BOOKS - METAMORPHOSIS.


Good Books "Metamorphosis" from Antfood on Vimeo.

Mais uma super animação de rapaziada nova para projetos novos fazendo menção ao velho Kafka. Mais sobre o vídeo e sobre o Good Books, aqui.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O CALOR SOB UMA CIDADE FATAL



A cidade está quente, borbulhando com um calor incomum, Dwight Mccarthy depois de anos de bebedeira vivendo com a violência, agora trabalha como fotografo investigando casos de traição. Mas dentro de seu peito, seu coração parece gelado, mesmo com todo calor que Sin City evapora. Dwight se sente morto em sua vida e deseja ao menos uma vez poder retornar a sentir um calor que sentiu anos atrás em seu coração, e o nome desse calor é Ava, uma mulher com quem teve um caso anos atrás e que o trocou cruelmente por outro.

É necessário ter cuidado com aquilo que se deseja, e das sombras, Ava ressurge pedindo a ajuda de Dwight dizendo que corre perigo de vida. Entre ajudá-la e acordar o mostro que existe dentro de si, Dwight descobre que as questões são bem mais complicadas que previa com Ava, e o mistério que a envolve pode fazer sua alma gelar por completo no calor da cidade. Os mistérios que envolvem sua vida agora podem levá-lo a morte, e ele acaba tendo que pedir ajuda a seus amigos Marv, Gail e as garotas da cidade velha para resolver o caso.

Em "Sin City – A Dama Fatal", Frank Miller conta uma estória de vingança, como sempre é em Sin City, a cidade sem lei. Com seus desenhos chapados em preto e branco, Miller cria sombras maravilhosas que envolvem os personagens em uma atmosfera misteriosa e noir.
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Texto originalmente publicado no Blog Espaço Vertigem. Download da HQ no link.

segunda-feira, 26 de março de 2012

AS METAMORFOSES POSSÍVEIS.


Cafeka from Alopra Estúdio on Vimeo.

Kafka sempre será mestre literário, o tempo passa e sua importância artística se mostra em como gerações são influenciadas por seus escritos, suas atmosferas estranhas e necessárias. Eu, depois de passar um longo tempo sem ler nada do escritor, estou finalizando "Um Artista da Fome", e encontrei hoje esse vídeo feito pela Alopra Estúdio, uma produtora de Porto Alegre, que reconta de sua forma por meio de uma animação em stop motion parte da narrativa do livro "A Metamorfose", escrito em 1915. O vídeo "CafeKa" tem 2:29.

domingo, 18 de março de 2012

NÃO VAI TE AFOGAR.




"Saliva" é um curta escrito e dirigido por Esmir Filho sobre a primeira experiência do beijo na boca de uma adolescente. O curta mostra Marina em sua primeira experiência de beijar um garoto, Esmir usa uma fotografia com cores muito belas, e cria cenários sensoriais com a intenção de te colocar a realmente sentir o que está sendo mostrado. O filme feito em 2007 ganhou com um roteiro bem simples e muito bonito diversos prêmios por onde passou como melhor filme, direção e atriz, com a lindinha Hellen Vasconcelos.

Saliva
Direção e roteiro: Esmir Filho
Elenco: Gabriel Cavicchioli, Hellen Vasconcelos, Mayara Comunale
2007
Duração: 15 minutos

terça-feira, 6 de março de 2012

MARCELINHO, O ANALISTA DO PORNÔ.



Peguei esse link do Marcelinho com o companheiro Angelus. O vídeo me chegou com o melhor dos vídeos de humor feitos nos últimos tempos, coisa fina mesmo. Pra mim, o Marcelinho deveria ganhar um horário na TV, tipo aqueles programas que passam na Cultura ou outras emissoras a tarde, pra ele continuar analisando os contos escritos por aí. Enquanto esse dia não chega, e o sucesso do personagem vai crescendo bastante nessa tal de internet, ontem mesmo foi postado mais uma analise de Marcelinho. É ver  e rir.




Marcelinho é uma criação de Erik Gustavo que dirigiu, fez a edição e montagem do vídeo, e de Nigel Goodman.

quinta-feira, 1 de março de 2012

CINEMA GÓTICO E COMTEMPORÂNEO.

Começa amanhã lá na Vila das Artes a mostra Terror Gótico, de filmes da antiga e finada produtora britânica Hammer, os filmes a serem apresentados pelo grupo 24 Quadros foram produzidos a partir de meados dos anos 1950 até os anos 1970. Iniciando com “A Maldição de Frankenstein” de 1957 dirigido por Terence Fisher. Os filmes serão apresentados todas sextas-feiras as 18:30, sempre com uma conversa sobre as produções. Aqui em baixo o que vai rolar.

Programação
Dia 2 - A Maldição de Frankenstein (Inglaterra, 1957. Direção: Terence Fisher)
Dia 9 - Nas Mãos do Estripador (Inglaterra, 1971. Direção: Peter Sasdy)
Dia 16 - Drácula - O Demônio Das Trevas (Inglaterra, 1973. Direção: Dan Curtis)
Dia 23 - O Aniversário (Inglaterra, 1968. Direção: Roy Ward Baker)


já nas quartas-feiras srá apresentado a mostra Cinema Brasileiro Contemporâneo, com curtas e longas. A curadoria da Mostra ficou por conta do cineasta Guto Parente, integrante da Alumbramento Filmes e ex-aluno da primeira turma do Curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes. A cada sessão haverá debate com realizadores, professores e pesquisadores em audiovisual. As sessões acontecem sempre às quartas, a partir de 18h30.

Programação
Dia 14

"Europa", de Leonardo Mouramateus (Documentário, 19 min, CE, 2011)
"A cidade é uma só?", de Adirley Queirós (Documentário, 79 min, DF, 2012)
Dia 21

"Ovos de Dinossauro na Sala de Estar", de Rafael Urban (Documentário, 12 min, PR, 2011)
"Romance de Formação", de Julia de Simone (Documentário, 74 min, RJ, 2011)
Dia 28

"Mens Sana In Corpore Sana", de Juliano Dorneles (Ficção, 21 min, PE, 2011)
"Strovengah - Amor Torto", de André Sampaio (Ficção, 88 min, RJ, 2011)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

É CLITÓRES OU CLÍTORES?


Tem aquela piada infame, boba, ou engraçada pra caralho dos caras conversando:

- É clitóris, ou clítoris?

- Não sei cara, e tava com um ontem na ponta da língua.


Acha que não pode ficar pior, então dê uma sacada na Revista Clitores que saiu em plena terça-feira deste carnaval fajuto que acabou de acabar.


Como eles mesmos dizem, “a gente nem usa acento!” e nem precisa usar na verdade, o importante é chegar mais uma revista literária independente na internet, onde você possa ler contos e poemas, textos barra pesados de escritores que estão por aí mandando ver. E nesta edição inicial, a revista chegou chegando com bons poemas de Camila Fraga e Mário Bortolotto, textos de Adriana Brunstein e Paulão VV, contos de Bruno Bandido e Diego Moraes, uma crônica sobre literatura de Marcelo Mirisola, e ilustrações de Gustavo Duarte.
Para passar seu dedo no clitores dessa publicação que eles mesmos descrevem como “A revista de literatura mais porca que cê já viu”, vem aqui ó. E vale a pena ficar de olho no que ainda vai rolar nessa bagaça.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CARNAVAL 2012 NO FORTE.


Sexta-feira já é, e muitos já estão saindo de Fortaleza para curtir o carnaval. Para quem vai ficar na tranquilidade da cidade, estão marcados alguns dias de folia com boa música no aterro, de graça, o que é muito bom. Amanhã a programação já abre com a cantora Karina Buhr, que vem acredito eu, pela primeira vez a Fortaleza em um show bem aguardado com seu mais recente disco “Longe de Onde”. O já veterano por estas terras Otto, também chega com sua ciranda de maluco, e é sempre bom ter sua visita por aqui. Fora estes dois bons músicos, ainda vai ter amanhã Marcus Caffé e Banda, e Serrão de Castro e Banda. Aqui abaixo a programação free que vai rolar em fortaleza neste carnaval.

Fernando Catatau e Karinah Bhur em ação.

Dia 18/02 - Sábado
Marcus Caffé e Banda
Serrão de Castro e Banda
Karina Buhr e Banda (PE)
Otto e Banda (PE)

Dia 19/02 - Domingo
Orquestra Casa Blanca
Groovytown
Banda Moinho (BA)

Dia 20/02 - Segunda-feira
Batucada Elétrica de Hoto Júnior
Tarcísio Sardinha e Orquestra de Fortaleza
Baile do Simonal com Wilson Simoninha e Max de Castro (RJ)

Dia 21/02 - Terça-feira
Lú de Sousa e Forno Elétrico
Pantico Rocha e Convidados
Arlindo Cruz (RJ)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

POEMA DE AMOR.



Love is hell, hell is love
Hell is asking to be love
Emily Haines

Eu perdido entre tuas pernas brancas
Teus pêlos loiros
Sentindo o hálito do teu sexo
Desvendando os mistérios de teu corpo
Tua geografia perfeita
Norte, sul
Um mundo inteiro
E teus seios em minhas mãos.

O céu vermelho de tua boca cor-de-rosa
E o castanho de teus olhos
Analisando profundamente minha alma
Mostrando-me o caminho do desejo
Liberdade infinita
No perfume de teus cabelos
Tuas mãos
Mostrando-me o que é amar.

04/02/2006 03:28

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

WILCO LIVE IN AUSTIN. E BOA SEMANA PRA VOCÊ TAMBÉM.


Pra começar a semana bem só recebendo um link de um show na integra de uma de suas bandas do coração. Assim é. Caiu na internet o programa de TV estadunidense Austin City Limits que a banda Wilco gravou sábado passado. Em sua segunda passada pelo programa, Wilco gravou um show muito bom, mandando as músicas de seu mais novo disco “The Whole Love” em uma apresentação e gravação impecáveis. Nick Lowe que está abrindo a turnê deste novo disco da banda subiu ao palco e se juntou ao grupo para cantar uma versão deCruel To Be Kind”. Como falei, a apresentação tá impecável de boa. E enquanto eles não chegam ao Forte Fortaleza para fazer um showzasso destes aqui, fico, e fiquem vocês com Wilco Live in Austin.


Watch Wilco on PBS. See more from Austin City Limits.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CORAÇÃO DESTINADO.


Desde o início


Na escura caixa do peito

Meu coração se sabe destinado

À lança.

Dorme a serpente

Inchando seu veneno

Os escorpiões se escondem

Sob as pedras

Corre ainda meu sangue

Livre de peçonha.

Uma lâmina aguarda

Além da esquina

Uma gilete um vírus um projétil

Marcam na estrada pontos de fronteira

Na mesma estrada que caminho

Há tempos

Presos meus pés a inarredáveis trilhos.


Marina Colasanti – Fino Sangue

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

AQUILO QUE PERDI PELO CAMINHO.


5 anos é tempo que passa. Dependendo das experiências que se vivencia, 5 anos pode passar ligeiro. Ou bem lentamente. Para a banda Vanguart, 5 anos foi definitivamente um tempo de mudanças e experiências. A banda saiu de Cuiabá e ganhou as estradas do Brasil. Passou a morar em São Paulo e ganhou espaço no cenário da música Brasileira. Trabalharam em projetos paralelos e amadureceram como músicos. 5 anos foi o tempo que passou para gestar o segundo disco da banda, e no meio de 2011 saiu “Boa Parte de mim Vai Embora”, para acabar com certo silêncio e trazer alegria dos fãs. Que sim, para os fãs que a banda conquistou, 5 anos passaram muito devagar na espera de mais um trabalho.
Boa Parte de Mim Vai Embora” foi lançado pelo meio do ano de 2011, e talvez seja um novo marco para o Vanguart. A banda que veio do cenário independente teve seu primeiro e ótimo disco lançado e distribuído junto com a Revista Outra coisa, a boa e infelizmente finada Outra Coisa. Do lançamento do primeiro disco para os anos que seguiram, Vanguart tomou espaço na música, teve musica recebida como hino da geração 00, foi chamada para gravar em uma grande gravadora e nisso perdeu o título de banda independente para alguns. Neste tempo gravaram um DVD registrando este processo. Passaram também pela tensão e pressão do segundo disco, o que o público e a critica esperavam. E então nasceu Boa Parte de Mim...

No segundo disco, Vanguart surge novamente com boas composições, e embora boa parte da imagética das canções de Hélio Flandres não tenha surgido tão bem neste trabalho como era extremamente presente no disco de estreia, as canções são muito bem compostas, diga-se em letras e em arranjos. A formação Folk Rock continua, e dá para ver certo experimentalismo nas músicas. Essas vieram mais carregadas de dor e perdas, o disco é levado sobre uma tristeza pungente. As canções falam de relacionamentos que não deram certo, sensações e sentimentos que se perderam pelos caminhos de vida, essas partes, essas vidas que perdemos pelos caminhos que percorremos. Boa parte de mim... É um disco extremamente carregado, pesado, que poucas vezes encontra uma luz. Em poucos momentos você consegue respirar um pouco mais tranquilo, em poucas canções você consegue sentir alguma alegria, mesmo que nestas canções mais alegres você sinta o peso daquilo que se perdeu. “Mi Vida Eres Tu”, que abre o disco com Hélio cantando em português e espanhol, “Eu Vou Lá”, “Onde Você parou” e "Das Lágrimas" cantada pelo baixista Reginaldo Lincoln são exemplos dessas canções em que o tom alegre mais festivo e dançante aparece, mesmo que as canções falem sim de percas que podem ter sido dolorosas.

No final da audição do disco, a sensação de encontro com aquilo que se perde por aí é sentido, mas também quem escuta consegue distinguir um trabalho de extremo bom gosto de uma banda que continua caminhando neste cenário de música em um país tão difícil de viver de arte de verdade, e a certeza de que Vanguart vai aos poucos se firmando como uma das bandas mais importantes do cenário independente (mesmo que já estejam em uma gravadora não independente). E que lógico, eles ainda tem muito trabalho bom a ser feito. E que com certeza irá ser.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

QUEM SABE ALGUMA ESPERANÇA.


Neste próximo domingo 29 a “Hopeless”, banda que já tocou muito nesta cidade e que tinha fechado trabalhos irá voltar à ativa por uma noite e fazer uma apresentação no Brom´s Party House. Quem irá fazer barulho para abrir a noite serão as ótimas bandas “Dead Leaves” e “Remains”. São 10 pilas a entrada e tá marcado o lance para 16:00 h, mas sabemos que show não começa nessa hora mesmo.
Essa seria a volta de uma das bandas autorais da cidade solar Fortaleza, ou é só por uma noite mesmo? Não sei, mas espero que a noite vingue e que outros músicos voltem com suas bandas para fazer shows, mesmo que sejam esporádicos. A “Psico Indie”, por exemplo, seria muito bem vinda a voltar seus trabalhos gerais.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

THE QUEENS OF NOISE.




Em 1977 The Runaways lançou seu segundo disco; “Queens of Noise” e embora não ter sido assim como o primeiro trabalho da banda, muito bem aceito, trouxe alguns dos grandes hits da banda, as ótimas "Queens of Noise" e "Take It Or Leave It", “Neon Angels on the Road to Ruin” "Born to Be Bad", "Califórnia Paradise", "Hollywood”. As letras que foram quase todas escritas entre Kim Fowley, Joan Jett e Lita Ford, falavam de drogas, sexo, festas e garotas selvagens que saíram de casa para tocar em uma banda de rock, em fim, músicas fáceis de cantar quando você ouve pela primeira vez.
Se o som dessas fugitivas da vida comum e do tédio que cobre tudo para a vivência da grande e melhor religião que é o rock and roll estava amadurecendo e ficando melhor, o mesmo não podia ser dito do relacionamento entre as garotas. Provavelmente as brigas já tinham começado no período do primeiro disco. Brigas e os problemas com drogas. Cherie Currie começou a abusar do uso de cocaína e bebidas, e as brigas comiam de pau entre as integrantes da banda. Fowley também foi um dos responsáveis por diversas dessas complicações, muitos falavam da forma em que ele vinculava o nome da banda fazendo um marketing grande demais em cima delas, explorando a sensualidade das garotas, criando ali uma imagem de rebeldes sem causa para muitos, apenas garotas que queriam tocar e aparecer, sem ter muita preocupação com o som feito. Coisa que nunca pode ser levada a sério tendo Joan Jett no projeto, uma mulher que sempre levou o amor à música como algo crucial em sua vida.

Talvez “Queens of Noise” fosse o começo do fim das Runaways, talvez ali a tensão já estivesse subindo cada vez mais entre as moças, e convenhamos, colocar 5 mulheres juntas trabalhando, não é algo muito fácil de levar por muito tempo. Depois deste disco, ainda lançaram um ao vivo e creio eu dois de estúdio, mas neste “
Queens of Noise” foi o último disco com a voz da bombástica Cherie Currie.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O CANTO DOS PÁSSAROS.


Sempre povoado por uma terrível insônia que não o deixava dormir à noite, e cansado de ir dormir pela manhã com o sol raiando em suas retinas, resolveu furar os olhos, arrancar e comer as córneas para resolver o problema, transformando todos os dias e as manhãs em escuridão. Assim o fez.

Hoje, dorme tranquilo pela manhã o sono que não pode dormir à noite. Mas, mais tranquilo seria se os pássaros não viessem cantar em seus ouvidos no lado de fora da casa.

05/12/05 05:05