quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

EMBORA.


Eu ia fazer um texto com a lista dos 10 melhores filmes de 2011, mas então lembrei que neste ano só fui ao cinema quatro vezes. Coisa estranha e que esta ficando cada vez mais normal em minha vida, eu me distanciar daquilo que realmente gosto de fazer. Dá para ver por este blog, que praticamente abandonei neste ano, com falta de assunto, reciclando textos postados em outros lugares e poemas velhos que já foram publicados em outros blogs. É companheiros, é a vida, vamos envelhecendo e a força vai diminuindo. Só não pensei que seria tão rápido.


Vejo como estranho sentir que se chegou em um ponto em que não se pode ter mais as coisas que almejou, aquilo que achava que teria um dia, que coisas iriam mudar, que eu iria mudar. É estranho sentir que um tempo para ter certas coisas já não existe mais, como se eu fosse velho demais para tentar algumas coisas, ter certas experiências. Chega a ser dramático e ridículo sentir que estou passado demais, que o tempo foi embora. Mas realmente, o tempo foi embora.

Ele vai se distanciando e eu vou me distanciando de mim mesmo, sentindo menos vontade de fazer as coisas que me dão prazer, de me tornar alguém que me dê mais prazer. E o cinema parece que foi em uma dessas. Diferente de outras épocas em que quase todos os fins de semana ia ao cinema, neste ano fui apenas quatro vezes. O lance foi de nessas quatro vezes ter visto quatro bons filmes. “Um Lugar Qualquer” de Sofia Coppola, “Bravura Indômita” o faroeste dos irmãos Coen (que diga-se, bem foda, e eu nunca tinha tido  oportunidade de ver um western no cinema), “Contágio” de Steven Soderbergh, e “Atividade Paranormal 3”.  Bons filmes. Não que vi apenas isso durante o ano inteiro, mas o resto ficou por conta dos downloads e tela de computador.

Neste 2011 o cinema de terror me foi bem mais atraente que qualquer outro. Acho que resultado do meu convívio diário com Ju Lopes, e o convívio de um mês com o grande Carlos Primati. Dos filmes que vi de terror nenhum foi lançamento, mas se posso citar, digo dois, “Mártires” de 2008 e “Abnormal Beauty” de 2004 (que aqui no Brasil veio com o subtítulo Desejos Mortais). Quem gosta do gênero, assista que vale.

Em música e livros... Acho que devo ter ouvido uns dois discos lançado este ano, o do Tom Waits e Vanguart são exemplos que ainda estou digerindo, mas ter descoberto Sarah Jaffe e Bon Iver foram os presentes. E claro, continuar descobrindo o mestre Dylan que é sempre bom.
 
Nos livros não consegui bater o número de lidos ano passado. Li 69, esta numeração tão erótica. Talvez “Meridiano de Sangue” tenha sido o mais fodão, mas não sei. A literatura ainda não publicada por editoras talvez seja a que tenha mais me chamado atenção neste ano. O fato de ter descoberto a literatura do Diego Moraes, Camila Fraga e Mafalda Sofia Gomes, foram um dos pontos altos falando em literatura de 2011, esses me inspiraram com sopros bons literários.
Em um ano escrevi uns três contos que consegui dizer; acho que consegui. E nenhum poema que me lembre agora que tenha dito isso. Paciência.
De resto, 2011 foi mais um ano como tanto outros. É o tédio de todos os dias. É a procura por um trabalho decente que nos deixe ricos. É nunca encontrar. É enriquecer sem precisar trabalhar.

Nós vamos continuando então, enquanto o mundo não acabar por completo.











segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

QUANDO O REI PASSA.




Vi via companheiro @brunofrika o link para este vídeo da música "The King rides by" de Cat Power, música originalmente gravada no disco “What Would the Community Think de 96, disco que tocou muito por aqui. Nessa nova versão, Cat Power se reinventa como ela mesma sempre faz, mandando uma música bem mais longa que a original e com efeitos de guitarra e batida diferente, tirando o lado melancólico que dá tanta beleza a canção original. Ainda tô digerindo o som, já acostumado com a versão original que é uma das minhas prediletas do disco de 96.

Parece que Cat Power já tá com disco novo pra sair ano que vem.  E por falar em ano que vem, já estamos no fim de 2011, que sei lá, foi mais um ano parecido com todos os outros. Se em 2012 não acabar tudo como muitos dizem, nós voltamos tentando fazer algo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

TEU ÓDIO É MINHA HERANÇA.


Não me lembro de muitas coisas de minha infância. O passado passa e leva com ele pedaços do que se foi. Eu deixo que ele leve, eu deixo que ele apague em mim o que fui um dia. Já não sou mais aquele garoto que ria quando não sabia o que fazer, já não sou mais aquele que perguntava aos outros se tinha que sorrir quando tirava fotos. Não sou aquele. Eu já não dou mais sorrisos quando não sei o que fazer.
Não me lembro de muitas coisas na minha infância, existem pequenos vestígios, pequenas recordações soltas. Uma das lembranças é dos filmes de faroeste que meu pai assistia, e que eu assistia junto com ele. Filmes preto e branco com carruagens e índios e cowboys. Esses foram os filmes que assistia com meu pai quando era pequeno. Esses são os filmes que ainda assistimos, mesmo que não mais juntos.


Eu e meu pai seguimos caminhos diferentes. Ele dentro de seu jeito sério e ar calado caminhou na estrada que construiu, ou que foi ofertada a ele pela vida. Vivemos juntos mais já vivemos afastados muito um do outro. Eu dentro de meu jeito sério mal humorado, dentro de meu silêncio de quem nunca sabe ou têm o que dizer, vago sem rumo procurando uma estrada para caminhar. Estrada que cada vez parece mais distante. Eu e meu pai, mesmo juntos vivemos vidas opostas, por escolha, gênio, limitações. E ainda hoje assistimos filmes do velho oeste que nunca existiu.
Lembro na infância de vários filmes assistidos na TV. Depois as várias fitas de vídeo alugadas nos finais de semana. Quando eu era pequeno meu pai só alugava filmes de cowboys. Hoje eu já “adulto”, meu pai compra filmes no bom piratão, filmes de cowboys. Ele traz os filmes para casa, e depois de assistir sempre me passa uns bons bang bang para ver. Isso de ver filmes de faroeste nos dias de hoje pode parecer demodê, mas é algo que ainda faço com gosto, sentindo prazer em ver um tempo que nunca existiu.


Mesmo caminhando juntos, eu e meu velho estamos afastados porque nunca soubemos dizer um ao outro o que sentimos um ao outro. Vez ou outra algum sentimento sendo mostrado, alguma palavra, algum sonho não realizado que ele ainda espera realizar, e que provavelmente nunca irá. Nós sabemos que nos amamos, mas não sabemos falar isso um ao outro. Bem ao estilo de homens durões de filmes antigos, tudo se mostra no olhar.
Enquanto existir faroestes antigos e novos, continuaremos assistindo faroestes, homens durões que cavalgam em meio a um deserto, homens que falam com o olhar. Eu e meu pai. Mesmo que não assistindo juntos na mesma TV, ele sempre vai me passar uns bons filmes depois de assistir.


Diário - Quinta – feira 12/11/2009 18:38

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

INVENTANDO POESIA.



O Pai – Uma Livre Perversão” é produção dos novos realizadores de áudio visual dessa terra Fortaleza Cidade Solar. Dirigido por P.h Diaz, tem no elenco Fernando Saldanha e a poeta Patrícia Lopes. O curta com pouco mais de três minutos de duração ficou muito bom, e não sei se é só viajem minha, mas me remeteu ao cinema brasileiro do final dos anos 70 e anos 80.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PUMAS.

Todos os barulhos que são formados na rua

Transformam-se em cama e travesseiro

Para quem sabe um sono futuro.



O sol por sua vez nasce contra crepúsculo nublado

Acima de minha cabeça,

O vento traz cheiro de irmã puma incestuosa

Que se esconde na parte baixa do inconsciente.



Meu peito aberto é campo de guerra

Meu coração frágil é alvo fácil.



(De teus olhos estrelas nascem mortas

E de teu peito pássaros cantam tristezas)



Minha melancolia é derramada lentamente pela casa

E em meus olhos cristais de sono são formados.





30/09/05 – 06:15