terça-feira, 31 de maio de 2011

DESVIOS, DESCOBERTAS E ZUMBIS.

A Vila das artes dá continuidade neste mês de junho à mostra “Documentário: Desvio e Descoberta” nas quartas-feiras, sempre com um debatedor diferente em cada filme para falar e conversar depois das exibições. Neste mês de junho também terá as quintas-feiras a mostra “Quando a Noite Cai: O Cinema Zumbi de George Romero”, e como dos filmes que serão apresentados acho que só “Diário dos Mortos” ainda não vi, claro que se der estarei por lá, tanto assistindo os documentários inéditos para mim, quando rever os filmes de Romero. Segue aí abaixo o informativo oficial sobre o que irá rolar, com as datas e horários.


Documentário: Desvio e Descoberta

A Mostra Documentário: Desvio e Descoberta apresenta, na próxima quarta (01), às 17h, o filme Sem Sol (1984), de Chris Marker. A obra lança luz às reflexões sobre o tempo e a memória coletiva expressas em palavras e imagens de lugares como Japão e África. Dois polos extremos da sobrevivência. É considerado um filme-ensaio, onde uma mulher lê cartas imaginárias de um cineasta imaginário, cobertas por imagens reais. A exibição será seguida de debate com Jane Malaquias e Pedro Diógenes. A entrada é gratuita. Os interessados em receber comprovante de participação devem realizar pré-inscrição pelo e-mail estagioaudiovisualviladasartes@gmail.com. Mais informações pelo 3252-1444.


Programação

Dia 01/06 - Sem Sol, de Chris Marker (França | 1984)
Dia 08/06 - 66 imagens da América, de Jorgen Leth (Dinamarca | 1982)

Dia 15/06 - Teodorico, o Imperador do Sertão, de Eduardo Coutinho (Brasil | 1978)
Dia 22/06 - Videogramas de uma Revolução, de Harun Farocki e Andrei Ujica (Romênia/Alemanha | 1992)
Dia 29/06 - À Margem da Imagem, de Evaldo Mocarzel (Brasil | 2003)

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Quando a Noite Cai: o cinema Zumbi de George Romero.

O grupo de estudos 24 Quadros, formado por alunos e ex-alunos dos cursos de audiovisual da Vila das Artes, programa para junho a Mostra Quando a Noite Cai: o cinema Zumbi de George Romero. Romero, considerado um lendário realizador de filmes de zumbis, tem em seu currículo obras como A Noite dos Mortos Vivos,Despertar dos Mortos e Dia dos Mortos. Os filmes serão exibidos às quintas-feiras, a partir das 18h30. O grupo de estudos reúne-se todas as terças-feiras do mês, às 18h30, na Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro), para refletir sobre o universo audiovisual. As exibições dos filmes, seguidas de debate, acontecem às quintas. O grupo está aberto para os interessados em comparecer aos encontros. Informações pelo 3252-1444. (Foto: A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero)

Exibição de Filmes

Quintas | 18h30

Dia 02 - A Noite dos Mortos Vivos (1968)
Dia 09 - O Exército do Extermínio (1973)
Dia 16 - O Despertar dos Mortos (1978)
Dia 23 - Terra dos Mortos (2005)
Dia 30 - Diários dos Mortos (2007)


sexta-feira, 27 de maio de 2011

VAMOS LÁ JACK, É CHINATOWN.



Gostei deste clipe e da música “Chinatown” da banda Kitten, novidade aí para mim. A banda parece que está surgindo realmente agora, tem um Ep composto com 5 canções intitulado “Sunday School” que ainda não ouvi direito, mas que tá no site oficial da banda para ouvir e vender, “$ 0, 99” cada música. Tá baratim, mas como não tô para pagar, quem tiver um link aí ou conseguir baixar o disco todo, me passa que agradeço e até coloco aqui.

Ao que dizem a banda não tem intuito de seguir muito tempo juntos, parecem que tem o projeto de lançar um disco ou dois e depois separação. São músicos novos, e não sei o que isso significa, mas a própria gracinha que aparece sexy se remexendo toda cantando aí em cima de uma pia parece que só tem 17 anos, e não pode perder muitas aulas.

Sendo muito jovens ou não, o som da banda é bem legal, com aquele pé no passado e uma coisa nova boa de ouvir para dançar. Gostei.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

1985, UM ANO IMPOSSÍVEL.

Resenha minha de 1985 de Mark Millar para o blog Espaço Vertigem.

Quando Bill Carson me fez o convite para escrever para este blog, fiquei agradecido e melindroso. Seria eu capaz de escrever para um blog cujo assunto é HQs, sabendo eu tão pouco sobre? Perigoso. Não queria desapontá-lo, nem muito menos a quem venha passar por aqui. “Relaxe, fale daquilo que você gosta, nós não sabemos de tudo mesmo, mas estamos procurando.” Ele me disse via e-mail. Então tudo bem, enviei as resenhas sobre Sin City e 100 Balas. Fiquei contente com o resultado. E agora, o que seria? Foi então que dei a idéia a Carson de postar 1985, série do universo Marvel, que desconheço bastante. Sempre me interessei pelo universo Vertigo, sempre me foi mais atraente que mutantes e super poderes. Mas em 1985, que li para postar neste blog, encontrei uma minissérie empolgante, emocionante, nostálgica, com muitos personagens que li quando criança. E é uma criança o cargo chefe desta série.

É 1985, (o ano em que nasci) Toby é um garoto melancólico que vive fechado em seu próprio mundo. Fascinado por revistas em quadrinho, super heróis, Toby passa seus dias lendo HQs e pensando em como será sua vida. Filho de um pai extremamente talentoso, mas perdido, sem rumo e direção, que acaba tendo o pedido de divorcio por não ter um futuro determinado, Toby vê no pai a imagem de um ser mais humano impossível, um homem que tem problemas e luta de sua forma para contorná-los. Já com sua mãe a situação é diferente, casada com um homem de negócios, esperando outro filho, Toby vê nela a negação de tudo àquilo que não quer para si. E não entende o rompimento dos pais. A troca que sua mãe fez de um homem pobre e sem um futuro esperado, para um homem com dinheiro e bom futuro determinado, um “vencedor”.

Toby vê seu mundo mudar quando estranhos passam a morar na antiga casa do melhor amigo de seu pai, e dias depois a pequena cidade em que vivem ser completamente tomada por vilões das revistas que lê.

Através de um portal, vilões passam para esta realidade que conhecemos e começam um processo de destruição da cidade. Imagine viver em um mundo dito real e descobrir que os personagens de HQs realmente existem, só que vivem em outra realidade. Custa a Toby e seu pai, um garoto estranho e um “perdedor”, encontrar as saídas para estes problemas.

Em 1985, Mark Millar cria uma trama nostálgica, bela, reflexiva, bonita e melancólica, sobre um garoto perdido e seu pai, os dois tentando encontrar um lugar que possam chamar de “casa”, um lugar onde possam se encontrar, deixar de ser deslocados, perdidos. Um bom lugar para viver, como dentro da própria cabeça, ou em histórias inimagináveis. Com os desenhos de Tommy Lee Edwards Millar não esquece a ação, que torna a história excitante, são 6 edições para ler em uma sentada.

Fazer download de 1985 aqui e aqui.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

UM VAMPIRO NAS TARDES OCIOSAS

Ilustra by Carcarah.


Separado por um tempo

Que escore por ponteiros de um relógio

[morto

Atravessando uma tarde de sol negro

Que torna meus olhos escuros,

Caminho pelo dia

Sem grandes preocupações.


Respirando ar cinza

Que deforma minhas narinas e pulmões

Observando as ruínas da cidade,

Percebo

Que os prédios caminham devagar ao meu lado

Junto com o asfalto

Que vagarosamente dissolve-se

E flutua para o céu

Onde futuramente derramará lágrimas que deformará

[minha fase.


Observando a adolescência da tarde,

Percebo que sou um bruto

Em relação às horas

E aos ponteiros do relógio,

Que vagarosamente se mantém distraído

Observando meu cansaço

E meus medos

Em relação à vida.


11/04/04

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ATIRE PRIMEIRO, PERGUNTE DEPOIS.

Existe uma dupla nos quadrinhos bem conhecida, mas que vale muito sempre lembrar; Brian Azzarello e Eduardo Risso são dois caras que estão fazendo um dos melhores quadrinhos dos últimos tempos, a já conhecida e aclamada série policial "100 Balas”.

Até onde você iria para conseguir vingança? Até onde se pode ir para conseguir justiça? O que é justiça? Existe mesmo? Em 100 Balas Brian Azzarello criou uma HQ que conversa sobre tudo isso de um modo bem cru. Você foi preso injustamente, ou teve um membro de sua família ou amigo morto em algum acontecimento violento, então é encontrado por um homem chamado Agente Graves. Com ele, uma mala com provas irrefutáveis dos causadores do crime, uma arma e 100 balas não rastreáveis. Você pode em fim fazer justiça ao seu modo sem preocupação alguma de ir para a cadeia. Com situações assim, você não faria sua própria justiça? Não cobraria sua própria conta com juros e correção?

No mundo em que Azzarello vive e retrata, uma Nova York de becos sujos com gangues e palavrões, drogas, mortes e acertos de contas, não existe espaço para ética. Cada um faz aquilo que lhe parecer certo. Azzarello descreve essa cidade como quem compõe uma música suja, porém real quando se ouve, e Eduardo Riso dá vida aos personagens com desenhos vivos repletos de ângulos maravilhosos, um filme que se assiste nas páginas das revistas.

Não existem heróis nesta já aclamada série que te leva a um espaço Noir, somente a violência, caos e vingança são desenhadas, com ótimos diálogos que nos colocam nos filmes policias e de gângster que tanto já assistimos.

Para fazer download de “100 Balas - Atire Primeiro, Pergunte Depois”, 3 edições matadoras que contam a estória de Isabele “Dizzy” Cordova, uma garota que vai parar na cadeia e tem seu marido e filho morto por uma suposta retaliação de gangues, tempos depois é encontrada pelo Agente Graves e acaba descobrindo problemas muito maiores que levaram a morte de seus entes queridos. A proposta é feita, Dizzy apenas tem que escolher em fazer justiça com as próprias mãos ou não, e descobrir o que o destino lhe reserva. E o futuro para os personagens de 100 balas é sempre matador.

Baixe aqui.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

SALTOS ORNAMENTAIS NO ESCURO.

Ilustra de Vitor


Porca Prenha

-A escrita é um bicho raivoso dentro da gente. Ontem escrevi tanto que meu braço parecia uma tora de árvore perdida no rio da mesa da patroa. – Disse Zacarias.

– Oxente! Vai um trago de porronca, Zaca? – Perguntou Nestor.

– Tem outra: escrever demais enruguece a vista.

– É mermo! Os caras ceifadas dos livros da casa de sinhazinha tem tudo cara de velho passado. Ao redor dos zôlho parece as dunas do maranhão. Umas, uma, linhas invocadas de velhice.

Davam enxadadas certeiras no chão seco e sem vida no quintal da fazenda. Um passo a mais estouraria o dedão do outro e logo entrariam em desavença. Daria fim na prosa lírica de manhã de terra molhada de garoa; colocariam panos envelhecidos na sela do cavalo doado sem olhar os dentes e partiriam sem rumo em busca de porta onde lhes dessem canseira e um prato raso de comida. Homens pobres e banguelos, pessoinhas de bom coração. Tão almas límpidas que eram forasteiros e não tinham chapéus boiadeiros para se envaidecerem no deserto do abandono de suas próprias vidas.

– Ê, Zaca!
– Fala cabra!

– Vós já lestes coisa que escorreu choro da vista?

– Vamo deixar de prosa e vamo trabalhar é que é.
– Samo de compadria antiga. Fala macho, que foi? Pode se abrir que sou teu camarada.

Zacarias fez migué de choro. Enxugou o suor da testa, dando uns estalos nos dedos. Desses que os peões dão no alto das obras dos prédios quando estão agoniados de quentura na venta. Procurou uma dose de pinga pra arder na goela e ai combinaria com a pergunta tragicômica do camarada:

- É, é, é. Vamo deixar dessas perguntas Nestor. – Disse Zacarias enrolando a fala como esses gagos encabulados que cruzam de frente com uma galega bonita. Ficaram calados. As enxadadas pareciam machadadas violentas. Como se a terra tivesse culpa das desilusões do mundo. O sol ardia...

- Calma, calma, homem! Não chore! a terra não sangra. Roça devagar se não tu quebra o cabo da enxada. dá um abraço aqui. Quero sentir o teu cheiro de marcenaria molhada. Dá que vou deixa dessa prolongação de raiva. – Disse Nestor.

Os dois apertaram-se forte e demoradamente como se o gambá fizesse as pazes com a raposa e do nada começou chover forte na terra seca de inferno rachado de sertão provocando sorrisinhos nos cantos. Se a vida fosse literatura pura, brotaria uma flor de plástico bem no meio deles, e despencaria frutos aos montes, e os cães correriam destrambelhados adubando os campos alegres, e as moças pegariam a ventania vespertina de portas abertas.

- Sabe, Nestor o dia que mais chorei na vida foi o dia que li o bilhete da Carminha. Num papel de pão amarrotado, ela disse que estava engordando como uma porca prenha, mas na verdade era uma menina que viria chorar o mundo.

Nestor puxou do bolso uma caixinha de fósforos úmida tentando dedilhar um samba antigo:

- Hoje tá arre de bom pra beber. Sabe que toda taberna que vejo me lembra Noel rosa?
- É. E todo passo bêbado me lembra Cartola. Os dois caminharam e olharam pro sol.

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O livro de estréia de Diego Nascimento MoraesSaltos Ornamentais no Escuro” poderia terminar aí, que já seria perfeito, já em seu primeiro conto; “Porca Prenha” Diego banha o leitor com uma força e sensibilidade incrível, preparando para o que o livro virá trazer. O livro não teria forma melhor de começar, a história de 2 homens, trabalhadores braçais que se banham com uma sensibilidade encontrada na escrita. “-A escrita é um bicho raivoso dentro da gente. Ontem escrevi tanto que meu braço parecia uma tora de árvore perdida no rio da mesa da patroa. – Disse Zacarias”. Diz Diego, falando deste trabalho tão árduo e complicado para alguns que é escrever. A literatura de Diego Nascimento Moraes é uma literatura crua, forte, mas com uma sensibilidade que abre espaço para criações poéticas, imagens poéticas derramadas nos contos, estórias contadas sobre homens comuns, escritores e artistas solitários em que às vezes o escritor os coloca em situações Kafkianas com doses de poética Baudelairiana como no conto “O Adestrador de Tempestades”.

“Saltos Ornamentais no Escuro” é um livro rápido com contos curtos, para ser lido bem devagar, com bastante cuidado e atenção, os detalhes se mostram de maneira boa e surpreendente para o leitor desavisado. Os contos não são explicados ao leitor, e sim entregues como novas aparições em um mundo estrangeiro, mareado, coberto por uma neblina que tem que ser dissipada, mas neblina que sempre volta.

Algumas histórias aparecem dialogando entre a escrita literária, teatral e cinematográfica, e é neste caminho que parece que Diego Moraes está andando cada vez mais, observando os contos novos que são postados em seu blog “Urso Congelado”, onde você pode encontrar os contos de “Saltos Ornamentais...” e as mais recentes criações do escritor.

domingo, 1 de maio de 2011

AS NOITES PERTENCEM AOS MICHÊS?

Mais do Mesmo


Crepúsculo nos telhados.

Um cão abandona seu buraco de dormir

Pronto para roçar as feridas expostas

Nas pernas de transeuntes

Com rostos-zumbis.


A cidade tem cheiro de crack,

Cara de junk.

Há um cadáver guardado

Dentro de um carrinho de supermercado,

Há um protótipo de humano

Pronto pra surfar no trem,

Um rodízio de protozoários

Nas saladas do fast-food.


Crepúsculo nos telhados.

Saio do hotel com meu michê

Morto-de-fome.

Seu traje sexy é um

Uniforme gasto de grife.

Durante o dia trabalha

Num trapiche.

À noite, dá duro.


Há poças quentes de lixo coagulado

E um arranjo de flores

Empapuçado de vômito.


Entro na lanchonete

E pago o combinado.

Desconto o preço da cerveja

E desapareço.


É só um a mais

Dentro do mesmo.

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Depois de ter sido deletado do Blogger sem motivo aparente e aviso prévio, o escritor Amirtom Alves chega com mais uma morada, e recria o Tom Zine no wordpress. O Tom Zine existiu durante muito tempo em papel no formato do bom e velho e saudoso fanzine, depois se tornou o blog Paredes Teto, e agora é
Tom Zine no wordpress. E por lá Amirtom vai continuar postando seus Poemas Concebidos com Pecado como este aí acima, seus Contos Insensatos, e suas matérias sobre o mundo GLS e sobre o mundo literário. Amirtom é um escritor que eleva sempre a literatura em seus comentários, e isso já é mais que bom para ler seu blog. Dica aí.