quinta-feira, 31 de março de 2011

CINEMA POLONÊS E PORTUGUÊS NA VILA.

Reza uma lenda que Krzysztof Kieslowski não gostava muito de cinema, que considerava apenas seu trabalho. Gostando muito ou não, Kieslowski produziu obras maravilhosas na grande tela, obras como “A Trilogia das Cores” e o conjunto de filmes inspirados nos 10 mandamentos; “Decálogo”, e são com estes filmes que o Cine Clube da Vila das Artes inicia seus trabalhos neste 2011. A amostra acontece com parceria do Sesc Fortaleza que é detentor dos direitos autorais para exibição dos filmes. E parece que na abertura terá a escritora Larissa Vasconcelos falando sobre a obra do polonês. Segue aí os dias em que os filmes serão apresentados:

Dia 4

Amarás a Deus Sobre Todas as Coisas

Não Invocarás o Santo Nome de Deus em vão

Dia 5
Guardarás Domingos e Festas de Guarda

Honrarás Pai e Mãe

Dia 6
Não Matarás

Não Cometerás Adultério

Dia 7
Não Roubarás

Não Levantarás Falsos Testemunhos

Dia 8 - Encerramento
Não Desejarás a Mulher do Próximo

Não Cobiçarás Coisas Alheias



Quem também irá ter filmes apresentados neste mês de Abril e começo de Maio é o diretor português Pedro Costa, nome ainda desconhecido por mim, e como diz na própia vila das Artes: “O cinema de Pedro Costa é uma fusão de linguagens que vai da ficção ao documentário, entrelaçando temáticas variáveis com recortes estéticos, sociais e políticos. A mostra do ciclo recebeu a curadoria de Ticiana Augusto Lima, aluna do Curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes. A Mostra tem início às, 17h, na Vila das Artes, Rua 24 de Maio, 1221, Centro. O novo ciclo inaugura uma nova temporada do Cineclube. A partir de agora, interessados deverão fazer uma inscrição prévia e todos os participantes com no mínimo 80% de frequência receberão uma comprovação de participação. Basta enviar um email para estagioaudiovisualviladasartes@gmail.comsinalizando o interesse em participar. Também será enviado ao participante um texto contextualizando o que será debatido após a exibição do filme. ” Sendo assim, só indo ver mesmo e conferir.

ABRIL

Dia 19
Casa de Lava (Drama -1994)

Debatedora: Geórgia Pereira

Dia 20
Ossos (Ficção - 1997)

Debatedor: Marcel Vieira


Dia 27
No quarto de Vanda (Documentário - 2000)

Debatedor: Osmar Gonçalves

MAIO

Dia 4
Juventude em Marcha (Drama – 2006)
Debatedor: Diego Hoefel

DIA 11

Ne change rien (Documentário – 2009)

Debatedor: Guto Parente

sábado, 12 de março de 2011

1, 000 YEARS.

Depois de muitos anos liderando muito bem o Sleater-Kinney, banda garage rock punk Riot Grrrl nos anos 90, depois do disco "The Woods" a banda resolveu dar uma parada. E a pergunta ficava no ar: Quando vão voltar? Irão mesmo voltar? O que Corin Tucker irá aprontar agora? Pronto, depois de anos liderando a banda, Corin Tucker lançou neste fim de 2010 com sua nova banda The Corin Tucker Band o disco solo intitulado “1, 000 Yars”.

Diferente do que fazia no Sleater-Kinney, onde o som era mais pesado e mais gritado em muitas situações, em The Corin Tucker band, Corin reaparece com um disco mas calmo, mas ainda muito rock, com canções fortes e com boas guitarras, fazendo o que sabe fazer de melhor, cantar e tocar guitarra, mandar seus riffes bons e seu vocal sempre maravilhoso, cada vez de um modo mais maduro.

O disco tem 11 faixas que intercalam o rock vigoroso com alguma balada mais calma. Começando com a maravilhosa “1, 000 Years, uma de minhas prediletas que ficam no repeat para ouvir aquela guitarra distorcida e com efeito tremido no fundo dando base a boa melodia cantada por Corin. Em seguida vem “Half a World Away”, música com começo experimental caindo para um bom rock no final. “It´s Aways Summer” é uma música mais calma, com violões dedilhados e refrão bom de repetir. E intercalando sempre com boas músicas distorcidas como a maravilhosa “Doubt” e “Ripley”, músicas como “Dragon” são mais calmas, com melodias boas, violões dedilhados e solados, e violinos trazendo mais beleza. A distorção prevalece, mas o disco termina com “Miles Away”, onde Corin canta ao som de um piano, só ela e o piano.

1, 000 Years é disco que tá rodando muito por aqui, e como já disse o Eduardo Carli, escutar 1, 000 Years é como reencontrar uma antiga companheira boa de conversa, na qual você já passou muito tempo junto, conversando, ouvindo um som, fumando uns cigarros, cantando junto.

Para quem ainda não ouviu e quiser ver Corin Tucker solo, vai aqui o link para fazer download do disco pelo Mediafire, que peguei no ótimo Depredando o Orelhão.

quinta-feira, 10 de março de 2011

ASSIM SERIA BOM.

Então o carnaval passou, e a tristeza nossa de cada dia volta, é hora de acordar cedo, trabalhar, estudar ou qualquer outra coisa. Não que seja um cara que goste muito de carnaval, mas 5 dias de folga até de gente é mais que bom, é maravilhoso. E sou um cara que não vê a sentido na vida com a falta de prazer. A volta neste dia foi tão lenta e sonolenta que até esqueci que eu e minha companheira postamos ontem no CaJuzine uma lista de atrações que faria um carnaval ser realmente bom para quem gosta de boa música. Vê e me diz se para um carnaval assim você não iria querer ir.



terça-feira, 1 de março de 2011

UM PULO NO ESCURO.

Xu é um famoso ator chinês que um dia já foi galã, e hoje irritado com a bajulação do sistema toma um lugar em começo de uma decadência física e profissional. Depois de lançar seu filme no Brasil é incriminado pelo suicídio de um antigo amigo, e só vê como fuga se entregar ao desconhecido do dia a dia, tentando fugir quem sabe de si mesmo.
Hermes é um escultor disciplinado que se deixou endurecer pela vida e pela dedicação de sua própria arte tentando trazer vida a esculturas para amenizar fantasmas de seu passado. Anti-social, vê sua vida mudar de rumo e entrar em processo de quase loucura quando decide aceitar o convite de um cineasta onde será o personagem principal de um filme sem roteiro, sem direção, e que depois se mostra em um novo fantasma em sua vida.
Vitório é vendedor de uma loja de ferramentas, é procurado por mulheres que gostam de serem amarradas na cama. Ao conhecer Lara, uma moça frágil e a coisa mais linda que já viu na vida, tenta repreender seus instintos em um relacionamento onde a destruição parece ser o combustível principal para uni-los e afastá-los.
Rique é um jovem playboy perdido na vida, que se encontra mais perdido quando seu tio, o homem que o sustenta, descobre que ele está dormindo com sua mulher, e decide mandá-lo para fora de casa. Em outra cidade, longe de tudo aquilo que conhece, se vê mais perdido que sempre e tenta se agarrar em Dante, um antigo amigo encontrado ao acaso na rua, para tentar encontrar algum caminho. Preso em sua futilidade de querer comprar tudo o que vê, segue em uma solidão melancólica.
Túlio é um escritor deprimido que mantém um relacionamento bonito com sua ex-esposa. Cercado de remédios, tenta melhorar de sua doença procurando algo na escrita, mas com receio de se entregar demais e afundar-se em seus próprios conflitos. Unido com a mãe de sua filha que já forma outra família, os dois se mantém unidos pela substancia ou sensação que um dia os separou.

Cachalote, primeira graphic novel do contista e romancista Daniel Galera, é um quadro negro de 6 histórias que não se cruzam, mas que não deixam de ter alguma coisa em comum, a vida. Desenhada em preto e branco por Rafael Coutinho, as histórias são apresentadas com um mistério, talvez todas com o mesmo mistério que não parece ter solução algum. As narrativas são desenhadas de maneira dramática, cortadas com um realismo fantástico. A vida é apresentada como um mistério sem solução, um vento que sopra mais forte trazendo uma intuição e não resposta, uma baleia gigante encontrada solitária em uma praia deserta sem uma resposta do quê significa ou de como e porque foi parar ali.


Cachalote – Daniel Galera e Rafael Coutinho
Editora: Companhia das Letras
280 páginas