quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

PSICODELISMO ANOS 2000.

Depois de terem lançado no comecinho de 2009 o maravilhoso e viajante Forest Fortress, a banda de São Paulo Inverness mandou há alguns meses o belo disco “Somewhere I Can Hear My Heart Beating”.

Seguindo o modo de produção da banda, assim como o maravilhoso “Forest Fortress”, “Somewhere...” traz músicas viajadas e muito bem compostas. E ainda estou ouvindo o disco, bem devagar, assim como foi com “Forest...”, que virou trilha sonora para muitos dos meus dias.
Com influências que vão de “My Blood Valentine”, “Radiohead” e “Spritualized”, Inverness compõe músicas onde as temáticas são os sentimentos, experiências com a natureza, experimentalismos poéticos cantados em inglês por Lucas. Fazendo um som experimental, psicodélico em meio aos 2011 em que vivemos, Inverness foi umas das boas descobertas quando ouvi pela primeira vez “Forest Fortress”, disco extremamente recomendado para quem gosta de um pouco de psicodelismo, músicas muito bem montadas com as guitarras falantes e melódicas de Mateus dando caminho às canções com suas letras viajadas e belas.


Também esta sendo um disco belo “Somewhere I Can Hear My Heart Beating”, continuando com os experimentalismos, e já de cara chama atenção a música que dá título ao disco e “Inside Diamonds”.


O disco, assim como o primeiro lançamento da banda está todo grátis para download no Trama Virtual.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

NO WORDS TO EXPLAIN.












Coisas fuefas, no sense, fotografias de arte, pornográficas, eróticas, estranhas, putarias, sacanagens e afins, e muito mais aberrações; lá no Tumblr, que está de cara nova, para as velhas bobagens, percas de tempo e comédias.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O AMOR É UM CÃO VINDO DO INFERNO.

A primeira vez que li Charles Bukowski eu simplesmente detestei. Seu contos. Não imaginava como um dos ditos grandes escritores americanos podia escrever de uma forma tão egocêntrica e ainda assim influenciar milhões de pessoas em todo o mundo. Na época em que li seus contos eu não sabia ainda uma coisa sobre a vida que talvez continue não sabendo, mas pelo menos consigo sentir hoje.

E agora, depois de Ler “O Amor é um Cão dos Diabos”, quarto livro que leio do velho safado, é lógico que sei que Charles Bukowski sim, é um dos grandes escritores americanos. Sua forma de escrever despretensiosa inspira a escrever também, seus poemas sem preocupação de métrica, forma ou qualquer outra coisa do tipo, contam histórias, assim como seus contos, de bebedeira, perdas, poucos ganhos, algum amor, algum sexo. Bukowski querendo ou sem querer, escrevendo sobre si ou sobre o mundo, acabou dando voz e nome aos “perdedores”, pessoas que não encontram seu caminho neste mundo e ainda assim continuam a caminhar, porque isso é a unica coisa que sentem que tem a fazer. Pessoas que não se adequaram às linhas pré-determinadas já construídas muito antes de qualquer um vir, e ainda assim não dão o braço a torcer, criando pobremente, mas com coragem seus caminhos.

Em “O Amor é um Cão dos Infernos” a Editora Pocket publicou 303 páginas com poemas do velho beberão Bukowski, que em seus poemas escrevia sobre isso, beber, foder, amar, escrever, viver uma vida, mais do que tudo viver uma vida. Bukowski sabia que se deveria tentar ao escrever, mas não tanto a se convencer de que o que estivesse escrevendo fosse salvar o mundo mais que a si próprio. Sabia que tinha que escrever porque as palavras surgiam, e tentar, mas não tanto, e escrever procurando o grande poema, mesmo sabendo que este quase nunca viria.

Suas experiências com a bebida, sexo, a vida com mulheres que podem enlouquecer sua cabeça e deixar você na miséria, são contadas por Bukowski tanto com desespero como com calma. Uma calma de quem via tudo passar, e sabia que tudo iria passar, e só o que tinha que fazer era sentar, abrir uma cerveja, escrever um pouco sobre, abrir outra cerveja e beber mais um pouco.

Cerveja

Não sei quantas garrafas de cerveja

Consumi esperando que as coisas

Melhorassem.

Não sei quanto vinho e uísque

E cerveja

Principalmente cerveja

Consumi depois

De rompimentos com mulheres –

Esperando o telefone tocar

Esperando o som dos passos,

E o telefone nunca toca

Antes que seja tarde demais

E os passos nunca chegam

Antes que seja tarde demais.

Quando meu estômago já está saindo

Pela boa

Elas chegam frescas como flores de primavera:

“mas que diabos você está fazendo?

Vai levar três dias antes que você possa me comer!”

A mulher é durável

Vive sete anos e meio a mais

Que o homem, bebe muito pouca cerveja

Porque sabe como ela é ruim para a

Aparência.

Enquanto enlouquecemos

Elas saem

Dançam e riem

Com caubóis cheios de tesão.

Bem, há a cerveja

Sacos e mais sacos de garrafas de cerveja

E quando você pega uma

As garrafas caem através do fundo úmido

Do saco de papel

Rolando

Tilitando

Cuspindo cinza molhada

E cerveja choca,

Ou então os sacos caem às 4 horas

Da manhã

Produzindo o único som em sua vida.

Cerveja

Rios e mares de cerveja

Cerveja cerveja cerveja

O rádio toca canções de amor

Enquanto o telefone permanece mudo

E as paredes seguem

Paradas e estáticas

E a cerveja é tudo o que há.

Medo

Ele se aproxima do meu fusca

Depois que já estacionei

E segue pra lá

E pra cá

Rindo ao redor de seu

Charuto.

“Ei Hank, tenho reparado

Nas mulheres que têm frequentado

Sua casa ultimamente... Só coisa

Fina; você está fazendo seu trabalho

Direitinho.”

“Sam”, eu digo, “Isso não é

Verdade; sou um dos homens mais solitários

Que Deus pôs neste mundo.”

“Temos umas garotas bacanas no

Puteiro, você devia experimentar uma

Delas.”

“tenho medo desses lugares,

Sam, não posso nem entrar.”

“Eu lhe mando uma garota então,

Artigo de luxo.”

“Sam, não me mande uma puta,

Eu sempre me apaixono por

Elas.”

“Certo, amigo”, ele diz,

“Me avise se mudar

De idéia.”

Eu o vejo se afastar.

Alguns homens estão sempre

No controle do seu jogo.

Para mim, a maior parte do tempo

É confusão.

Ele pode partir um homem

Ao meio

E não sabe que é

Mozart.

De todo modo

Quem quer ouvir

Música

Numa noite chuvosa de

Quarta-feira?

Charles Bukowski - O Amor é um Cão dos Diabos – Love is a Dog fron Hell

Tradução de Pedro Gonzaga

Editora Pocket

303 páginas

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ô MARIA, TROUXE A MANTEIGA?

"Ontem morreu a atriz Maria Schneider. Ela ficou famosa depois de atuar com Marlon Branco em “Último tango em Paris” (1972), filme de Bernardo Bertolucci que na época causou escândalo. MAXI SANGUINETTI, um de meus desenhistas argentinos preferidos, teve a idéia para este cartum e eu propus de desenharmos juntos."
Desenho e texto de Adão Iturrusgarai em homenagem a atriz Maria Schneider falecida ontem.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DE FRENTE COM O LOBO!

Neste domingo passado no programa De Frente com Gabi o Cantor Lobão deu mais uma boa entrevista. Falando de sua caótica vida louca, louca vida, via doce, Lobão comentou do processo que foi escrever sua autobiografia - (livro que desejo), sobre seus problemas com os pais, com a relação com a mãe, as brigas com o pai. Sobre as drogas, o exílio, o cárcere, as prisões, sobre a vida entre bandidos, e sobre os bundões que circulam na música brasileira. Comentou sobre a treta com os Paralamas do Sucesso e Herbert Viana.

Tendo chegue aos seus 50 anos, Lobão se mostra um cara continuamente produtivo, um dos melhores compositores disso que chamam de Rock brasileiro, e com certeza o melhor músico de sua geração que passou pelos anos 80 e até hoje continua fazendo música de qualidade, bem diferente das dezenas de bandas que sobrevivem nestes anos se repetindo descaradamente.

Lobão se mostra na entrevista mais sereno, um pouco mais calmo, sempre reflexivo e sempre crítico com a música e a política brasileira.

Para quem gosta do cantor, para quem viu, para quem ainda não, aqui vão os links dos 4 blocos de entrevista com Lobão, que é sempre bom vê-lo em ação, em conversa, em música.

Entrevista Gabi de frente com Lobão Parte 1.

Parte 2.

Parte 3.

Parte 4.