segunda-feira, 26 de julho de 2010

ESTÃO ACABANDO COM ELES ROBERTO!


O texto abaixo foi escrito pelo Kako, administrador do GibiHQ!:
O GibiHQ! Não é apenas um site que disponibiliza scans através de uma rede P2P - emule e soulseek. A primeira idéia é que estamos distribuindo quadrinhos, mas não é apenas isso.
Vamos definir o que são Scans. Scans são quadrinhos digitalizados, que podem ler lidos no computador. Em geral tem formato cbr/cbz e PDF. Os scans, em sua grande maioria, são compostos de títulos que ainda não foram publicados no Brasil ou então de material antigo, fora de catálogo.
Este é um site que é mantido por fãs. São pessoas que baixam a revista de servidores nos EUA - também via P2P -, traduzem, apagam os balões em inglês, reescrevem os balões em Português e então compartilham o arquivo através de seus computadores.
Em pesquisa feita em nosso site, ficou constatado que não prejudicamos as vendas destes quadrinhos em nenhum momento. Pelo contrário: trouxemos mais leitores para as editoras. Também não vendemos nenhum tipo de material.
O site vive de doações para cobrir os custos fixos de servidor e domínios. E para isso faço a prestação de contas. Não tenho, quero e nunca quis obter benefício para mim ou outrem. Se há sobra de caixa, eu faço sorteios de encadernados que compro em bancas. E assim a roda gira...
Vamos entender a motivação dos scans.
Durante a década de 80 e parte dos anos 90 a Editora Abril vendia quadrinhos da Marvel e da DC. Por uma decisão editorial nem todos os títulos americanos são lançados no Brasil. Dentro desta decisão editorial, um dos absurdos cometidos era cortar algumas páginas para poder encaixar um número maior de títulos e/ou histórias dentro das 84 páginas da revista. Cada título norte-americano possui 23 páginas. Somente com a internet é que passamos a ter acesso aos títulos originais e ver a mutilação que a Editora Abril fazia. Então eu pagava para ler uma obra e não lia na íntegra.
Para quem não conhece, um dos trabalhos que o GibiHQ! faz é relançar esses títulos mutilados. A gente pega a edição original em um servidor P2P de um software chamado DC++, compara com a edição nacional, vê os cortes, faz a tradução, letras, muitas vezes traduz a capa, coloca o logotipo do nosso grupo na capa e lançamos. O logotipo NÃO fica em cima do logotipo da editora. Ele fica numa área branca reservada ao código de barras.
Outro trabalho que fazemos é lançar títulos que não chegariam ao Brasil porque as editoras entendem como um título não comercial. Se é um título que a editora acha que não vende, ela não publica. E nós lançamos estes títulos não comerciais.
Ainda dentro desta linha editorial sacana, com a justificativa de diminuir os custos de produção e trazer um número maior de títulos para o Brasil, são criados os mixes com 3 a 4 histórias. Então, quem compra uma revista no Brasil é obrigado a levar 3 ou 4 revistas, mesmo que você não tenha interesse em um dos títulos. Ou seja, eu pago por uma coisa que não quero ler.
O último trabalho é lançar as revistas que só chegariam - ou chegarão, depende da linha editorial - no Brasil dentro de um ano ou mais. Assim como existe a pessoa que gosta de ver um filme recém lançado, a gente também quer ler os últimos lançamentos.
Agora é que vem o grande diferencial: o colecionador de quadrinhos NÃO deixa de comprar as revistas em bancas porque tem acesso ao conteúdo digital antes de tudo, ele é um colecionador. Se um determinado título vende mal, a culpa não é do scan. A culpa é do roteirista que não criou uma boa trama ou do desenhista que faz uns garranchos.
E alguma editora quer discutir o assunto? Eu estou aberto para o debate.
Mas e agora José?
Num primeiro momento, fui denunciado por uma pessoa que se dizia ser o Sr. Edner, da APCM, mas parece que era uma denúncia falsa. Duas horas depois de eu recolocar o site no ar, nova denúncia aconteceu, mas desta vez o site não saiu do ar. Só que agora, recebi uma notificação da Marvel, e este parece ser verdadeiro.
Pois bem caros amigos. Não satisfeito em usar o nome da APCM, o nosso amigo Sr. Denunciante forneceu meus dados diretamente para a Marvel. Essa por sua vez, pede para que retiremos os scans ou tomará as medidas cabíveis.
Mas e agora? Acato o posicionamento da Marvel ou sigo em frente? Se eu acatar, estou dizendo que estou errado em disponibilizar scans em redes P2P. Se eu não acatar, sofro um processo por parte de uma megacorporação. E onde será que a corda vai partir?
Já pedi ajuda em diversos lugares. Pedi orientação jurídica para alguns advogados que têm seus princípios voltados ao compartilhamento de cultura e informação. Mas não houve resposta. Se nenhum advogado, associação, entidade - ou seja lá o nome correto - puder fazer a caridade de me defender, então estou sozinho. Nesta hora não adianta ter apoio moral dos amigos e dos frequentadores do GibiHQ!. Se eu encarar esta briga, vai ser briga de cachorro grande. E vou precisar de muita, mas muita grana mesmo. E a quem recorro?
No momento só posso pedir apoio de quem acredita na causa de que compartilhar não é crime. Que o que fazemos não é crime. Que é mais válido o acesso à cultura do que alguns trocados de uma megacorporação.
A melhor forma de me ajudar - se não for para dar apoio jurídico - é divulgar o que está acontecendo. Via Twitter, nos sites de quadrinhos, num site de jornalismo, num blog de protesto. Precisamos fazer barulho.
Não precisamos mandar os políticos ou a polícia caçar bandidos. Mas também podemos ser tratados como criminosos. Temos que ter força para mudar a lei; temos que forçar o debate. Ou a coisa muda a partir de agora ou vamos nos recolher em definitivo. Não dá para mudar a lei sem desobediência civil. À hora é agora! Protestem! Façam barulho! Não fiquem calados!
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É o negócio tá brabo. Que continuam, continuam. Ainda continuam denunciando sites e blogs que tem como trabalho disponibilizar hqs na internet. Depois do F.A.R.R.A do Eudes que acabou virando A. R. R. A. F, do Actions and Comics, e de muitos outros que nem fiquei sabendo, foi a vez de do GiBiHQ! e Cyber Pimenta. Claro, quem sabe o que tá acontecendo já está bem mais informado que eu, mas faz certo tempo que entrei no Cyber Pimenta, um dos bons blogs que disponibilizavam Hqs na internet e vi este texto que posto aqui escrito por Kako, administrador do site GibiHQ! O texto de Kako é muito lúcido sobre o que está acontecendo no momento, e se realmente o cara tiver sido contatado pela Marvel, mostra como esse lance está sério. Realmente tem que se debater sobre a disponibilizarão de obras via internet, porque simplesmente não vai acabar. Quem anda no centro de qualquer cidade vê nos camelôs filmes sendo vendidos bem antes de chegarem à tela dos cinemas, e quem curte mesmo internet não encontra empecilho algum de encontrar filmes, músicas, Hqs ou qualquer outra artigo para baixar. Os preços ainda continuam altos nas lojas e bancas, e o que kako trás sobre pagar pelo que não se quer consumir e a mutilação das obras em quadrinhos é bem pensada. Quem realmente curte quadrinhos, mesmo que baixando, acaba comprando quando chega às bancas, mesmo com os preços bem salgados. E enquanto o debate não chega, blogs vão fechando, levanto consigo todos os títulos que não são lançadas por aqui e tudo àquilo que não podemos conferir no momento por ordens de redução de custos ou editoriais. Por falar nisso, vale lembrar que o Actions and Comics não largou do osso e voltou à ativa, mas agora parece que vai fechar geral mesmo, depois de postarem o texto que colocarei abaixo. Texto sobre a prisão de dois homens por pirataria de filmes. O ótimo Cyber Pimenta também fechou suas portas levanto muitos títulos que não consigo encontrar nas bancas e encontrava lá. E o GibiHQ! Que tá indo ainda. Mas por quanto tempo?
Para não tomar muitas linhas, por que poucos são os que não tem preguiça de ler nas telas de computador, vai aqui na integra o texto que peguei no Actions and Comics, que vai parecer bem longo para os preguiçosozinhos sem paciência para ler, e muito interessante para quem realmente curtir um debate legal. Segue o texto que foi retirado do Actions que já está para fechar:
A polícia de São José dos Campos (SP) prendeu em flagrante, nesta quinta (15), o peruano Cesar Addis Valverde Salvador, 32, e a brasileira Eliezer Batista Ramiro, 24, administradores do site Brazil-Series, por violação de direitos autorais devido a compartilhamento de filmes na internet.
Salvador, que é funcionário do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e Eliezer responderão pelo crime de violação de direitos autorais, artigo 184, do Código Penal Brasileiro. Se condenados, a pena pode chegar a quatro anos de reclusão.
A APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música) disse não se lembrar de um caso precedente a esse, no qual há prisão em flagrante devido a pirataria de filmes.
De acordo com o delegado da Polícia Civil Vernei Antonio de Freitas, que comandou as investigações, eles ganharam “bastante dinheiro com isso” –ele, porém, não soube precisar a cifra, disse Freitas à Folha.
O site, que mantinha seriados famosos como “House” e “Friends”, dizia ter 32 milhões de visitas consolidadas. A APCM diz que o Brazil-Series possuía uma média de acesso mensal de 800 mil internautas.
A investigação sobre o site foi desencadeada pela APCM em 2007. A organização chegou às pessoas por meio de sites de relacionamento, como Orkut e Twitter.
O gerente jurídico e operacional da entidade, Edner de Toledo Alves Bastos, acompanhou a operação e contou à Folha que um material farto relativo à pirataria foi apreendido na casa dos dois indiciados.
“[Encontraram] computador, notebook, várias listas de papel com filmes e seriados, milhares de DVDs –eram mídias coloridas e queimadas. 90% [do conteúdo] das mídias estava no site deles”, afirmou.
A APCM diz ainda que a capitalização por intermédio do site era feita via sistema de publicidade em banners (o site ganha centavos quando se clica, o que gera lucro à medida que diversos usuários clicam), pedido de doações em dinheiro para manutenção do site e venda de contas especiais (por R$ 30, usuários tinham acesso a conteúdos exclusivos e mais velocidade de download).
“No site, há vários administradores e designers, o que caracteriza formação de quadrilha”, declarou Bastos.
OU SEJA…
SOU RICO, BONITO, BEM NOVINHO E SUCEDIDO ( VIDE O TITIO EM CIMA DE SUA BONECA SQUALL
AQUI)PARA ME FUDER POR CONTA DISSO TUDO, SEGUNDA FECHAMOS A NOSSA BODEGA!!!!
Digaun DIZ :
Aos Tradutores e Diagramadores, honrem seus compromissos, antes de mais nada, vou tentar contato com a APCM para saber se a forma como divulgamos as HQs é iliciata, até lá aos que sempre carregaram a nossa bandeira, esta é a hora de provar que o tempo gasto na frente do PC não foi em vão
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E então são muitos anos de trabalho digitalizando hqs para terminar assim. Puta falta de sacanagem! E você, o que pensa sobre?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A ARTE QUE SURGE DO LIXO.

O que é que dá para fazer com poeira, lixo e restos de comida? Qualquer um diria que colocar em um caminhão de lixo seria a melhor resposta, mas para os olhos do artista plástico Vik Muniz tudo isso tinha grande talento para se transformar em arte, e foi o que ele fez.


Vik Muniz é um artista brasileiro que recebeu mais notoriedade com seu trabalho em Nova York. E depois de expor em várias galerias nas cidades do Canadá, México, Estados Unidos, Quebec, desta vez atereizou pelo Forte Fortaleza em exposição no Espaço Cultural Unifor, em uma das maiores exposições dedicadas ao artista no Brasil, contendo seus trabalhos do final dos anos 80 até os dias de hoje, que vão de desenhos, fotografias, instalações, esculturas e pinturas feitas com comida.


Trabalhando como disse, com lixo, poeira, restos de comida, Vik Muniz cria sua arte por vezes a partir de obras já existentes, outras vezes á partir do que vê, como sua série "Sugar Children" onde depois de conhecer crianças filhas de trabalhadores em plantações de açúcar em St. Kitts, e após voltar para Nova York Vik resolveu desenhar as fotografias das crianaças usando açucar, como forma de homenagear os fotografados.


As obras recriadas, algumas que já ficaram mais que famosas, como a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, Onde Vik resolveu criar duas replicas seguras e detalhadas da pintura de da Vinci, uma feita com Geleia e outra com Manteiga de amendoim. Outras vezes usando qualquer tipo de lixo ele criou formas humanas sendo desenhadas no chão de um galpão como a imagem de Narciso e outros.





Outra recriação foi a pintura simbolizando a Medusa, onde Vik usou macarrão e molho de tomate dentro de um prato, criando o desenho da imagem mitológica.
Vik também pintou o desenho do grande pintor americano Jackson Pollock usando calda de chocolate, na famosa foto onde Pollock mostrava a forma de pintar sua action painting.

Considerado um dos artistas brasileiros que está em maior expansão no momento, seus desenhos recriando pinturas famosas em que usa fios de metal e qualquer forma de lixo podem ser vistas, por exemplo, de segunda a sábado na abertura da novela das 8 que passa às 9 horas da noite na Rede Globo. Aqui em Fortaleza suas obras - mais de 140, estão muito bem distribuídas no espaçoso Espaço Cultural da Unifor, que está aberta ao publico de segunda a sábado, e com entrada franca. A Exposição Vik Muniz fica até dia 16 de agosto, se não me engano, e vale muito dar uma conferida.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

THE MIMIC MEN.

O que faz com que um ser queira se tornar eterno? Qual medo interno de esquecimento terreno carrega dentro de si lutando tão fortemente para não passar por este mundo despercebido quando sua hora final chegar? Que necessidade é essa de transformar a hora final em um ponto de começo?

Enrique Vila-Matas diz que: “Todos desejamos resgatar por intermédio da memória cada fragmento de vida que subitamente nos volta, por mais indigno, por mais doloroso que seja. E a única maneira de fazê-lo é fixá-lo com a escrita. A literatura, por mais que nos apaixone negá-la, permite resgatar do esquecimento tudo isso sobre o que o olhar contemporâneo, cada dia mais imoral, pretende deslizar com a mais absoluta indiferença”.
Talvez possa ser isso que levou um homem chamado Vidiadhar Surajprasad Naipaul a escrever. Talvez. Mas só pode-se dizer talvez, porque os mistérios que este homem que se tornou do ano passado para cá, um de meus escritores prediletos, são muitos. Gigantes e inimagináveis mistérios. E talvez por saber que seja assim, ele mesmo se disponibiliza a ser um “desvendador” dos mistérios do homem. Os mistérios e segredos que carregamos dentro de nós diariamente, fingindo sorriso e pensando que ninguém seria capaz de descobrir, quando basta somente um olhar para que alguém descubra o que tão sigilosamente carregamos dentro de nós. Naipaul é um desses homens que carregam um olhar possível de desvendar os mistérios, um olhar de um condenado até o final da vida, que consegue ver o desvalido, o humilhado, o oprimimido, e é capaz de lançar uma frase como “Odeiem a opressão, mas temam os oprimidos.”, na frase que tão bem poderia ser usada para descrever as obras de Michael Haneke, quanto para descrever qualquer um de nós. E ainda assim, criando uma frase dessas, não romantiza a perca.
Filho de imigrantes indianos, Vidiadhar Surajprasad Naipaul se tornou V. S. Naipaul, um dos, que se pode dizer sem medo, grandes romancistas dos tempos atuais. Naipaul foi morar na Inglaterra ainda adolescênte e dizem, dês de 1954 a única profissão da qual se dedicou realmente foi a escrita. E aí está um homem no meio de tantos ditos escritores, aí está um homem que pode dizer que é realmente um escritor. E mesmo que não ganhasse a vida com o dinheiro de seus livros - coisa muito comum no meio literário, mesmo assim aí está um homem que pode dizer que é realmente um escritor.
Escrevendo sobre o fim dos sonhos, homens inacabados que constroem civilizações que sempre serão inacabadas, Naipaul escreve sobre o homem aflito e angustiado, humilhado pela própria condição de ter nascido para não ser aquilo que todos esperam que sejam. Naipaul escreve sobre a própria humilhação, sem criar romantismos nem muito menos heroísmos. Nos textos de Naipaul não existe espaço para um herói, e isso é louvável em um mundo criado por figuras idiotas que devem servir de exemplo para outras pessoas. Assim como disse Fernando Moreira Salles: “Para Naipaul não há um Admirável Mundo Novo despertando das cinzas do colonialismo. As marcas da dominação deixaram feridas abertas na consciência, nas vontades, na determinação de reencontrar uma identidade.” E é sobre um homem que tenta recriar sua identidade, uma identidade talvez nunca encontrada por ter sempre nascida perdida, que Naipaul constrói um personagem que talvez seja ele próprio, ou cada um de nós vivendo em um mundo estranho, em uma sociedade estranha, dentro de relações estranhas, sempre rodeado de pessoas que sempre serão estranhas.
Os Mímicos”, romance escrito entre agosto de 1964 e julho de 1966 e publicado em 1967, traz a estória de um homem que poderia ser descrito como “sem nome”, e suas reflexões sobre o outro, sobre a incapacidade de ser compreendido e compreender o outro quando se propõe a escrever a história da própria vida. Um homem e suas mazelas naturais, falhas, perdas, e vazios, mas que nem em um momento é narrado como coisa gratuita. É simplesmente narrado, contado a estória de um perdido tentando encontrar na fuga de sua terra de origem a fuga de sua nacionalidade, a fuga de sua condição de filho, irmão, amigo ou o que mais estiver acoplado a um ser. E é a partir disso que revela seu olhar do mundo para o mundo. Esse olhar talvez seja o do próprio Naipaul. Mas somente pode ser dito que talvez seja, porque como já disse, muitos são os mistérios que o escritor contém, mesmo que em seu trabalho ele se disponha a desvendar o que for possível, e guardando outra parte que possa ser importante para sua formação.
Meu prazer em reler este livro descoberto e lido ano passado foi bem maior que a primeira vez que o li. Mesmo tendo sido um livro relido praticamente todo dentro de ônibus barulhentos e lotados onde além de ter que lutar contra os barulhos, tinha que lutar contra o sono matinal que me acompanha o dia inteiro, mesmo assim, o espanto em que me encontrei em “Os Mímicos” foi bem maior do que a primeira vez que o li. E penso que este livro seja um daqueles que daqui a 20 anos, ou mais tempo, ainda me criará espanto e supressa e prazer quando reler suas frases.
Em Isabella, quando jovem, eu falava sobre cultura e sobre a necessidade de se criar uma literatura nacional, tanto quanto qualquer um. Mas, para falar com fraqueza, não sentia admiração pelos escritores enquanto pessoas, por mais que admirasse suas obras. Eu os considerava pessoas incompletas, para quem o ato de escrever substituía aquilo que, na época, eu me comprazia em chamar “vida



Os Mímicos – The Mimic Men
Tradução: Paulo Henrique Britto
Editora: Companhia das Letras319 páginas

terça-feira, 6 de julho de 2010

COPA NO TOBA.

Para quem assim como eu já sabia que a seleção Brasileira não chegaria à final, e para quem assim como eu só assiste futebol de 4 em quatro anos (assim como nas eleições, junte uma copa e então você vai ver as duas únicas datas onde Brasileiros são realmente nacionalistas e amam seu país. Quando passa, cada qual vai para sua casa.), o melhor mesmo é assistir aos resumos que os sem noção do Mundo Canibal estão mandando dos jogos da copa.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A MORTE DO CRIADOR.

O que se deve fazer para matar o criador de todas as espécies? Matar o onipotente, o poderoso, aquele que tem um plano (nem que seja extremamente estranho) para todos nós? O que se deve fazer para matar o criador de todas as espécies do mundo e fora dele?
Em “Criação”, Jon Amiel em roteiro escrito por John Collee mostra o processo doloroso e por vezes repleto de culpa que Charles Darwin passou para escrever seu “O Livro das Espécies”, onde desenvolvia e explicava suas teorias sobre a origem do homem e da evolução dos seres. Amiel cria uma trama dramática entre Darwin e seu mundo interno. Como escrever uma obra que iria contra tudo aquilo que se aprendia nas igrejas, catecismos e escolas na época? Como ir de frente a um Deus que na época era mais punitivo do que caridoso? Estaria Darwin comprando seu próprio lugar no inferno ao escrever cada página de sua obra?
O diretor cria um Darwin (interpretado por Paul Bettany) que além de viver um drama interno de culpa pela criação de sua obra, passa por problemas sérios de saúde beirando a própria loucura depois de perder sua filha Annie (interpretada lindamente pela menina Martha West), a sua mais perfeita obra de criação onde ele se identificava gigantescamente e viu morrer sem poder fazer nada. A morte da filha cria em Darwin um processo lento de morte interna, onde a memória da criança, que aparece constantemente para ele como figura quase palpável, se torna em sua culpa, em seu remorso, senso crítico. E assim, depois da morte da filha (como assistir a criação sendo retirada do criador?) Charles cria distancias gigantescas com os outros filhos e sua esposa Emma (a linda Jennifer Connelly).
Baseado no romance “Annie´s Book”, escrito por Randall Keynes, tataraneto de Darwin, “Criação” é um filme de uma sensibilidade bonita, que trata de temas antigos que ainda hoje podem afligir muitos. Culpa, fé, amor, e como conviver com memórias.
Criação – Creation
Direção: Jon Amiel
Roteiro: John Colle
Fotografia: Jess HallCom: Paul Bettany, Jennifer Connelly, Jeremy Northan, Toby Jones, Benedict Cumberbath, Jim Carter, Martha West e Teresa Churcher.