terça-feira, 22 de junho de 2010

RELEMBRANDO OS INFERNOS DE BOLSO DE UM IMPOSTOR.

Em 1999 o escritor Ronaldo Bressane lançou seu primeiro livro; “Os Infernos Possíveis”, livro de contos que dava início a trilogia que o escritor intitulou como “A Outra Comédia”, fazendo uma referencia provocativa à Dante Alighieri e sua “Divina Comédia”.
Bressane deu continuação à trilogia em 2001, com “10 Presídios de Bolso”, e a fechou em 2003 com o provocador “Céu de Lúcifer”. Neste mesmo ano lançou também seu livro de poemas intitulado “O Impostor”.
Em 2008, Bressane resolveu disponibilizar na internet seus livros por meio dos blogs Os infernos Possíveis, 10 Presídios de Bolso, Céu de Lúcifer e O impostor. Dono de uma literatura ágil e por vezes criando referencias, influenciado por literatura fantástica e ficção científica, Bressane se tornou um de meus escritores para ler da leva de escritores dos anos 90 para cá, depois que li Céu de Lúcifer em 2005. Sua prosa é instigante, sua poesia idem e por vezes as duas andam de mãos dadas colando no pensamento de quem lê.
Bressane que escreve no blog Impostor, também tem os blogs de poesia “Command-z” e “Lua Vermelha”, e o livro de poemas ainda não publicado e solto na internet Lua Vermelha. Aos poucos está construindo seu primeiro romance de ficção científica no blog “Mnemomáquina”, uma estória que se passa em uma São Paulo futura chamada de “Cidade Olho”, em 2050. E também prepara sua primeira novela em hq.
Fica a dica para quem gosta de literatura feita por gente viva entrar nos blogs e conferir as obras de Bressane. Entre outras coisas que tento ler no momento, Os Infernos Possíveis está quase no fim, aos poucos vou tentar escrever sobre cada livro. Quem sabe eu consiga.
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Lembrei deste texto aí que tinha originalmente publicado em meu antigo blog quando terminei de reler o livro “Os Infernos Possíveis” do Impostor Ronaldo Bressane. Desta vez, reler o livro foi mais fácil que da primeira. Ao mesmo tempo, mais demorado. Comecei a relê-lo no dia 24 de março, e só o vim terminar dia 17 deste mês de junho.

Quando digo que foi mais fácil, é porque na primeira vez não gostei dos Infernos Possíveis de Bressane. Como ele mesmo disse certa vez em seu blog, existe certa imaturidade em seus contos iniciais publicados, coisa normal em qualquer escritor que inicia sua carreira. Desta vez foi mais fácil reler do que na primeira leitura onde li o livro mais rápido, mas mais rápido para que o livro pudesse terminar logo. Hoje, na releitura, contos que me chegaram inicialmente como incrivelmente ruins como “Bacanal”, “Invisível”, “Nervos”, “Sujeitinha” e “Weboi”, me pareceram até mais engraçadinhos. Até “Relato entre Machado e Faca”, que inicialmente me chegou como de mau gosto e até desrespeitoso, me chegou agora como razoável. Outro conto que inicialmente me chegou como totalmente fora de uma realidade, mesmo que fictícia, foi “Quadrilha”, que desta vez até me fez até rir com as situações estranhas e fora de tom que o escritor colocou os personagens.

Claro, ainda não me foi possível entender contos incrivelmente mal escritos e sem propósito como “Documentário”, “Labirintos”, ou “Conto”, que chega a ser hilário de certa maneira levando em conta o despropósito e enrolas são ficcional. Outro que foi à mesma linha é “X”, conto que quando chegou ao fim de sua sexta página lida, me perguntei qual seria o propósito de tudo aquilo escrito, ainda mais com diálogos chegando a quase constrangedores.

Se o propósito de um escritor for contar uma estória, Bressane tanto pecou pelos excessos, quanto conseguiu iluminar o leitor com contos incrivelmente bem construídos como “Fuga”, “Mistérios”, os medianos “Universidade” e “Aos Meus Olhos de Cão”, conto que abre o livro e que o escritor certa vez disse ter escrito em homenagem à Edgar Alan Poe, escritor em que ele dá o crédito (ou coloca a culpa) por ter se tornado um escritor anos depois de ter o lido.

Dos Infernos Possíveis de Bressane, 3 contos se mostram como os mais bem escritos e que chamam mais atenção; “Evangelho Segundo Zé Maria”, o maravilhoso “História em Cicatrizes” e a talvez história de quase todos os dias para muitos “Zero”, conto que talvez fosse errado dizer que resumiria o livro, mas que poderia quase intitular muito bem a obra. No blog os contos foram postados do fim para o começo. E agora que os infernos foram vencidos, tentarei dar continuidade aos 2 outros títulos.

Para quem assim como eu tiver falta de paciência de ler na tela do computador, mas tiver interesse em ler o livro que abre a trilogia “A Outra Comédia” de Bressane, e tiver confiança na opinião de outra pessoa, leia os 3 contos citados e mantenha o nome de Ronaldo Bressane como um bom prosador da geração nojenta, digo, noventa.

terça-feira, 15 de junho de 2010

ESTÃO QUERENDO ACABAR CONOSCO, ROBERTO!

É claro que todos que procuram hqs na internet para download já estão sabendo da tentativa de fechar os blogs que disponibilizam scans. Vários blogs que fazem este tipo de trabalho já foram denunciados e vários links para download aparecem quebrados nas procuras. Um de meus blogs prediletos Actions and Comics foi quase fechado por 24 horas, e ficou durante por um tempo somente para quem era seguidor, coisa que me deixou bem nervoso, diga-se de passagem. Neste final de semana li a triste notícia que o blog iria realmente chegar a um fim.
Para quem ainda não sabe, sou um aficionado por hqs. Gosto de ler, gosto de comprar uma boa história em quadrinhos, deitar e ler. Isso vem dês de quando eu era criança, e passou um pouco quando na época da adolescência. Foi nesta época de adolescência que comecei a descobrir a literatura, e imbecilmente passei a pensar que ler quadrinhos não era uma coisa muito “madura”. Pensamento imbecil. E neste pensamento imbecil deixei os quadrinhos de lado só lendo a dita “literatura”. E quadrinhos, hqs, não seriam formas de literatura, de contar estórias, de emocionar e criar reflexões? Sim, claro que sim. E foi neste momento em que me ausentei das hqs que começavam a chegar às bancas as boas revistas que tanto me agradam nos dias de hoje, Hellblazer, por exemplo, e muitas outras do selo Vertigo.
Nunca curti durante muito tempo as coisas da Marvel, durante a infância e começo da adolescência você lê os heróis e mutantes criados por Stan Lee e muito outros com muito gosto, mas depois que o tempo passa, fica meio estranho ler essas histórias quando você já sente necessidade de ler outras estórias onde nem sempre o vilão perde, onde nem sempre existe um vilão pré-determinado. A Marvel criou personagens que nunca morrerão, personagens que li pouco, mas que marcaram minha infância e nos dias de hoje quando vejo nas telas dos cinemas chego a me emocionar. Sempre existirá um nerd atrapalhado chamado Peter Parker, um meio médico e mostro chamado Bruce Banner com seu Incrível Hulk esmagando tudo, o velho desmemoriado e rabujento Wolverine. Mas chega certo tempo na vida em que um louco preso nas memórias da infância como Bruce Wayne chama mais atenção e faz com que nos identifiquemos mais. Os quadrinhos da DC e da Vertigo passam a fazer muito mais sentido. Personagens perdidos, meio sórdidos, os anti-heróis. John Constantine em seu Hellblazer, por exemplo, é meu predileto. E hoje, corro atrás de suas estórias tanto nas bancas quando nos blogs.
O problema para quem gosta desse tipo de arte, é que quadrinhos sempre são mais caros do que deveriam ser, não existe bolso que agüente lançamentos todos os meses de várias boas edições. Quem gosta de quadrinhos gosta mesmo, e chega a ser um pouco fissionado demais deixando de ler muitos outros tipos de leituras para ficar só nos quadrinhos. Meu caso é meio ruim, por que a literatura consome o que pode de meu tempo e de meu bolso, e os quadrinhos mesmo que em segundo plano, também tomam muito de meus riais. Então, blogs disponibilizando scans sempre são bem vindos para que pessoas como eu, que perderam muito, consigam ter aquilo que já não é mais editado nas bancas nos dias de hoje.

O tempo foi passando e eu envelhecendo, e agora, a procura pelo tempo perdido nas scans na internet é algo quase como uma fixação. E neste momento estão tentando fortemente fechar blogs na internet. É uma pena. Os idiotinhas que tentam fazer isso não são os únicos a perder, todos nós acabamos dançando nessa dança sem ritmo. É claro que os idiotinhas que tentam fazer isso não irão acabar com os blogs de scans, os “nerds” parecem ter muito mais força que aparentam ter. No meu caso, um velho que não entende muito de internet e computador, sempre estou procurando links novos de bons blogs para encontrar coisas boas para ler. E é claro, sempre estarei passando por aqui para deixar os links tão conhecidos para meus 3 ou 2 leitores. Mas é muito foda receber a notícia que um blog como o Actions and Comics quem chega a ter mais de 4 mil acessos diários e que disponibilizava das histórias da Marvel a DC e o escambau terá seu fim.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

DESCONSTRUINDO UM MUNDO PERFEITO.

Dizem que há muito tempo atrás, os “contos de fadas” surgiram como estórias para serem contadas para adultos. Estórias que adultos contavam para adultos no meio da noite perto de lareiras. Em seus enredos falavam de assassinato, incesto, sexo, culpa, luxúria. Não diferente então do que existe nas sensações do dia a dia, não diferente nas estórias contadas que existem no grande livro da bíblia por exemplo, um dos livros “iniciais” então da história humana. Com o tempo, e uma ajuda de alguns escritores (os irmãos Grim, por exemplo), certos contos foram passando para serem contados para crianças, com enredos mais sutis, com violência sendo maquiada, mas ainda mostrando sentimentos de inveja, luxúria, medo, cobiça. E então as estórias foram passando de adultos para crianças, e não mais de adultos para adultos. As estórias que falavam de um mundo não tão perfeito, passaram a ter princesas perfeitamente lindas, com sorrisos sempre belos mesmo depois de anos de sono e sentimentos sempre bons dentro do coração. Assim como os reis e príncipes fortes e corajosos. Um mundo feito com perfeição, para ser lido e esperado que nosso mundo se torne assim perfeito, com pessoas perfeitas, onde o bem sempre vence o mal.

Talvez fosse essa perfeição toda que levou o artista plástico Bruno Vilela a querer trabalhar os contos de uma maneira diferente. Desconstruindo personagens como Alice do livro de Lewis Carol, ou outros como Branca de Neve, o artista recria as personagens de sua forma e as coloca em situações fora do comum, sejam caídas sujas de sangue em lama, nas ruas, ou em salas que se pressupõem serem de projeção de filmes. As personagens são encontradas sempre em forma misteriosa, vinda de algum canto, indo para algum canto, sujas de sangue, e nunca com tais motivos revelados. Estariam então mais próximas do nosso mundo real?
O mundo perfeito, ou muitas vezes estranho dos contos de fadas que pressupõem perfeição, é de interesse de muitos escritores, roteiristas, e artistas plásticos. Bill Willingham, por exemplo, recriou o mundo das fábulas em suas hqs num mundo real e mundano, onde esses personagens fictícios caminham e vivem uma vida (quase) tão comum como qualquer um de nós. Este mundo fictício, quase perfeito, retirado de mundos oníricos é sempre tema para alguma discursão.
Boa disrcursão criou então Bruno Vilela em sua exposição bibbdi bobbdi boo, que revi nesta semana passada no Centro Cultural BNB. Pintor de formação, Bruno compõem suas fotografias como se fossem pinturas (o que não deixam de ser). Sempre com cores fortes mostrando as personagens dos contos de fadas em situações que como já disse, misteriosas. O que teria acontecido com a chapeuzinho para que estivesse andando com as mãos sujas de sangue? Teria realmente matado seu adversário lobo com as próprias mãos passando o chato dessa para melhor e continuado sua caminhada tranquila para a casa da vovó? O que teria acontecido com a linda princesa deitada na lama em um dia tão belo, suja de sangue? Teria se embebedado, caído, sido violentada por algum “príncipe” impaciente? E a princesa que dormia em cima dos 10 colchões, teria sido envenenada em vez de exposta à ervilha e agora definha em um sono supremo tranqüilo no meio da floresta?



Interessado em contos infantis como sou, rever as tão boas fotos pinturas de Bruno Vilela tanto me trouxe beleza quanto desconforto e questionamentos sobre se os mundos criados por Andersen ou os Irmãos Grim, teria sido realmente criado por outros antes deles e mais próximos da imperfeição cotidiana. E é Claro, claro que sim.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

AONDE VOCÊ QUER CHEGAR?

Uns adoram, outros detestam muito, eu gosto. “Aonde Quer Chegar”, música que abre o disco “Como Se Comportar” da banda indie brasileira Moptop. Disquinho que vale dizer, ser como as coisas que a banda faz; músicas alegres, dançantes, mas que em alguns momentos podem te tocar e te fazer lembrar de algo. O refrão dessa me fez lembrar de uma pá de gente que conheci e que não conheço mais.

Se o disco vale uma audição? Claro, porque não?! Vale ouvir as “Eu Avisei” e “Bom Par”.

Quem gosta, gosta. Quem não, não.