quinta-feira, 18 de março de 2010

CAVALO DO DIABO.

Cavalo do Cão é um capanga de seu Matias, o prefeito da cidade. É preso pelo policial Cancão depois de matar um jovem por ter feito brincadeiras com o nome e seu patrão. Na delegacia, Cavalo do Cão mostra a força que tem como guarda-costas do coronel prefeito da cidade. Cancão se orgulha por ter prendido o valentão da cidade, e chama Ivalino, faxineiro da delegacia e poeta, para os dois juntos criarem versos para desmoralizar Cavalo do Cão para a cidade. O matador promete a morte a quem fizer gozação de seu nome, e Ivalino não quer morrer de morte matada, seu negócio é só criar poesia. Cancão só quer ser reconhecido por todos por ser aquele que prendeu alguém que deveria ser preso. Cavalo do Cão se gaba por ter o protegimento do prefeito e dono da cidade, se gaba até descobrir que o prefeito não o irá tirá-lo da cadeia por não precisar mais de seus trabalhos. O povo da cidade vem em busca do assassino valente para cobrar em vingança os crimes por ele cometido, cria-se então um impasse entre o preso e o guarda, em deixar o preso morrer linchado pelo povo, ou libertá-lo e deixá-lo fugir.



O Vôo do Cavalo do Cão”, peça dirigida por Augusto Pinto inspirada em obra de Racino Santos tem mais ou menos este enredo, mas não trata só disso. Trata sobre o coronelismo, sobre os matadores de aluguel contratados para executar rivais políticos. Trata de justiça e liberdade, paz e violência. Trata também da cultura nordestina, que vai resistindo com o tempo, mesmo que todos os olhos se voltem para outros lados do mundo.

Cavalo do Cão, se não me engano, é um bicho que se alimenta de aranhas caranguejeiras no sertão, e sendo assim um bicho duro de morrer. Assim como a cultura nordestina, o homem do sertão, que mesmo com toda a globalização ainda continua nas brenhas do Brasil sem ver o que acontece no o resto do mundo. Assim como os vários escritores nordestinos que escrevem sobre exatamente o que não devem escrever; sertão, nordeste, Brasil, e que ainda assim vão resistindo duramente.

O Vôo do Cavalo do Cão
Grupo Arruaça de Teatro (Mossoró-RN)

domingo, 14 de março de 2010

É TEATRO EM MOVIMENTO EM MARÇO.

Março é o mês do teatro aqui no Forte Fortaleza, e o Centro Cultural BNB está promovendo o “IV Festival de Artes Cênicas” que começou dia 02 e vai até dia 30 deste mês. Diariamente acontecem apresentações teatrais no Centro do BNB, e existe também a Mostra Teatro de Rua acontecendo na Praça do Ferreira. E tudo é claro, de grátis.

Nos sábados e algumas quintas-feiras acontecem a Mostra de Dança. Ontem fui conferir duas apresentações de balé contemporâneo (“Todas as Cebolas da Casa” e “É Carona”) e “Magno_Pirol”. Também conferi uma contação de contos na Mostra de Contos (“O Ovo, O Ponto e os Sapatinhos”).


Na Dança.

O bailarino Felipe Araújo a partir da fusão de duas montagens cria experimentações. Em “Todas as Cebolas da Casa”, Felipe inspirado em obra da escritora Clarice Lispector fala através da dança de saudade, solidão, ausência, fortaleza e decisão. Já em “É Carona”, através de movimentos rítmicos cria reflexões a partir da imagem dançante de dois jovens que pedem carona em uma estrada. Enquanto uma viagem não prossegue, eles refletem sobre a decisão de partir, deixar o que já foi construído, conviver com a separação e o futuro em uma estrada. Tudo isso ao som de Antony and the Johnsons, Muse, Marilyn Manson e outros. Felipe Araújo assina a direção, coreografia e figurino da dança.












Em Magno_Pirol o diretor e bailarino Graco Alves criou uma dança usando elementos do teatro para falar da loucura, do corpo são, do que é loucura, sanidade, e qual fio fino separam rasamente as duas coisas.



Nos Contos.

Na Mostra de Contos conferi “O Ovo, O Ponto e os Sapatinhos” trabalho que o ator Silvero Pereira está criando encenando 3 contos do escritor Caio Fernando Abreu. Silvero que fez a adaptação dos contos para o teatro, a concepção cênica, direção e atuação, procura através das histórias de Caio Fernando “O Ovo”, “Além do Ponto” e “Os sapatinhos Vermelhos” criar um novo solo seu trazendo a literatura do escritor para os palcos dos teatros.

Como falei, a mostra de artes cênicas acontece até o fim do mês, e até lá, na medida do possível vou escrevendo sobre, se acontecer de escrever.

quarta-feira, 10 de março de 2010

DÉJÁ VU.

Quando tudo parecer o mesmo, e as coisas só repetição da repetição, e você pensar que não pode criar nada de novo e estiver de saco cheio disso, o que você fará?

o artista Fernando Ribeiro resolveu rir um pouco e trabalhar em cima do que já existe, e ainda assim com um bom humor e ar desencanado criar sua própria arte. Foi isso que deu para sentir na exposição “Eu Vejo, Tu Olhas... Ele Déjà Vu” que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Nordeste.

Fernando cria sua pintura a partir de outras obras de mestres da arte contemporânea e mostra muito conhecimento sobre história da arte, tudo isso de uma forma criativa, fazendo referências engraçadas. Vale a pena conferir esse Déjà Vu.